Em plena Rua do Olival, em Alcântara, há uma porta que guarda décadas de histórias. A Modesta da Pampulha já foi mercearia, taberna e hoje é o tipo de tasca que resiste ao tempo sem perder a essência: mesas simples, conversas altas e uma cozinha que cheira a comida caseira.
Funciona apenas ao almoço, mas nesse curto espaço de tempo serve mais de uma centena de pessoas, embora só tenha 62 lugares sentados. O segredo é um serviço rápido, eficaz e clientes que já sabem ao que vão.
O restaurante existe desde 1920 e está nas mãos da mesma família há mais de 50 anos. Foi com a chegada dos pais de Anabela Sousa, de 54 anos, que ganhou o carácter minhoto que ainda hoje se sente no prato. Nascida em Viana do Castelo, cresceu entre as panelas e hoje gerencia o espaço com a ajuda do marido e do cunhado.
“Eu trabalho aqui desde miúda. A nossa casa era no mesmo prédio. Vinha sempre para ajudar a servir às mesas. Vi muitas pessoas passarem. Vi muitas pessoas nascerem e morrerem. Somos todos uma família”, conta à NiT com alguma nostalgia.
A mãe, Leonilda Gonçalves, com 86 anos, continua a preparar dois dos maiores tesouros da casa: os pastéis de bacalhau e o arroz doce. Na cozinha, não entram enlatados nem congelados; tudo é confeccionado com produtos frescos. Os grelhados também são feitos com carvão, à moda antiga.
O cozido à portuguesa (11,95€), as iscas de porco (12,50€) e os croquetes de vitela com arroz e salada (12€) são alguns dos destaques do menu, que agradam todos os públicos. “Servimos desde as pessoas das obras até ministros. Aqui são todos iguais e têm a mesma importância. A casa não diferencia ninguém”, afirma Anabela.
O menu conta ainda com outras opções, como coelho à caçador (13,50€), bife de vaca (8,50€), rissóis de pescada e berbigão (12,50€) e pataniscas de bacalhau com arroz de feijão (12,50€). Entre as sobremesas, destacam-se o pudim flan (1,95€), baba de camelo (1,95€), mousse de frutas (2,25€) e mousse de chocolate (1,95€).
Em todos esses anos, o tempero da casa e o reconhecimento já ultrapassaram fronteiras. “Em 1998, aparecemos no inglês ‘The Guardian’. Os clientes chegaram aqui com um recorte de jornal e não sabíamos de nada. Rimos e dissemos: ‘somos mesmo nós’. Oferecemos algumas imperiais aos turistas e brindámos juntos”, conta, entre risos.
A clientela passa de geração em geração, tal como as receitas. Muitos almoçaram ali nos intervalos do trabalho e, já reformados, continuam a aparecer para matar saudades. “Cozinhamos como se fôssemos receber em casa um tio ou uma avó”, resume. Talvez seja esse o motivo que mantém vivo o restaurante, modesto no nome, mas gigante na tradição.
Carregue na galeria para conhecer alguns dos pratos desta tradicional tasca de Alcântara.

LET'S ROCK






