Cafés e Bares

Avó inspira empresário a fazer padaria francesa com raízes portuguesas

Maison Luce abre nas Amoreiras, para orgulho do neto que promete qualidade artesanal e deliciosos sabores de França.
Os bolos são um dos pontos fortes da Maison Luce.

Será que a musa do milénio é a avó? Todas as semanas surgem empresários a revelar que o nome do seu negócio homenageia a matriarca da família, como aconteceu recentemente na pizzaria Avó Maria e no restaurante Taberna Carolina.

O ramo da panificação ainda não tinha nenhum sítio com tal inspiração, mas o cenário mudou. Graças ao empresário de 50 anos Julien Letartre, abriu nas Amoreiras a Maison Luce. Esta padaria francesa funciona desde 11 de outubro (exatamente no local onde ficava a Eric Kayser), e bate forte no coração do neto.

“Comovo-me ao constatar como os clientes apreciam que a Maison Luce seja a homenagem a uma avó e identificam-se com este património emocional. É interessante porque todos temos alguém que nos impulsiona a prosseguir, que nos escuta sem julgar – no meu caso era a avó Luce. E as pessoas compreendem como isso é especial.”

Julien, nascido perto de Lille, descobriu Portugal há 25 anos, trabalhava então na Air France. Aqui se casou com uma portuguesa e, embora motivos profissionais o tenham feito viver em França durante muito tempo, manteve sempre a ideia de um dia fazer vida por cá.

“É um País excelente a nível gastronómico e com laços fáceis e evidentes com França. Decidi instalar-me aqui, em definitivo, há 12 anos, com a minha mulher, e iniciei um caminho profissional ligado ao ramo alimentar.”

Hoje, com quatro filhos e a vida estabilizada em terras lusitanas, não tem dúvidas que o investimento valeu a pena. “Apostar na padaria de levedação prolongada de tradição francesa, em Portugal, significou seguir os meus instintos e o gosto profundo pela gastronomia.”

No entanto, o percurso de uma dúzia de anos, culminando no novo projeto, merece mais do que uma dúzia de palavras. “Desenvolvemos, sob licença, um conceito de padaria francesa, mas a partir de certa altura crescemos e começámos a planear algo novo. Desejávamos que fosse um projeto com raízes portuguesas, embora com personalidade francesa – algo à nossa semelhança. Foi uma espécie de coming out, para nos sentirmos livres a criar e dar a provar sabores que pertencem à nossa história coletiva, sob um nome que diz respeito à nossa história pessoal: Maison Luce.”

Para lá do amor familiar, o que levou Julien a ver no nome do projeto uma escolha lógica? “A minha avó – Bonne Maman, como lhe chamávamos entre os netos – era uma pessoa inspiradora em muitos aspetos. Mãe de família numerosa, esposa apaixonada e adorada, amiga querida, empresária de sucesso – e excelente cozinheira!”

Os tachos e as formas eram ainda o cenário apropriado para dar mais do que receitas. “Transmitiu-nos sabores, texturas, aromas deliciosos na sua cozinha, mas também a ideia de respeito pelos outros e um inextinguível otimismo. Por isso foi tão claro dar o nome da minha avó à loja.”

Quanto a Maison (casa, em francês), também tem explicação. “Representa a experiência que queremos oferecer aos nossos clientes: a ideia de uma casa aberta, um sítio confortável e acolhedor, à imagem da casa de uma avó.”

As pessoas que trabalhavam antes com Julien, dos mestres de padaria e pastelaria a quem lida com clientes, estão no novo empreendimento. “E cheios de entusiasmo.” Com a abertura do espaço no Amoreiras Plaza, há agora três lojas. Todas arrancaram no início de outubro, em Lisboa, mas as que ficam na CUF Tejo e no El Corte Inglés são corners, enquanto a outra é como o quartel-general do projeto.

“Os espaços são bastante diferentes. Cada um tem dinâmica e carácter próprios, mas a loja das Amoreiras reflete, de forma mais completa, as nossas ideias. Tivemos a sorte de encontrar arquitetos com uma capacidade de escuta notável – souberam perceber que não desejávamos algo trendy, mas que refletisse verdadeira personalidade.”

Uma identidade que Julien sabe descrever com exatidão. “Esperamos diferenciar-nos pelo acolhimento e qualidade dos produtos, acessíveis a uma maioria, porque esta casa destina-se a todos quantos apreciam a qualidade artesanal e sabores de inspiração francesa.”

Os planos de expansão já estão traçados, com duas diretrizes. “Desejamos prosseguir a abertura de lojas em Lisboa e noutras regiões de Portugal, ao nosso ritmo. A segunda vertente passa pela nossa relação privilegiada com a hotelaria e a restauração, para onde produzimos pão e viennoiserie todos os dias. É uma felicidade contar com grandes nomes da gastronomia portuguesa que confiam em nós.”

No extenso menu, com ofertas típicas de cafeteria, pastelaria e padaria, há propostas exclusivas. Salientam-se pratos quentes (variam todos os dias, menos no preço: 7,75€), pão da Luce (5,90€), pão tourte (5,40€), broa de milho-doce (3,20€) e pão briochette (1,50€). Outras peças de assinatura a não perder são o Cramique (5,90€), o Merveileux (20€) e o Mon p’tit chou (1,40€).

Sobre o ambiente que os clientes encontram em cada loja, Julien fala de um acolhimento familiar. “Queremos ser o sítio onde as pessoas se conhecem e reconhecem, dizem olá, um ambiente caloroso onde comemos coisas boas. Não é por ter personalidade francesa que se torna forçosamente chique. É uma casa cheia de sabores deliciosos e aberta a todos.”

Carregue na galeria para ver mais imagens da nova padaria francesa da capital e das delícias que pode provar por lá.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Carlos Alberto da Mota Pinto 9
    1250-252 Lisboa
  • HORÁRIO
  • 7h30 às 20h (segunda a sexta)
  • 8 às 19h (sábado e domingo)
PREÇO MÉDIO
Menos de 10€
TIPO DE COMIDA
Padaria, Francesa

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