Carlos Santos deixou a engenharia com uma missão bem definida: dar a conhecer a Munique o melhor doce português. O lisboeta de 32 anos vive há cinco anos na cidade alemã e, se havia algo de que sentia falta, era do “belo do pastel de nata”. Decidiu que estava na hora de colmatar a lacuna e, em outubro, conseguiu finalmente abrir a Lisboa e Nata numa das artérias mais movimentadas da cidade.
O engenheiro mecânico deixou a capital portuguesa há 10 anos. Viveu em Itália, na Bélgica, no Reino Unido e agora instalou-se na Alemanha. Embora o clima, a comida e o ambiente sejam diferentes, aquilo de que mais sentia falta eram os pastéis de nata. Para tentar resolver o problema encontrou uma receita e tentou replicá-la. Com a precisão e método de engenheiro, começou a testá-la com diferentes ingredientes para chegar à textura e ao sabor que considerava ideais. Após dois anos a tentar recriar os pastéis de nata, conseguiu.
O resultado levou-o a despedir-se do emprego na engenharia aeroespacial para tentar criar uma fábrica de pastéis de nata. Faltava, depois, encontrar o local certo. Sabia que precisava de um espaço central, com área suficiente para instalar uma fábrica que funcionasse também como pequeno café.
Depois de encontrar o espaço ideal, em julho, viajou para Portugal para garantir alguns detalhes portugueses para a loja. De Sintra trouxe os azulejos da Viúva Lamego que decoram agora o balcão e estão também disponíveis para venda na Lisboa e Nata. De Olhão levou todas as cerâmicas utilizadas no espaço.
As obras foram feitas por Carlos, que começou o projeto a solo e agora conta com quatro trabalhadores. Ali, o grande foco é o pastel de nata, que o proprietário admite estar a meio caminho “entre os pastéis de Belém e os da Manteigaria”, dois exemplares que, garante, representam a capital portuguesa atualmente. “Falei com vários pasteleiros lisboetas e fui testando e testando até chegar a uma massa fina e estaladiça e um creme aveludado. Acho que há sempre espaço para melhorar, mas para já tem corrido melhor do que o esperado”, afirma.

Por dia, a pequena fábrica faz entre 10 a 20 fornadas de pastéis de nata, servidos ainda quentes aos clientes. A procura foi logo muito superior ao esperado e, na segunda semana após a abertura, tiveram de funcionar apenas de manhã para garantir que conseguiam responder com qualidade.
Cada doce custa 3,40€, mas pode ser comprado em dose dupla por 6,50€ ou em packs de seis por 18€. As natas podem ser saboreadas num dos oito lugares do espaço ou pelas ruas de Munique.
Em breve, Carlos quer levar os seus doces a concursos nacionais para continuar a melhorar a receita. “Mais importante do que os ingredientes, é a metodologia, as técnicas que utilizamos e todo o processo que nos faz chegar ao produto final. O objetivo é sempre manter a qualidade máxima”, explica.
Além dos pastéis de nata, podem ainda comprar os azulejos da Viúva Lamego por 28€ e as cerâmicas da algarvia Cubista. Uma caneca, por exemplo, custa 26€. Os produtos estão disponíveis de terça a sábado entre as 10 e as 18h30, no horário em que a Lisboa e Nata está aberta, no número 15 da Hohenzollernstraße.

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