O nome apareceu primeiro, a loja veio depois. Caulã nasceu da junção das palavras cacau e avelã — os dois ingredientes que Sara Bettencourt, de 34 anos, pensou combinar para criar uma manteiga vegetal. Elaborou a receita, fez os testes, analisou a tabela nutricional. Afinal, a enfermeira não queria apenas produzir uma alternativa. “Precisava perceber se, de facto, seria boa nutricionalmente ou não”, diz-nos.
O processo, porém, não chegou ao fim. E o espaço do número 9A da Praceta de Mansabá, na Amora, foi um dos responsáveis. Quando Sara tentava criar uma pasta semelhante à Nutella, “mas bem mais saudável”, surgiu a oportunidade de abrir o negócio. Com o nome pensado e a marca registada, estava tudo pronto para avançar. O conceito só poderia ser um.
“Sou enfermeira desde 2011 e super apaixonada pelo universo do bem-estar e da saúde. Trabalhei lá fora, cá dentro, nas mais diversas áreas e hospitais, pois sou uma daquelas profissionais que gosta de aprender tudo e mais alguma coisa. Mas em 2020, tudo mudou: um teste positivo de gravidez. E logo a seguir, uma pandemia. Foram praticamente dois anos de clausura, que me levaram a refletir sobre muitas coisas”, começa por contar.
Decidiu mudar de vida. No fundo, sentia-se frustrada profissionalmente e, por ver a área da saúde ser cada vez mis transformada num negócio. “Isto para mim claramente não funciona, defeito ou não, sou muito fiel aos meus princípios. Podem dizer que é teimosia, não me importo”, acrescenta.
Em 2021, numa conversa com amigas, conheceu uma escola que oferecia cursos de coaching e outros direcionados para um estilo de vida saudável e sustentável. “Inscrevi-me, mal eu sabia que era mesmo isto que ia mudar a minha vida por completo”, acrescenta. Formou-se, então, em agente de transformação em saúde integral, coach em saúde e chef de cozinha vegan. Daí a abrir o Caulã, a 18 de março, foi um passo.
Numa praceta que fora, em tempos, “muito rica”, “com tudo e mais alguma coisa”, mas que se tornara muito pobre, fazia sentido para a empreendedora instalar-se ali. Quem entra na loja encontra, agora, legumes e frutas — “tudo produtos biológicos, claro” —, tabletes de chocolates, óleo e leite de coco, sumos e bebidas vegetais. O pão, esse, é feito à maneira antiga, com fermentação natural, mas só por encomenda.
Ainda assim, é em busca de produtos a granel que muitos chegam à Caulã. Há leguminosas, sementes, frutos secos, granolas, bolachas, chás, especiarias, temperos e massas sem glúten.
Numa zona onde é pouco comum encontrar esta forma de comercialização dos produtos, alguns visitantes podem estranhar. O processo, porém, não podia ser mais simples. Basta entrar, passar pelo expositor cheio de frascos reutilizáveis e devidamente higienizados, e tirar um (ou mais). Depois, só tem de escolher o que quer levar para casa. “Quando terminar o produto, basta levar o mesmo frasco na próxima visita à loja e colocar aquilo que quiser. Mais prático que isto, acho que não existe”, afirma a empreendedora.
Caso não queria utilizar os frascos, Sara também disponibiliza sacos de papel. “As pessoas servem a quantidade que querem, e vou pesando para terem uma melhor noção, mas só intervenho no processo se precisarem de ajuda”, explica.
E sobre a manteiga de cacau e avelã biológicos, adocicada somente com tâmaras de Medjool igualmente biológicas? Em breve, também ela estará disponível no espaço. “Só faltam mesmo os últimos detalhes burocráticos”, assegura.
Porém, na Caulã não encontrará apenas produtos à venda. Ali também pode ter sessões de coaching de saúde, conduzidas pela enfermeira. “Acaba por estar tudo ligado, de alguma forma”, conclui a fundadora do projeto, que considera esta combinação de vertentes “uma mais-valia”.
E pode pôr de lado a ideia de que os produtos biológicos são muito caros. Sara garante que os produtos têm a maior qualidade possível, mas a Caulã quebra precisamente esse estigma de que nem vale a pena entrar num espaço como este devido aos preços.
Carregue na galeria para ficar a conhecer melhor esta nova mercearia da Margem Sul, que junta o moderno e o ancestral.








