Cafés e Bares

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Defensores da Ginjinha Sem Rival protestam contra encerramento da loja

Após mais de 100 anos, a existência do espaço histórico está a ser ameaçada. O edifício foi vendido para dar lugar a um hotel.

A ameaça de despejo da loja Ginjinha Sem Rival, situada na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, gerou um protesto com várias pessoas à entrada do estabelecimento. A concentração aconteceu este sábado, 5 de julho, contra a vontade do atual proprietário de transformar o espaço histórico num hotel. 

A manifestação surge em defesa de “uma  loja genuína e nossa, mas que pode deixar de o ser muito em breve”, segundo o Fórum Cidadania Lx, a entidade responsável por convocar as dezenas de participantes que ali se reuniram.

Desde 1899 que a loja Ginjinha Sem Rival tem sido ponto de encontro de turistas e lisboetas que querem provar o famoso licor de ginja. Atualmente na quarta geração, o negócio viu o edifício onde está instalado ser vendido e o atual proprietário não tem intenções de manter o estabelecimento. 

“Recebemos há uns meses uma carta do novo senhorio a dizer que se opõe à renovação automática do contrato. Tentamos de todas as maneiras chegar a um acordo, mas o senhor tem uma atitude irreversível”, contou Nuno Gonçalves, gerente da Ginjinha Sem Rival, à SIC Notícias.

No mesmo edifício onde está situada a loja vai nascer um hotel de cinco estrelas. A notícia foi avançada pela empresa que detém o espaço, a Europe Hotel Internacional (EHI), que pretende “valorizar a identidade cultural do local, respeitando a sua ligação histórica à cidade”.

O dono deste negócio familiar não se conforma com o encerramento e admite que está disposto a lutar, nem que isso envolva os tribunais. “Um ataque às lojas com história e à cultura”, desabafou Nuno Gonçalves, em declarações ao “Correio da Manhã”

O jornal adiantou que o contrato de arrendamento estaria a terminar e a inexistência de uma lei que projeta o comércio histórico é motivo de preocupação. O gerente do estabelecimento revelou ainda que a Câmara Municipal de Lisboa está a par da situação e que o prometeu ajudar.

Considerada uma Loja com História, o espaço foi fundado no final do século XIX pelo avô dos atuais proprietários e ainda mantém a sua traça original. Um dos destaques é o licor Eduardino, em homenagem ao palhaço que costumava atuar ao lado do Coliseu, e que era um cliente habitual.

“Eduardo compôs num rasgo alegre de inspiração uma bebida com a esperada ginja mas também com anis e outros cheirinhos. A composição agradou tanto que pegou, em pouco tempo apareceu engarrafada e rotulada”, lê-se na página Lojas com História.

O estabelecimento é uma das três casas de ginjinha que ainda se mantêm abertas no coração de Lisboa. A Espinheira, no Largo de São Domingos, e a Rubi, na Praça da Figueira, são as outras duas.

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