Cafés e Bares

É oficial: já abriu a nova Pastelaria Suíça com “preços para portugueses”

O espaço abriu esta segunda-feira e, embora seja mais pequeno, tem uma grande esplanada. Na carta também há novidades.
O espaço reabriu esta segunda-feira.

A 31 de agosto de 2018, Lisboa e os lisboetas diziam adeus à icónica Pastelaria Suíça. Quase seis anos depois, a famosa casa reabre. Às 12 horas desta segunda-feira, 22 de abril, abriram-se novamente as portas de uma das marcas mais emblemáticas casas da capital, fundada em 1922.

Na impossibilidade de reabrir na mesma morada, foi escolhida uma a poucos metros, também na Praça da Figueira. “Quando fizemos o anúncio que íamos voltar, isso por si só causou logo um grande rebuliço. Havia pessoas que vinham cá todas as manhãs. Passavam, espreitavam, e perguntavam-nos se já podíamos dizer quando íamos voltar. Criou-se quase uma ansiedade, que era bastante positiva, mas à qual tínhamos de dar resposta o mais depressa possível”, conta à NiT Duarte Castelo-Branco, diretor de marketing da Primefood, o grupo português responsável pela revitalização da marca.

“A meta principal [para a abertura] era o início do ano, mas devido a muitas burocracias e licenças foi impossível. Estabelecemos abril como limite máximo para a nossa inauguração. Este é um mês muito especial para todos os portugueses, por motivos óbvios, e achámos que fazia todo o sentido. A escolha desta segunda-feira foi mesmo por acharmos que estava tudo pronto e em condições, desde as equipas ao espaço.”

Embora durante estes dias iniciais o local ainda esteja a funcionar em soft opening, irá estar de portas abertas todos os dias da semana, das oito às 23 horas. “Quem for ter connosco já vai ter toda a oferta disponível. Os seis icónicos produtos da pastelaria antiga, o Duchesse (1,95€), o Russo (1,90€), o Esquimó (1,90€), o Babá (2,10€), a Tíbia (1,90€) e o Jesuíta (1,90€) já podem ser provados novamente.”

Os preços foram pensados “para os portugueses”. “Queríamos garantir o que considerávamos ser um preço justo para os produtos icónicos e tradicionais, mas com uma janela para a realidade dos portugueses”, explica à NiT Por exemplo, um café custa 0,90€ e os famosos batidos tradicionais de baunilha, morango ou chocolate custam 4,10€.

Segundo Duarte Castelo-Branco, os primeiros elogios já começaram a cair. “O Esquimó é exatamente igual ao que eu me lembrava e não é só por fora. A apresentação é a mesma, mas voltar a come-lo é como voltar uns anos atrás”, comentou um dos primeiros clientes da nova casa.

Com tantos anos de história, é normal que falte no elenco um ou outro doce. “Ao longo do ano vão surgir mais novidades, vamos recuperar outros clássicos”, explica. Como a inovação anda lado a lado com a tradição neste projeto, a marca decidiu ainda incluir pastelaria fina com os éclaires ou os croissants franceses.

Na impossibilidade de encontrarem as receitas originais, a empresa procurou torná-las o mais fiéis possível. “Fizemos um estudo aprofundado para conseguir recuperar de forma exaustivas as receitas originais e o nosso chef teve ainda a oportunidade de consultar antigas equipas da casa antiga”, explica o diretor de marketing.

O fabrico é próprio, embora os doces não sejam feitos no local, mas sim numa fábrica central. “A génese foi pensada com foco na reabertura da Suíça, porque sabíamos que íamos trabalhar com o tipo de pastelaria que precisa de equipamentos específicos.”

O novo espaço é mais pequeno do que o anterior, mas para compensar tem uma esplanada ampla. E é aí que é feita uma homenagem a uma das profissões mais antigas e icónicas do País: os engraxadores. “Temos uma estátua, o Senhor Vasco [como foi batizado], sentado no seu banco pronto para engraxar os sapatos dos fregueses. Além de uma homenagem a esta profissão que está praticamente extinta em Lisboa, queremos recuperar todos os valores que ela representa e que revemos na Suíça, como o aspeto do trabalho, dedicação, seriedade e família.”

Atravessando a esplanada e passando finalmente a soleira da porta, a primeira coisa que vai ver são as fotografias da antiga Lisboa dos anos 60 e 70. E, mais ao lado, há algo ainda mais especial: um quadro com uma imagem da antiga pastelaria. “Fomos ao arquivo nacional para consegui-la, mas era realmente importante, porque queremos mostrar que respeitámos o passado desta pastelaria histórica e que vamos escrever o futuro sem esquecer de onde veio. É um projeto que estamos a fazer com muita humildade por reconhecer tanto a história como o peso da marca.”

A restante decoração remete também para esta visão de ligar o passado ao futuro. “[Apostamos] muito nos tons de verde escuros e dourados. Queremos manter a componente clássica e o requinte, mas também o espírito da inovação.”

Há ainda mais dois painéis de grandes dimensões que homenageiam a azulejaria portuguesa da Viúva Lamego pintados à mão. Depois, e porque os olhos também comem, a marca aproveitou para incluir uma generosa montra que ocupa quase toda a área da loja. “O objetivo é privilegiar os próprios produtos, porque muitos também contam a história da emblemática pastelaria”, refere.

O encerramento do espaço original ocorreu a 31 de agosto de 2018, após a venda de todo o quarteirão onde estava inserido ao fundo espanhol Mabel Capital, em que um dos investidores é o tenista Rafael Nadal. Aquela zona foi adquirida por 62 milhões de euros, cerca de cinco mil euros por metro quadrado.

Após vários anos de especulação, foi revelado no final de fevereiro deste ano que o edifício da Suíça será usado para a construção de uma nova loja da Zara, projetada para ser uma das maiores do mundo. Leia o artigo da NiT para conhecer melhor este projeto.

Carregue na galeria para descobrir alguns dos bolos icónicos da Pastelaria Suíça que voltaram.

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