Durante um ano, viveu na Irlanda, antes disso, trabalhou em jornalismo político, no Brasil e, mais tarde, em design na área tecnológica, já no nosso País, durante cinco anos. No entanto, foi em Portugal, onde vive desde 2019, que a brasileira Alessandra Modzeleski decidiu abrandar o ritmo. Tanto, que deixou para trás esses setores de atividade e decidiu abrir um café.
O Fermata abriu na Estrada de Benfica, em Lisboa, a 23 de dezembro de 2025. Caracteriza-se como um café de especialidade e garante que se está a transformar num dos novos pontos de encontro do bairro. “Tem sido muito orgânico, as pessoas começaram a vir, a ficar, e hoje já é um espaço de encontro de várias gerações”, conta à NiT.
A mudança começou a ganhar forma quando percebeu que já não estava satisfeita com o ritmo de trabalho. “Estava numa fase de reflexão. Tinha cada vez mais responsabilidade e sentia que precisava de abrandar”, explica Alessandra, de 32 anos.
A ideia de abrir um café não era nova, já existia há algum tempo, pensada em conjunto com o marido. O momento certo surgiu quando se mudaram para São Domingos de Benfica e perceberam uma lacuna clara na zona. “Não havia um café de especialidade aqui. Erámos sempre obrigados a ir até ao centro de Lisboa. Faltava um espaço deste género”, conta.

Foi aí que começou a procurar um espaço, missão que demorou alguns meses. Quando encontrou o sítio certo, investiu em formação e mergulhou no mundo do café. “Tirei cursos de barista e comecei praticamente sozinha. No início era tudo mais difícil, mas hoje já temos equipa.”
O nome não é por acaso. “Fermata, em italiano, significa paragem. Na música, é uma pausa na pauta. Queremos ser isso: um lugar para parar”, explica. E parece estar a resultar. Em poucos meses, o café tornou-se um verdadeiro ponto de encontro no bairro.
“Tem sido muito bonito. Temos pessoas mais velhas que nunca tinham provado café de especialidade e agora vêm todos os dias, e também muitos jovens e famílias. Criou-se uma comunidade”, conta, orgulhosa.
A proposta passa por qualidade e origem. Ali, tudo é pensado ao detalhe: o pão vem da Massa Mãe, em Benfica; os croissants são da pastelaria Beco; e os bolos são feitos pela própria Alessandra. “Não queremos vender nada que não conheçamos bem”.
No café, trabalham com vários fornecedores (como Olisipo, Filtrô ou Caseta) numa lógica quase de laboratório. “As pessoas já perguntam de onde vem o café. Isso é incrível.”
No menu, há opções simples mas bem executadas. O espresso custa 1,30€, o cappuccino 3,50€ e o latte 3,90€. Entre as sugestões mais pedidas está o “Melt Fermata” (4,20€), um pão sourdough com três queijos derretidos e fiambre, finalizado com orégãos e parmesão.
As tostas também são destaque: há a de queijo (3,90€), a de queijo de cabra com tomate (6,30€) e a de salmão fumado (8,50€). Para quem prefere algo mais leve, há iogurte com granola (3,90€) ou torradas sourdough (1,90€).
Outro dos favoritos é o pão de queijo caseiro (3,30€), feito com queijo da Ilha e goiabada. “É uma receita minha. Queríamos trazer também um bocadinho do Brasil.”
Além do café, o espaço quer ir mais longe. No dia 18 de abril, recebem um evento especial com pizzas de massa mãe e vinhos naturais, uma espécie de celebração da primavera. A ideia é continuar a criar momentos. “Queremos que isto seja mais do que um café. Um espaço de bairro, mas também cultural.”
Num bairro onde tudo parecia andar depressa, o Fermata veio lembrar que às vezes o melhor é mesmo fazer uma pausa.
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