cafés e bares

Fomos ao novo Museu Erótico de Lisboa partir corações e lamber leite creme da taça

No MEL não há talheres para provar os vários pratos e petiscos. O objetivo é que os clientes descubram uma forma original de comer cada refeição.
É o mais recente espaço do Cais do Sodré.

Escusa de pedir talheres no MEL, o novo Museu Erótico de Lisboa que abriu no Cais do Sodré este mês de novembro. Por aqui, os empregados querem que sejam os clientes a descobrir a melhor forma de provar pratos e petiscos com alguns ingredientes afrodisíacos.

“Quisemos brincar com o quente e o frio, texturas e a maneira como as pessoas experimentam. É sempre uma descoberta e não existe uma maneira certa de o fazer”, explica à NiT David Joudar, 31 anos, o chef responsável pelo projeto.

O MEL é o novo espaço provocador de Lisboa. Pertence à MainSide, a mesma empresa responsável pela Pensão Amor — que fica não muito longe dali e está neste momento em obras. Logo à entrada do Museu começa a interação com os clientes, numa espécie de pré-eliminares da experiência que está prestes a arrancar. 

Da parte de fora, na Rua de São Paulo, só a zona de loja é que está visível. É por aqui que os clientes entram e são recebidos por Otávio, uma personagem que quebra o gelo. Quando visitámos o MEL não o encontrámos, mas ainda assim pudemos fazer o que aqui é suposto: partir uma pequena escultura de gesso que tem uma uma mensagem no interior.

Partimos um coração, referente ao desejo, a primeira das fases que identificam no amor. É numa prensa que os clientes são convidados a destruir a peça que acabam de comprar (2,50€). A que escolhemos tinha no interior um pequeno papel alaranjado onde se lia: “Sabe-se lá um beijo de onde vem”.

Cada uma das fases, como a excitação, a motivação ou o orgasmo, tem um objeto de gesso distinto: maçã, pistola, coelhinha da Playboy ou um pénis. “As pessoas escolhem a fase com que se identificam e retiram para si o significado que cada mensagem possa ter”, explica David Joudar.

Claro que não é obrigado partir as escultura criadas por João Cruz Malheiro. Podemos simplesmente levá-la como recordação. Até porque, depois desta experiência, há muitas mais aventuras para descobrir no interior. Passamos as cortinas de veludo e, aí sim, entramos no MEL propriamente dito.

“As obras de arte foram pintadas nas paredes pelo artista plástico Diogo Muñoz e inspiradas nas fotografias arriscadas de Jeff Koons e Cicciolina. Os murais remetem para um ambiente mais pop, algo mais anos 90 do que a Pensão Amor”, conta Joana Gomes, da MainSide.

O pé direito alto permite que estas obras se prolonguem por alguns metros. E há ainda espaço para que sejam colocadas duas cadeiras suspensas. É precisamente nelas que acontecem os espetáculos surpresa. “Pode ser burlesco, danças eróticas, ao fim de semana ou até durante a semana, nunca se saberá”, continua David Joudar.

Existem duas zonas com mesas e bancos corridos para se sentar. Lá mais ao fundo está a zona de bar. No piso de cima existe uma sala secreta para grupos com um máximo de 16 pessoas. Optámos por ficar pela primeira área enquanto o chef nos apresentou algumas das propostas que fazem parte do menu.

“Fizemos uma pesquisa para saber que ingredientes são mais identificados como afrodisíacos. Temos muitos picantes, como gengibre e malagueta, mas também especiarias ou outras surpresas.” Cada prato conta uma história e nenhum é apresentado de forma igual.

Começámos por umas tiras de choco frito com chocolate e malagueta (7,50€). Pode parecer estranho, mas a verdade é que resulta lindamente em termos de sabor. Provámos ainda as croquetas de rabo de boi com mostarda e mel (9,50€). Chegam num prato redondo com um pano de veludo por baixo. Mais tarde vieram umas ostras com espuma de yuzu, um cítrico asiático (4€). São servidas numa caixa de joias com um colar de pérolas e tudo. Tudo isto para comermos com as mãos. 

Na parte da sobremesa, o chef apresentou-nos o brownie com chocolate, malagueta e flor de sal (4€). Houve ainda espaço para o prato mais desafiante: o leite creme com foie gras. E, neste caso, também não há colheres para ninguém. O desafio é descobrir como é que o pode provar.

“Há quem lamba a taça de cima para baixo; ou quem vá tirando com os dedos”, diz-nos o chef, quando percebe a atrapalhação que reinava na mesa. 

Esta sobremesa teve direito a uma taça especial criada pela marca portuguesa Bipolar. “Pedi-lhes que fizessem uma taça de fosse para lamber”. E assim foi. O prato aparentemente normal vai-se transformando nas formas de uma vulva à medida que vamos lambendo o doce. “Há quem diga que já viu a Nossa Senhora”.

A cozinha do MEL funciona até à meia-noite. A partir daí só podem ser pedidos cocktails, que estão disponíveis durante toda a noite. Cada versão também é apresentada num copo distinto. Aqui não há grande ciência: só precisa de beber pelo copo.

Tem, por exemplo, o Bluble Bath (10€), que chega com uma espuma que parece saída de um banho de imersão. É preparado com gin, sumo de maçã, soja e gelo. O Levander Daiquiri (9€) é outra das sugestões. Junta rum, leite de coco, lima, sumo de ananás, lima e espuma de lavanda.

Se ficou com vontade de experimentar estas sugestões, carregue na galeria para conhecer melhor este MEL.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de São Paulo, 18
    1200-428 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Todos os dias das 19h às 3h; quintas, sextas e sábados até as 4h
PREÇO MÉDIO
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