Vinda da China, Sia Fung cresceu num universo de café muito distinto daquele que encontrou em Portugal e na Europa. “Lá, não procuram tanto o tradicional. Raramente pedem um espresso. É preciso oferecer mais variedade, algo mais internacional”, explica à NiT.
A ausência dessa diversidade levou-a a criar o seu próprio espaço. Em março de 2025, inaugurou o MAS, na Avenida Duque de Ávila, em Lisboa. O objetivo passava por mostrar que o café pode ser muito mais do que a versão mais conservadora e à qual estamos habituados. Que é possível apostar em combinações ousadas e receitas criativas.
É esse o foco da carta. Os cafés com combinações mais criativas variam entre os 5€ e os 8€ e combinam diferentes grãos de café de especialidade com chá, leite, fruta ou outros ingredientes improváveis. A ideia é explorar novos perfis de sabor, desde o mais achocolatado ao que remete para frutos secos.
Os cafés disponíveis têm diversas origens e os lotes estão sempre indicados num quadro de cortiça afixado junto ao balcão. A combinação mais comum junta 70 por cento de café brasileiro e 30 por cento de grão de Myanmar, sob a marca portuguesa Olisipo, embora também trabalhem com marcas como a DAK.
“Neste momento, oferecemos uma experiência de alperce, porque é uma das frutas desta estação”, revela Sia. Durante o verão, apostou numa versão com ananás cristalizado. Uma das sugestões mais procuradas é o cold brew de Burundi com chá-verde de jasmim e sumo de pepino.
A inspiração de Sia vem, em parte, do namorado Sam Chan, barista profissional, que a incentivou a abrir o negócio após a sua segunda passagem por Portugal. Natural de Guangdong, mudou-se para Lisboa há cerca de cinco anos para estudar gestão de marketing. Regressou temporariamente à China durante a pandemia, mas voltou para concluir o curso, plano que acabou por suspender para se dedicar ao MAS.
Para quem prefere opções mais tradicionais, também há espressos e macchiatos, que podem ser servidos a par de outras bebidas. Uma das propostas mais completas é o combinado que inclui um café criativo, um espresso ou americano e um flat white, por 5,50€.
“A ideia vem das competições profissionais onde os baristas servem sempre três tipos de café: um preto, um branco e um criativo. Chamamos a isso de combo. É o que pretendemos oferecer”, explica.

Há também sugestões de brunch até duas horas antes do fecho. Entre as tostas, servidas em pão brioche ou de massa-mãe, encontra a de fiambre, queijo brie, maçã e nozes (6,80€); a de ovos mexidos com cogumelos (6€); a de salmão fumado, rúcula e ovos benedict (14€); ou a de porco desfiado com ovos benedict (13€).
A carta inclui ainda opções doces. A french toast recheada com leite condensado (8,50€) é uma das mais pedidas e segue a tradição de locais como Hong Kong ou Macau. Existem também versões com Biscoff ou chocolate Ovomaltine, todas pelo mesmo preço.
As panquecas começam nos 6€ e há ainda sobremesas como o tiramisù (5€), a tarte basca (4,60€) e o cheesecake de mirtilo (4,60€) ou de matcha (5€).
O espaço foi desenhado por Sia, que manteve a parede de tijolo original e apostou em tons quentes, bancos coloridos, mesas de madeira e prints gráficos. Há lugares no interior, com capacidade para cerca de 20 pessoas e uma esplanada com mais 10 lugares.
Por agora, o barista do espaço vai regressar à China para reforçar a formação, mas voltará. E há planos para trabalhar com agricultores colombianos, de modo a continuar a evoluir a oferta de novos cafés e sabores.
Carregue na galeria para ver mais imagens do espaço.

LET'S ROCK






