Cafés e Bares

Insólito: lata de atum português encontrada em caixa de ração de combate russa

A conserva tinha como destino final a cidade ucraniana de Lviv. Ninguém sabe como acabou como mantimento do exército russo.
A marca não sabia como a conserva tinha ido lá parar.

O insólito achado foi descoberto por acaso por um jornalista português. No passado domingo, 8 de maio,  Filipe Caetano, profissional da “CNN Portugal”, partilhou no Twitter uma imagem de uma caixa de ração de combate russa. Lá dentro, entre os vários mantimentos, estava uma lata de atum em conserva da marca portuguesa Bom Petisco. A descoberta rapidamente ficou envolta em mistério, visto que a empresa produtora não vende produtos à Rússia.

“A Cofaco, dona da marca Bom Petisco, não exporta para a Rússia, não se encontra habilitada a exportar para a Rússia, nem possui conhecimento de que qualquer cliente seu, português ou estrangeiro, que o faça”, assegurou uma fonte da empresa, citada pelo “Observador”. “Não temos, por isso, como explicar a presença do produto da Bom Petisco entre os mantimentos do exército russo, sendo que temos todo o interesse em fazê-lo”, acrescenta.

Para tentarem encontrar uma resposta, a Cofaco pediu à “CNN” para identificar o lote da conserva, o que permitiria fazerem o “rastreio da lata desde a origem até à saída da empresa.” 

Depois de o fazerem, encontraram a resposta. Na verdade, aquela lata de atum Bom Petisco tinha sido enviada para s Ucrânia, num lote com cerca de 24 mil conservas. Foi, portanto, um donativo ao país que está a ser atacado pela Rússia desde 24 de fevereiro. “Após analisadas as fotografias enviadas pela TVI/CNN, conseguimos visualizar o número do lote da referida lata de conserva e assim constatar que a mesma integrou o conjunto de latas objeto da doação efetuada à Ucrânia”, explica a empresa.

O destino final da conserva seria a cidade ucraniana de Lviv e a Cofaco já tinha inclusive recebido “a confirmação da chegada da carga ao destino”, explicam. “O que de errado se passou — e algo de errado certamente se passou — ocorreu já em solo ucraniano, e em circunstâncias que são do nosso desconhecimento. A Associação dos Ucranianos em Portugal [que tinha enviado os mantimentos] já foi informada desta ocorrência.”

Os pacotes de ração dos exércitos são geralmente compostos por bens alimentares de fácil consumo, como enlatados e bolachas, mas têm sido um problema para ambos os países. Segundo o “Observador”, os soldados russos têm recebido menos mantimentos do que aqueles que necessitam, e o exército ucraniano tem ido para os confrontos levando produtos se encontram fora de validade.

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