Cafés e Bares

Já é possível comer massa de farinha de insetos nas cantinas do Politécnico de Lisboa

No próximo ano letivo esperam alargar a oferta a hambúrgueres produzidos a partir desta proteína animal e barras energéticas.
As opções apenas vão aumentar.

No final de junho de 2021 a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária aprovou o consumo de sete espécies de insetos e larvas. O conceito pode parecer bizarro a muitos, mas a verdade é que os snacks feitos com esta proteína que passaram a ser vendidas nos supermercados portugueses foram um sucesso — num mês venderam o que esperavam vender em três. As receitas com insetos chegaram agora às cantinas do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL).

O programa que pretende revolucionar as ementas dos refeitórios foi criado em colaboração com a Totalis, a empresa responsável pelas refeições no IPL, e a Portugal Bugs, que cria alimentos com este ingrediente.

A partir de 15 de junho os alunos do Politécnico ganharam mais uma opção de prato: massa em espirais de proteína de insetos produzida apenas com sêmola de trigo duro e farinha de larvas de Buffalo (Alphitobius diaperinus), conhecidas popularmente como larvas de besouro.

“Vamos estender esta oferta a outros politécnicos (Setúbal e Santarém) bem como a outras unidades escolares”, revela à NiT Daniel Saldanha, assessor de administração da Totalis. Porém, a inserção destes tipos de produtos não é económica. 250 gramas desta nova massa custam quase 4€. Para uma refeição que leva aproximadamente 100 gramas, fica por cerca de 1,60€ só em massa. Estas refeições continuam a ser vendidas por aproximadamente 2,75€, quer sejam com esta massa especial ou não.

Este não é, contudo, o único alimento invulgar que pode ser provado no Politécnico de Lisboa. Nas cafetarias das cantinas encontra-se à venda um snack com 70 por cento de cacau e sem adição de açúcares. Esta barra é polvilhada com larva-da-farinha e apresenta uma cobertura crocante e semelhante a amêndoas ou amendoins. Custa 1,50€.

A massa fusili é agora uma opção no IPL.

“Esta ação é representativa da visão do Politécnico de Lisboa, no contexto da prestação de serviços alimentares nas cantinas das instituições de ensino superior — a inovação constante e disponibilização de uma alimentação diversificada. Esta é apenas uma das muitas iniciativas que temos vindo a desenvolver no âmbito do nosso Programa de Alimentação Saudável e Sustentável”, garante Heitor Oliveira, responsável pelo Serviço de Alimentação do Politécnico de Lisboa, em comunicado.

Não planeiam parar por aqui. Em outubro querem disponibilizar um hambúrguer produzido apenas com vegetais e insetos, tornando-se assim no primeiro estabelecimento educacional a servir tal opção. Também é expectável “que outros alimentos (snacks, barras energéticas, etc.) passem a ser disponibilizados”, acrescenta Daniel Saldanha.

A entomofagia (prática de uso de insetos como fonte de alimento) ganha cada vez mais fãs e tem sido motivo de discussão nos últimos anos. Segundo um relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, o consumo de insetos é uma alternativa nutricional e saudável, sendo comparável a opções tradicionais como o frango, porco, vaca e até o peixe.

O consumo desta fonte alimentar tem um “elevado valor proteico, com todos os aminoácidos essenciais para nós”, revelaram Guilherme Pereira e Sara Martins, os fundadores da Portugal Bugs (que se juntou ao projeto) à NiT. Além disto, acrescentam que “segundo vários estudos, ajuda a combater a diabetes, a multiplicar as bactérias boas na flora intestinal e a facilitar a digestibilidade” das refeições.

“A ideia inicial foi tentar encontrar uma fonte alternativa de proteína que fosse mais sustentável que as convencionais. E os insetos gastam menos ração, menos água e permitem uma menor emissão de gases de efeito de estufa“, destacam ao falarem dos benefícios do consumo de insetos.

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