Cafés e Bares

Joyeux: a cadeia onde trabalham pessoas com problemas cognitivos já tem loja online

Já pode tomar um café inclusivo e solidário, no conforto da sua casa ou escritório. Os grãos são torrados e embalados em Portugal.
Já tem loja online.

A missão do Café Joyeux pode ser resumida em três palavras: alegria, inclusão e autenticidade. O conceito chegou a Lisboa em novembro de 2021, com uma abordagem diferente da maioria dos espaços de restauração. Os funcionários têm dificuldades intelectuais e do desenvolvimento, como trissomia 21 ou perturbações do espectro do autismo. 

Já com quatro espaços em Lisboa e Cascais, a cadeia abriu uma loja online esta terça-feira, 21 de maio. A partir de agora pode tomar um café solidário e inclusivo, de marca própria, torrado e embalado em Portugal, em qualquer lado.

“Ding-Dong: o nosso café solidário chegou a sua casa” é o mote da campanha que assinala a chegada do conceito ao digital. A oferta disponível online inclui café, chá, mas também outros artigos solidários e inclusivos, como chávenas, camisolas, cadernos, estojos ou mochilas. Todas as receitas irão reverter integralmente para a missão de empregar e formar jovens-adultos com dificuldades intelectuais e de desenvolvimento.

“Estamos muito felizes por termos os nossos produtos acessíveis a todos os residentes em Portugal, de norte a sul do País, para poderem contribuir, agora de forma mais cómoda, para formar cada vez mais jovens e trazer a diferença para o centro das nossas vidas e cidades”, refere Filipa Pinto Coelho, presidente da Associação VilacomVida e diretora-executiva da cadeia Joyeux no nosso País.

O Café Joyeux em Portugal

A ideia de criar um conceito do género — onde são contratadas na maioria pessoas com problemas cognitivos — já era antiga para Filipa Pinto Coelho. “Gostávamos de criar qualquer coisa muito ou praticamente igual à que o café Jouyex acabou por fazer. Para não reinventarmos a roda, e porque não há tempo a perder, convidámos a marca a vir para Portugal”, explicou em 2021 à NiT.

Em Santos, a associação VilacomVida já tinha desenvolvido um projeto de restauração inclusivo. “Aprendemos com a experiência que as coisas são mais simples do que o que podemos pensar.” Esteve aberto durante 18 meses, mas acabou por fechou em março de 2020. A experiência serviu para dar força ao que viria um ano e poucos meses mais tarde.

“Apresentei a ideia, a missão da associação e que gostávamos muito de importar o conceito [do Joyeux]. Consegui ter a oportunidade de apresentar esta ideia ao fundador da marca, Yann et Lydwine Bucaille, e as coisas aconteceram.”

Demoraram algum tempo até encontrarem o espaço ideal. Porém, o processo de montar todo o espaço foi muito mais rápido. Em apenas três semanas, as paredes do número 26 da Calçada da Estrela ganharam tons amarelos. O interior ficou com novas mesas e cadeiras; e o balcão e a área de cozinha — que fica no piso inferior — foram completamente renovados.

“Abrir este projeto significa mudar o olhar sobre a capacidade que existe nestas pessoas de conseguirem desempenhar uma profissão com qualidade e de poderem fazê-lo de forma apelativa para que os clientes venham mais, queiram ajudar e possam perceber que é possível fazer tudo. É possível trabalhar com qualidade, empregar estas pessoas também, dar-lhes um trabalho, e funcionar acima de tudo com uma equipa inclusiva.”

A equipa do Joyeux tinha, no início, nove pessoas com estas dificuldades — agora, o número mais do que duplicou. O staff divide-se em quatro áreas: cozinha, serviço de mesa, barista e caixa.

“Não queremos continuar com uma lógica do vamos lá ajudar os coitadinhos. Não tem nada a ver com isso. Queríamos um projeto que fosse apelativo e que, de facto, fosse bom ir até lá, porque se come bem, porque temos um bom ambiente, porque se ouve boa música, porque tem boa energia e porque estamos a contribuir para apoiar uma boa causa. Ao mesmo tempo, tudo isto nos transforma”, continua Filipa.

São Bento foi a primeira localização escolhida para conceito, que não ficou por ali. O segundo começou a funcionar, já em 2022, num edifício de uma empresa de seguros, também em Lisboa. Depois da abertura em Cascais, abriram, a 11 de setembro, um café-restaurante nas instalações da Cofidis, nas Torres de Lisboa. Em breve, o conceito chegará ao Supercor do El Corte Inglés de Lisboa.

Filipa acredita que o sucesso do Joyeux deverá abrir mentalidades e criar mais oportunidades no País. “Pode fazer com que os patrões queiram contratar pessoas com dificuldades intelectuais e de desenvolvimento, não apenas por uma obrigação, mas porque se sentem entusiasmados. Queremos desmistificar estes preconceitos.”

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