A música soa baixa, a luz é quente e o balcão convida mais a ficar do que a despachar. É um bar onde se entra para beber um copo, mas onde se acaba muitas vezes a conversar com quem está atrás do balcão. Abriu em Lisboa a 5 de dezembro e é ali que João Guerreiro e Isabel Sörenby decidiram criar um espaço próprio, pensado para receber quem gosta de cocktails feitos com calma e criatividade.
Aos 34 anos, João Guerreiro está confortável atrás do balcão desde os 18. A maior parte do percurso foi feito em hotéis, mas o contacto com bares de rua nunca desapareceu por completo. Passou pelo Copócone, no Bairro Alto, entretanto encerrado, mas essa experiência acabaria por reacender uma vontade antiga.
Quando o bar no Bairro Alto fechou, em março, percebeu que queria voltar à mixologia e aos cocktails de autor, confessa o treinador de futsal, cuja atividade paralela ainda mantém. Mas o próximo passo seria mesmo o Lusa, decisão que tomou em conjunto com a namorada sueca. Isabel nunca trabalhou na área, mas foi parte ativa na criação do projeto.
O casal viveu na Suécia, onde João trabalhou em bares e ganhou experiência internacional, antes de regressar a Lisboa com a ideia clara de criar um espaço menos formal e mais próximo do público. “É completamente diferente trabalhar em hotel do que trabalhar num bar de rua”, explica João Guerreiro à NiT.
O conceito do Lusa passa muito pela experiência. A música anda entre o hip-hop e o R&B dos anos 2000, sempre num volume baixo, pensado para que as conversas fluam. A luz é propositadamente baixa e quente.
“É um ambiente mais acolhedor, nada de grandes luzes, é uma luz mais baixa, mais aconchegada, ao estilo que eles também usam na Suécia”, recorda sobre a inspiração. A relação com quem entra é parte essencial do bar. “Tentamos sempre falar um bocado com os clientes, saber o que é que eles gostam, saber de onde é que eles são.”
E para beber? Há uma carta inicial com oito cocktails de assinatura, mas existem mais receitas guardadas, à espera de ajustes e feedback.
“Esse menu vai receber um bocado de mudanças já no próximo mês”, nota o fundador. Entre os mais pedidos estão o Off the Records (11€), com vodka, manjericão e maracujá; e o Billy (12€), feito com rum, framboesa e chocolate branco.

Na cerveja, a escolha foge ao óbvio. Não há Sagres nem Super Bock. Em vez disso, a proposta é uma lager artesanal da Dois Corvos, criada exclusivamente para o Lusa e ainda em fase de teste. Pelo meio encontra uma pequena carta de vinhos, com seis opções a copo, entre tinto, branco, rosé e espumante.
A comida foi pensada sempre como acompanhamento às bebidas, embora já exista uma estrela consagrada: os spring rolls caseiros (6€). A receita é da mãe de Isabel, de origem filipina, e é feita no próprio bar.
“É uma receita que ninguém tem. São, de longe, os mais pedidos. As pessoas pedem os spring rolls e já não querem provar outra coisa”, confessa.
Pode ainda provar nachos com guacamole (3,5€) e bruschettas com presunto, burrata, tomate e pesto (8€) ou a versão com queijo de cabral, mel e nozes (7€).
Visualmente, o Lusa bebe muito da experiência escandinava. A influência nota-se na ausência de luzes de teto fortes e na aposta em pontos de luz mais quentes. O verde escuro domina o espaço e ajuda a criar uma sensação de conforto e intimismo.
A ideia passa por crescer com calma, perceber o público e consolidar a identidade do bar. As festas ficam guardadas para o verão, quando as portas se abrirem e o espaço exterior puder ser usado sem medo do frio e da chuva.
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