Cafés e Bares
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Cafés e Bares

Madalenas pela manhã, vinho ao escurecer: é assim o novo café da Estrela

Um casal francês puxou das memórias de infância, encheu a montra de doces e criou um espaço para adultos e miúdos (com direito a babyccinos e tudo).

Numa das obras icónicas de Marcel Proust, o autor descreve como uma Madeleine embebida em chá serve de gatilho para memórias perdidas da infância e uma avalanche nostálgica. O pequeno bolo criado algures no século XVIII é, ainda hoje, uma estrela da pastelaria francesa e criador de memórias também para Clara Perrot e Nicolas Pignat, fundadores do novo café da Estrela, o Icónico, aberto desde setembro.

O café é um assunto “levado muito a sério”, aponta Clara, de 32 anos. “Lisboa está cheia de cafés minimalistas, cinzentões, pouco apelativo para crianças. Nós gostamos desses ambientes, mas queríamos fazer algo diferente.” O objetivo passava, assim, por criar algo que satisfizesse pais e miúdos na mesma medida, público que dizem abundar na zona da Estrela, entre bairros residenciais e escolas.

A francesa e o companheiro da mesma idade, decidiram então puxar das memórias das suas próprias infâncias para se inspirarem e darem à capital algo diferente. E nada melhor do que começar com as Madalenas, que ali são feitas e servidas em diversos sabores, num espaço que rompe com essa imagem que Clara guarda das muitas coffee shops da nova vaga na capital.

Por todo o lado há tons azuis, verdes e vermelhos, cores vibrantes, formas geométricas e linhas nem por isso menos elegantes. Tudo feito à mão por ambos – demolições e pinturas incluídas –, com as cores de que gostam mais. Com áreas pequenas, o Icónico tem apenas uma área sentada para cinco pessoas, mais uns tantos bancos altos junto a um pequeno balcão improvisado na parede.

No centro, junto à janela, o balcão. Atrás dele, a dupla prepara os cafés e as bebidas. Em cima, expõem os doces e pastelaria do dia, com Madalenas de diversos formatos e sabores, de baunilha a praliné e até uma versão com flor de laranjeira, com preços entre um e dois euros. Mas há mais: dependendo do dia, pode-se encontrar cheesecake basco, bolo de amêndoa, brownies e umas cookies de chocolate que já se tornaram num dos best sellers da casa.

O segredo? Menos açúcar. “Reduzimos sempre em cerca de 20 por cento o açúcar em todas as receitas. E acho que as pessoas gostam dele precisamente por isso, não é super doce. Tudo o que seja demasiado doce, oculta os sabores que queremos que brilhem.”

Clara e Nicolas são os anfitriões

Nem Clara nem Nicolas são chefs pasteleiros. Ela trabalhava em design de UX, ele era diretor de operações numa empresa de imobiliário. Acabaram por se deixar convencer pelos muitos amigos que já se tinham mudado para Portugal, fizeram as malas e estabeleceram-se por cá, onde começaram por criar um negócio de sanduíches. Mas era na pastelaria que se sentiam mais à vontade, não porque tenham tirado quaisquer formações, simplesmente porque “era o que fazíamos quando éramos miúdos”, na companhia de mães e avós.

De volta ao café: não querem levar as coisas demasiado a sério, mas querem estar “focados na qualidade” e, sobretudo, na consistência, um fator que “os muitos clientes regulares valorizam”. Vai daí, fizeram uma parceria com a Flor da Selva e servem um café da Etiópia, que pode ser bebido simples ou nas mais diversas versões entre espressos (1,5€), cappuccinos (3,5€) e flat whites (3,5€), ou receitas especiais como os lattes de caramelo salgado (4,5€), de Earl Grey (4,5€) e até de matcha (4,5€). E um trio de babyccinos para saciar os desejos dos miúdos que querem imitar os pais.

Bebidas que podem acompanhar, por exemplo, um brioche de pequeno-almoço (9€) com ovo e queijo Comté ou as baguetes, que chegam em formato mini, cada uma a 3€ e com recheio de compota e manteiga ou de chocolate negro e manteiga.

Esta história poderia ficar por aqui, não fosse o caso de o Icónico ser virado do avesso, uma noite por semana, e transformado no Ocinoci, um improvisado bar de vinhos no mesmo local. “Este bairro é muito pacato à noite e achámos que era uma boa oportunidade para animar a vizinhança, para os convocar para virem beber um copo”, explica Clara, que se assume como apaixonada por vinhos, embora longe de ser uma especialista. Também por isso optaram por uma seleção reduzida, três a quatro vinhos de que gostam e que costumam beber em casa.

A partir das 18h30, as portas reabrem, as rolhas saltam e os copos enchem-se. Mas não chegam sozinhos. Servem-se sempre a acompanhar tábuas de enchidos e queijos, naturalmente, todos eles franceses, e um ou outro petisco, como os ovos recheados com maionese e ovas de truta.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de Santo Amaro, 6B
    1200-801  Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a sexta, das 8h às 18h. Quinta das 18h30 às 22h. Sábado, das 10h às 16h. Fecha ao domingo.
PREÇO MÉDIO
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