“A minha mulher dizia-me sempre para parar de pensar demasiado. Esse sempre foi um problema meu. Um dia percebi que este tinha de ser o nome de um projeto.” Foi desta expressão, repetida vezes sem conta durante os meses de preparação, que nasceu o Don’t Overthink Cafe, a nova coffeeshop da Baixa de Lisboa que quer convencer os clientes a fazer precisamente isso: desligar da azáfama da cidade, enquanto se sentam à mesa a beber um bom café, acompanhado por pastelaria belga feita de raiz.
O espaço abriu portas a 22 de junho na Rua do Crucifixo e é o concretizar de um plano que Vic Jobé, de 35 anos, começou a desenhar ainda na Bélgica, de onde é natural. Mudou-se para Portugal há dois anos com um objetivo muito claro: abrir um café onde pudesse apresentar alguns dos sabores tradicionais do seu país, ao mesmo tempo que construía uma nova vida com a mulher e o filho.
O fundador já procurava há muito tempo por um destino diferente daquele onde sempre viveu. A escolha acabou por recair sobre Lisboa, tanto pelo ambiente cosmopolita como pela abertura das pessoas a novos conceitos gastronómicos. A ideia passava por criar um espaço onde os clientes encontrassem algo pouco comum na cidade, sobretudo ao nível da pastelaria belga.
Antes de se dedicar à restauração, Vic Jobé dividia os dias entre duas profissões. Trabalhou durante sete anos numa empresa francesa especializada em chá e, em paralelo, desenvolvia uma carreira como artista plástico, chegando a participar em exposições através de galerias. Com o tempo, percebeu que precisava de concentrar toda a energia num único projeto.
“Tinha duas profissões e percebi que era muito difícil conseguir fazer algo realmente bem quando estamos divididos entre vários projetos”, conta à NiT. “Aqui consigo juntar várias paixões. Posso usar a criatividade tanto na pastelaria como nas bebidas.”
Encontrar o espaço certo revelou-se uma das etapas mais complicadas. Durante cerca de um ano, procurou diariamente por lojas em Lisboa, mas ficava sempre surpreendido pelos preços elevados. Até que apareceu o atual espaço, em plena Baixa. “Não fui eu que escolhi este espaço. Foi o espaço que me escolheu a mim”, afirma. “Procurei todos os dias durante um ano. Quando encontrei este, percebi que tinha de aproveitar a oportunidade.”
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O conceito gira em torno da simplicidade. A ideia é que quem entra deixe as preocupações à porta e se permita experimentar novos sabores sem complicações. Para isso, a equipa faz questão de acompanhar cada cliente, explicando os produtos e ajudando na escolha. “O nosso barista e o nosso chef estão aqui para orientar os clientes e incentivá-los a experimentar coisas diferentes.”
Grande parte da carta é preparada na própria casa e desde a inauguração, há um produto que se destaca claramente entre os restantes: os waffles. “Quando as pessoas provam, ficam surpreendidas”, garante.
No menu encontra este doce acompanhado por húmus de beterraba, ovo escalfado, agrião, queijo feta e pickles caseiros (14€), salmão fumado, guacamole e pickles de rabanetes (16€), bacon, guacamole, ovo escalfado e molho hollandaise (16€), e uma proposta mais simples com topping de ovo mexido, bacon e queijo derretido (12€).
Se prefere pratos mais doces, os waffles também podem ser acompanhados por chocolate (6,50€) e cheesecake com compota de morango (12,50€). Já a versão simples custa 5€. A lista de pastelaria também inclui bolos (4,50€), madalenas (2€), e mais.
Visualmente, o Don’t Overthink Cafe combina linhas contemporâneas com elementos mais clássicos. A madeira cruza-se com o aço, criando “um ambiente minimalista, elegante e luminoso”. No interior existem 17 lugares sentados, enquanto as grandes janelas abertas para a rua aproximam o espaço da vida movimentada da Baixa. “Com as janelas abertas, quase sentimos que estamos na rua”, descreve Vic.
Além da pastelaria artesanal, o espaço aposta numa seleção cuidada de café de especialidade, recorrendo a torrefações internacionais para garantir diferentes perfis de sabor. “Trabalhamos com cafés torrados em cidades como Barcelona e Amesterdão”. O expresso custa 2,20€, o latte está disponível por 4,50€ e o americano com gelo, perfeito para o verão, custa (3,50€).
Nas primeiras semanas de funcionamento, a resposta do público tem correspondido às expectativas. Mais do que servir cafés e doces, Vic Jobé quer criar uma relação próxima com quem entra pela porta. “Queremos dar um acolhimento muito caloroso. Gostamos de falar com os clientes, perceber aquilo de que gostam e ouvir a opinião deles”, explica. “Fazemos questão de apresentar os produtos porque muito do que servimos é feito por nós. Preferimos apostar na qualidade e criar uma verdadeira ligação com quem nos visita.”
Carregue na galeria para conhecer o Don’t Overthink Cafe.








