Cafés e Bares

O Bendito Pão de Queijo já chegou a Lisboa. Veio com tapioca e café coado na hora

As saudades de Minas Gerais fizeram Maxwell Carvalho mudar de rumo. Em Portugal, trocou a gestão de lojas pela restauração.
É o paraíso do pão de queijo.

Muitos imigrantes ou deslocados tentam amenizar as saudades que sentem da sua terra natal com pratos tradicionais. A nostalgia de Maxwell Carvalho, natural de Belo Horizonte, no Brasil, também o levou a cozinhar os sabores da sua região. Mesmo não tendo a intenção de abrir um restaurante ou pastelaria, acabou por ouvir os amigos que provaram as receitas de pão de queijo e decidiu abrir o Bendito Pão de Queijo em Lisboa, no dia 1 de junho.

“Em 2022 decidi que precisava de viver uma aventura, de mudar de vida. Estava numa situação financeira confortável no Brasil, mas sentia quando ainda não tinha vivido tudo. Comecei a pensar em emigrar pela experiência de aprender coisas novas, de evoluir”, começa por contar à NiT o empreendedor de 42 anos.

Nunca tinha considerado Portugal, mas durante o processo acabou por desistir da ideia inicial de mudar-se para a “cidade dos sonhos”, Nova Iorque (EUA), e alargou os horizontes à Europa.

 “Surgiu a oportunidade de viver em Barcelona, onde podia fazer voluntariado num hostel. Trabalhava duas a três vezes por semana em troca de estadia. A aventura durou três meses, e depois decidiu mudar-se para Lisboa com as mesmas condições”, recorda. 

 Durante duas semanas aproveitou para explorar a capital, e apaixonou-se pela cultura, clima e gastronomia. Acabou por arranjar trabalho na restauração para conseguir a documentação necessária. “Seguiu-se a venda de seguros e investimentos e depois um cargo na minha área, como gestor de lojas”, explica.

Maxwell já estava habituado ao ritmo frenético imposto pela indústria da hositalidade. No Brasil tinha coordenado a gestão de 12 lojas da Samsung. Por isso, o novo desafio não o assustava. Contudo, havia algo que o incomodava — as saudades do pão de queijo. Como não consegua encontrar o “original” a que estava habituadi, decidiu recorrer à receita de família e até levava alguns para o trabalho.

“Este salgado tem um valor muito especial para os mineiros como eu. Recriar a receita não era nada de extraordinário. Era a forma de me sentir em casa desde que me mudei para o Rio de Janeiro, com 20 anos. Aqui em Portugal foi igual. Quando os meus colegas começaram a provar, insistiam para que fizesse mais e até vendesse. Nunca pensei nisto como um negócio, mas ao entrar numa pastelaria brasileira e ver o movimento, minhas dúvidas desapareceram”, adianta.

O empreendedor, homem de números, depressa calculou os preços de venda dos salgados e o lucro que poderia obter. Logo em seguida, agiu sem perder tempo. “Enviei logo uma mensagem aos meus amigos a dizer que ia vender pão de queijo”, revela. Em questão de minutos, já tinha um potencial investidor interessado no negócio. “O Roberto Cruz, agora meu sócio, morava em Salvador, mas estava prestes a viajar para Portugal no início do ano com a mulher. Quando chegou, provou as minhas receitas e soltou um ‘bendito pão de queijo’. Alinhou na hora.”

A ideia inicial do duo brasileiro era abrir um pequeno café focado no pão de queijo. No entanto, a entrada de um nordestino mudou o rumo do negócio. “Roberto sugeriu que adicionássemos tapiocas recheadas e cuscuz. Procuramos um chef da região brasileira conhecida por esses pratos e encontramos o Raimundo, que é da Bahia”, relata.

Com tudo organizado, conseguiram abrir o Bendito Pão de Queijo no início de março, mantendo-se em soft opening até 1 de junho. “Tínhamos muita coisa para limar, não logo abrimos em horário completo e precisávamos de perceber como era recebido”, justifica.

O local escolhido, na Praça do Chile, tem apenas 24 metros quadrados e foi decorado para parecer uma casa mineira. Contrataram uma empresa brasileira para obter o aspecto rústico, mas com um toque de fazenda. “O senhorio tinha-nos informado que uma das vigas, em madeira, era ainda original e, por isso, centenária. Fiquei encantado com o detalhe que acabou por combinar lindamente com o resto do ambiente.”

No pequeno espaço lisboeta, pode experimentar os conhecidos queijos tradicionais (2,70€), ou recheados com entrecosto de porco desfiado com molho de barbecue, bacon da casa e couve crispy (5,95€), com linguiça toscana, queijo raclette e geleia de pimenta (5,95€), ou como um mini hambúrguer, com queijo cheddar, tomate, rúcula e cebola caramelizada (5,95€). Também servem tostas com salmão (6,90€), abacate (5,90€) ou mista (3,90€).

Nas tapiocas há mais oito opções. As mais populares são as de doce de leite com banana e canela (5,90€) e a Nordestino (6,90€) com creme de mandioca, carne seca, queijo coalho e banana. Também há açaí (8,90€) com dois toppings do dia e café fresco servido à mesa.

Servimos café coado na hora, uma tradição quer no Nordeste quer em Minas Gerais. É um pequeno mimo para aqueles que estão longe de casa, como eu, e a emoção dos clientes ao provarem a bebida é evidente.

Além do café, há happy hour de cerveja diariamente: entre as 16 e as 19 horas, a imperial custa apenas 1€. E, como não podia faltar numa casa brasileira, há tempre caipirinhas (5,90€) a sair.

Carregue na galeria para ver mais imagens do espaço e do que pode provar por lá.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Praça do Chile 15 Loja A
    1000-098  Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a sexta-feira das 9h às 22h
  • Sábado das 10h às 22h
PREÇO MÉDIO
Menos de 10€
TIPO DE COMIDA
Brasileira

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