O cheiro a queimado ainda mal se tinha espalhado, quando Eduarda Meireles percebeu que alguma coisa estava errada no Matuta. Na manhã de sexta-feira, 22 de maio, a proprietária chegou um pouco antes da abertura ao pequeno café brasileiro, situado na Penha de França, e encontrou o espaço debaixo de fuligem. Dois incêndios acabariam por destruir grande parte do espaço que abriu há menos de um ano em Lisboa.
“Assim que coloquei a chave senti logo o cheiro a queimado. Quando abri a porta já não dava para ver nada lá dentro. Estava tudo preto, cheio de fuligem do teto ao chão”, conta à NiT. O primeiro foco de incêndio terá começado devido a um curto-circuito numa tomada, segundo os bombeiros. O fogo acabou por extinguir-se sozinho devido à falta de oxigénio no espaço reduzido da pastelaria.
No entanto, já tinha provocado alguns estragos. O computador da Matuta ficou incendiado e algumas prateleiras da sala acabaram queimadas. Na altura, Eduarda acreditou que o pior já tinha passado. Começou imediatamente a contactar eletricistas, fornecedores e clientes, até porque tinha um evento marcado para essa noite que acabou cancelado. Mas cerca de 20 minutos depois surgiu um segundo incêndio — novamente provocado por um curto-circuito.
“Da segunda vez foi muito pior”, recorda. “O fogo voltou e começou a consumir tudo muito rapidamente”. Segundo a proprietária, vários vizinhos ajudaram a combater as chamas enquanto os bombeiros regressavam ao local. “Muita gente da vizinhança ajudou-nos de todas as maneiras possíveis. Foi muito emocionante perceber a mobilização das pessoas”.
A cozinha acabou por escapar ao segundo incêndio, mas a sala da Matuta ficou praticamente destruída. Arderam máquinas de café, máquinas de imperial, batedeiras, balcões e vários equipamentos essenciais ao funcionamento diário do espaço — incluindo material e objetos que Eduarda tinha trazido do Brasil para decorar o café.
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“O fogo consumiu praticamente tudo o que estava na sala”, explica. “O seguro já foi acionado, mas existem muitos passos e processos que demoram tempo. E nós não podemos ficar parados à espera.”
Foi precisamente por isso que, logo nessa sexta-feira à noite, a equipa decidiu lançar uma campanha de angariação de fundos online para tentar salvar o espaço. O objetivo é arrecadar 16 mil euros — valor estimado para recuperar a cafetaria e substituir os equipamentos destruídos.
“Numa hora já tínhamos três mil euros”, conta Eduarda. “Recebi dezenas de mensagens de pessoas a perguntar como podiam ajudar.” Até ao momento, a campanha já ultrapassou os 12 mil euros.
Parte dessa mobilização surgiu também da própria comunidade da restauração lisboeta. Segundo Eduarda, vários amigos, donos de restaurantes, disponibilizaram cozinhas e ajuda logística. No sábado passado, a Penhasco Arte Cooperativa, na Penha de França, organizou mesmo um evento solidário para ajudar a Matuta.
“A NiT foi o primeiro artigo sobre a Matuta. Foi o primeiro grande empurrão que tivemos”, admite. “Nós nascemos dentro de casa e agora sentimos que temos de voltar a casa para nos conseguirmos reerguer”.
A Matuta abriu em julho de 2025 e rapidamente se tornou um dos spots brasileiros mais conhecidos da Penha de França, sobretudo pelos pães de queijo, bolos caseiros e ambiente inspirado nas casas tradicionais do interior do Brasil.
O projeto nasceu depois de Eduarda Meireles, natural de Patrocínio, em Minas Gerais, se mudar para Portugal em 2018 para estudar Marketing e, mais tarde, pastelaria na Escola de Turismo e Hotelaria de Lisboa.
Agora, o objetivo é tentar reabrir o mais rapidamente possível. “O nosso foco neste momento é voltar. Ainda estamos a tentar perceber como vamos reorganizar tudo, mas queremos muito que a Matuta continue.”
Carregue na galeria para conhecer o espaço antes do incêndio.








