Cafés e Bares

O maior segredo da cidade: neste café a bica custa 45 cêntimos há 24 anos

É um daqueles espaços que estão em vias de extinção no País inteiro. O ambiente é bairrista e popular, mas também tem pratos da moda.
Fica em Moscavide.

Lisboa tornou-se pequena para a quantidade de pessoas que querem lá viver. Quase ao mesmo ritmo, surgem negócios e novos conceitos quase todos os dias para tentar responder às exigências da geração Z, dos turistas e dos expatriados. Basta olharmos, por exemplo, para a quantidade de brunches que nascem mensalmente pela cidade.

Nos arredores, os pequenos negócios tentam replicar as modas que veem na cidade. Foi isso que aconteceu com o Rekint e Sabor, que mantém o ambiente tradicional enquanto serve cafés ao mesmo preço desde o século passado. Mas, pelo meio, acrescentou as famosas tostas de abacates ou lattes ao menu.

Parece paradoxal, mas este era um daqueles restaurantes em que facilmente veríamos Anthony Bourdain a comer uma tosta, à semelhança do que fez na Praça dos Poveiros, no Porto. A diferença é que este café fica num bairro com identidade própria, ali entalado entre Loures e Lisboa. Tal como a maioria dos espaços na zona, começou como um negócio de família, que acabou por ter de se reinventar à medida que passou de geração em geração. Até agora, em que está nas mãos de Cláudia Pinoia.

O Rekint e Sabor está aberto há 24 anos e nunca aumentou o preço da bica. Passou por guerras, inflações, crises económicas e uma pandemia — mas recusou-se a tocar na bebida favorita dos portugueses. A única alteração que o preçário sofreu nestes anos foi por causa da mudança da moeda. Antigamente, o café da Delta estava à venda por 80 escudos; a partir de 1 de janeiro de 2002, passou para 45 cêntimos.

Cláudia Pinoia tem 34 anos e passou a infância, adolescência e juventude dentro do café da família. “O meu pai entregou-se a este negócio e eu vinha sempre para cá ajudar. Os clientes acabaram por tornar-se família e não há ninguém que more na zona e não saiba onde fica o Rekint e Sabor”, diz à NiT.

A lisboeta vive para o trabalho. Quando começou a ajudar o pai a servir no café, aos 11 anos, percebeu que o seu caminho passaria por ali. Aos 16 já tinha saltado para trás do balcão e os estudos foram ficando para trás. Nunca terminou o 12.º ano, mas também não se arrepende totalmente dessa decisão — embora gostasse de, um dia, terminar o secundário. “Sei tudo o que é preciso sobre restauração e cafetaria e sempre que é preciso e/ou necessário investi em formação”.

O pai, Carlos Pinoia, ensinou-lhe tudo o que sabia. Desde manutenção de máquinas, “à arte de servir ou de cozinhar”. Depois da sua morte repentina devido a um ataque cardíaco, em 2022, Cláudia decidiu dar um novo rumo ao negócio.

“Não mexi no preço do café, porque é um chamariz e a forma de fidelizar clientes. Mas decidi inovar e implementei novos conceitos”.

A tosta de abacate.

Carlos era a “alma da casa”, garantem os clientes. Todos o conheciam e adoravam os seus cozinhados. Determinada a continuar com o ambiente já reconhecido ao Rekint e Sabor, Cláudia pegou no negócio com toda a convicção. “Faço os salgados todos cá. Desde folhados a rissóis, temos sempre uma grande variedade diária para quem quer almoçar, ou apenas um snack a meio da tarde.”

Porém, com a prevaleça da tendência do fitness e da alimentação saudável, a cozinheira percebeu que tinha de começar a apostar em pratos mais diversificados, com ingredientes mais equilibrados. Foi assim que criou umas tostas com pasta de frango, outras de abacate. Depois imaginou própria versão de papas de aveia (3,25€) e bowls de fruta e iogurte (3,75€).

“A nossa estratégia, mesmo antes da pandemia, era lança uma novidade por mês. Quando chegou a febre dos crepes, passámos a vendê-los e com os waffles igual. Agora, mesmo a gerir tudo sozinha, quero continuar nesse ritmo”.

Como um café puxa sempre o doce, a vitrine do espaço costuma estar bem recheada. Há croissants recheados com chocolate de avelã (1,90€), pastelaria variada e caseira e agora as tarteletes de maracujá e frutos vermelhos (1,90€), que são “um sucesso”. No inverno tem apostado no chocolate quente (1,90€), que “derrete miúdos e adultos”. Para acompanhar as refeições não faltam sumos naturais e batidos saudáveis também de fruta.

A decoração é a mesma desde que a família Pinoias tomou conta do espaço. “Tal como acontece com o café, quisermos manter a traça original, porque é algo que nos distingue. Mas sempre que posso, vou colocando apontamentos mais modernos”.

O Rekint e Sabor fica perto de escolas e faculdades. O grande objetivo de Cláudia é atrair clientes mais novos para o café. “Criei menus de almoço com as coisas rápidas que eles gostam. Saladas em que escolhem os ingredientes, sandes com pasta de atum e frango, cachorros e as clássicas merendas mistas.”

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Laureano de Oliveira n 13-A
    1885-049 Moscavide
  • CONTACTOS
  • HORÁRIO
  • Segunda a sexta das 8h às 18h30
PREÇO MÉDIO
Menos de 10€
TIPO DE COMIDA
Café

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