Cafés e Bares

Os doces de sempre com “preços para portugueses”. Vai ser assim a nova Pastelaria Suíça

Pode contar com o regresso de clássicos como os esquimós, os russos, as tíbias e os batidos. Tudo para admirar na enorme montra.
Fecho de portas a 31 de agosto.

A 31 de agosto de 2018 a histórica pastelaria Suíça, aberta desde 1922, fechava portas. Uma perda irreparável para a cidade e para os lisboetas, que viam a cidade sangrar aos poucos a velha tradição que ainda restava. Acontece que no final de março deste ano, acendeu-se uma centelha de esperança com a possibilidade da reabertura da antiga pastelaria da Praça da Figueira.

Na altura do anúncio, pouco se sabia sobre o que aí vinha exatamente. A NiT foi agora descobrir o que podemos esperar da renovada Suíça e spoiler alert: será um regresso ao passado, mas com os olhos postos no futuro.

O projeto foi desenhado pelo grupo português Primefood, que detém há vários anos alguns negócios na Baixa, como A Fábrica da Nata ou a pastelaria Paul. A presença naquela zona deu-lhes uma visão privilegiada sobre a área e não estavam felizes com algumas situações. “Não podíamos de deixar de reparar que o boom de turismo que se tem sentido desde 2018 tem levado ao desaparecimento de casas portuguesas históricas. A oferta tem sido diluída numa oferta virada para o cliente internacional e perdíamos cada vez mais a identidade lisboeta”, começa por explicar Duarte Castelo-Branco, diretor de marketing da Primefood.

Como a marca ficou extinta em 2018, perceberam que teriam uma oportunidade de pegar nela e começaram a procurar ativamente um novo espaço para a fazer regressar. Mas havia requisitos. “Na impossibilidade de ficar exatamente com o mesmo local, queríamos que fosse na Praça da Figueira. Só avançávamos se fosse naquela zona que ultimamente tem visto o movimento e o comércio a cair a pique”, adianta.

No início de 2020 fecharam o negócio para a nova localização. Ficava exatamente onde queriam mas o surgimento da pandemia atrasou tudo. Assim que puderam, retomaram o projeto e as obras avançaram. “Tínhamos tido a ideia e o desejo de manter o espaço mais fiel possível do que era a Suíça do antigamente. Mas a baixa de Lisboa não comporta espaços com a mesma dimensão como antes.” O novo espaço será então menor, mas para compensar, terá uma esplanada ampla. E é aí que será feita uma homenagem a uma das profissões mais antigas e icónicas do País: os engraxadores.

“Teremos uma estátua, o Senhor Vasco [como foi batizado], sentado no seu banco pronto para engraxar os sapatos dos fregueses. Além de uma homenagem a esta profissão que está praticamente extinta em Lisboa, queremos recuperar todos os valores que ela representa e que revemos na Suíça, como o aspeto do trabalho, dedicação, seriedade e família”, avança.

Atravessando a esplanada e passando finalmente a soleira da porta, a primeira coisa que vai ver são as fotografias da antiga Lisboa dos anos 60 e 70. E, mais ao lado, há algo ainda mais especial: um quadro com uma imagem da antiga pastelaria. “Fomos ao arquivo nacional para consegui-la, mas era realmente importante, porque queremos mostrar que respeitámos o passado desta pastelaria histórica e que vamos escrever o futuro sem esquecer de onde veio. É um projeto que estamos a fazer com muita humildade por reconhecer tanto a história como o peso da marca”, refere.

A restante decoração remete também para esta visão de ligar o passado ao futuro. “[Apostamos] muito nos tons de verde escuros e dourados. Queremos manter a componente clássica e o requinte, mas também o espírito da inovação.”

Há ainda mais dois painéis de grandes dimensões que homenageiam a azulejaria portuguesa da Viúva Lamego pintados à mão. Depois, e porque os olhos também comem, a marca aproveitou para incluir uma generosa montra que ocupa quase toda a área da loja. “O objetivo é privilegiar os próprios produtos, porque muitos também contam a história da emblemática pastelaria”, refere.

E sobre os bolos também há novidades: 70 por cento do menu será com especialidades da antiga pastelaria. Falámos do russo, do bolo esquimó, das tíbias, babás e duchesses. Haverá mais, mas a marca só irá revelar quais são no dia da abertura. As miniaturas também estarão de volta, assim como os húngaros, ou as areias. “A própria Suíça também passou por vários processos evolutivos. Quisemos garantir que conseguíamos recuperar os produtos dos tempos áureos da pastelaria. Fizemos depois muitos testes para conseguir trazer de volta os bolos mais icónicos. Mas, ao mesmo tempo, o mercado também precisa de inovação, daí o equilíbrio.”

Outro regresso (que apostámos que os lisboetas vão adorar) são os batidos tradicionais de baunilha, morango ou chocolate. E haverá ainda espaço para a pastelaria típica portuguesa como as bolas de Berlim, os palmiers, os queques ou os bolos de arroz. Como a inovação anda lado a lado da tradição neste projeto, a marca decidiu ainda incluir pastelaria fina de especialidade com os éclaires ou os croissants franceses.

A parte de padaria e de refeições ligeiras da Suíça também foram recuperados. “As torradas com o formato clássico, por exemplo”, avança Duarte Castelo-Branco. E a estas juntam-se as quiches, os salgados que acompanham com salada russa ou mix de saladas. “Tudo será português”, sublinha.

Para os mais céticos, vamos desfazer já todas as dúvidas: sim, nos produtos icónicos que a marca recuperou da antiga Suíça são produzidos com a receita original da padaria. “Fizemos um estudo aprofundado para conseguir recuperar de forma exaustivas as receitas originais e o nosso chef teve ainda a oportunidade de consultar antigas equipas da casa antiga”, explica o diretor de marketing da Primefood.

O fabrico será próprio, até porque este projeto levou-os a outro também muito ambicioso de desenvolver uma fábrica central. “A génese foi pensada com foco na reabertura da Suíça, porque sabíamos que íamos trabalhar com o tipo de pastelaria que precisa de equipamentos específicos”, adianta.

Os preços foram pensados “para os portugueses”. “Queríamos garantir o que considerávamos ser um preço justo para os produtos icónicos e tradicionais, mas com uma janela para a realidade dos portugueses.” Sem adiantar muito mais, Duarte Castelo-Branco, garante que “não fogem da realidade de um centro comercial”. “Duvido que consigam encontrar preços tão competitivos como os nossos, porque não caímos na ideia de ser mais um espaço daquela zona”, refere. O dia de abertura continua a ser uma incógnita, mas a previsão continua a ser lá para meados de abril. 

O encerramento do espaço original ocorreu após a venda de todo o quarteirão onde estava inserido ao fundo espanhol Mabel Capital, em que um dos investidores é o tenista Rafael Nadal. Aquela zona foi adquirida por 62 milhões de euros, cerca de cinco mil euros por metro quadrado.

Após vários anos de especulação, foi revelado no final de fevereiro deste ano que o edifício da Suíça será usado para a construção de uma nova loja da Zara, projetada para ser uma das maiores do mundo. Leia o artigo da NiT para conhecer melhor este projeto.

Carregue na galeria para descobrir alguns dos bolos icónicos da Pastelaria Suíça que vão voltar. 

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