Cafés e Bares

Padaria recusa atender polícias armados: “São bem-vindos quando estiverem de folga”

"Numa época de aumento da violência armada, acreditamos que esta decisão nos mantém mais seguros."
Uma nova política.

Muitos agentes de segurança pública terão de pensar duas vezes antes de escolherem o sítio onde vão tomar o pequeno-almoço. Pelo menos, na Flórida, nos Estados Unidos — e apenas quando estiverem em serviço. A Reem’s Califórnia, uma rede de padarias árabes, que vende pão e outras especialidades da Síria e do Líbano, decidiu deixar de servir polícias armados.

“Não atendemos polícias armados. São bem-vindos no nosso estabelecimento quando estiverem de folga e não carregarem armas. Esta é a política adotada pela cadeia de padarias Reem’s”, afirmou o sindicato da polícia no Instagram, na quinta-feira passada, 24 de agosto. A publicação inclui uma imagem de um email — alegadamente — enviado pela empresa que confirmava a decisão. Contudo, não foi divulgado ao certo quem o enviou, já que o campo correspondente ao emissário da mensagem não está visível.

Antes da publicação em causa, a associação dos profissionais com funções policiais de São Francisco tinha já avançado com a notícia de que o mesmo negócio havia recusado o pedido um polícia fardado. “Um dos nossos agentes teve o atendimento negado no fim de semana passado porque estava de uniforme”, disse um porta-voz desta entidade sindical. Não está claro, porém, se a medida da Reem’s se aplica a todas as pessoas armadas ou apenas àquelas que estão armadas e que usam uniforme.

Por sua vez, sexta-feira, 25 de agosto, a cadeia de padarias partilhou um comunicado no Instagram, onde explica que se esforça para “promover um ambiente de segurança para funcionários e clientes”.

“Numa época de aumento da violência armada — afetando particularmente pessoas de cor, jovens e pessoas queer — acreditamos que uma política rigorosa de proibição de armas no nosso restaurante mantém-nos mais seguros”, escreveram.

O restaurante aproveitou ainda para agradecer à comunidade o apoio que recebeu no passado, explicando que está temporariamente fechado. Ainda assim, acrescentam que mal podem esperar “para reabrir as portas do espaço [que é uma espécie de] santuário sem armas que todos merecem”.

“Existir enquanto negro não deveria ser uma sentença de morte. Não chame a polícia”, lê-se num texto afixado na janela da padaria. A empresa justifica a posição por ter “um profundo compromisso com a promoção da justiça social e racial” nas comunidades onde está inserida.

“Muitos membros da nossa comunidade foram afetados pela violência armada, seja uma experiência nas ruas de São Francisco ou Oakland. Com demasiada frequência, os negros e os pobres são vítimas desta violência. No Reem’s pretendemos proporcionar um espaço onde as pessoas podem comer deliciosa comida árabe e trabalhar juntas para fortalecerem a nossa comunidade, sem medo de violência ou assédio. Convidamos todos a contribuírem para a criação de uma cultura de cuidado e resiliência”, afirmam no mesmo post.

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