O francês Baptiste Guimiot trabalhava como sommelier num restaurante em Lisboa quando, por acaso, conheceu Sebastien Albanese. Nessa altura, o empresário belga, que já tinha bares de vinhos no País natal, estava a pensar arrancar com um novo projeto na capital portuguesa.
“Nessa altura, andava à procura de alguém que já vivia em Portugal e tinha uma rede local”, começa por contar à NiT Baptiste, de 32 anos. “Foi um encontro muito aleatório, porque ele chegou como cliente, mas começámos a falar e eu disse que estava feliz no local onde trabalhava, mas que o podia ajudar”.
O encontro decorreu em meados de 2023 e nos últimos três anos, os dois sócios andaram à procura de um local ideal para o novo projeto. Desde o início que o objetivo foi abrir um bar de vinhos acessível, sem preços exorbitantes.
“Houve uma altura em que deixámos de procurar e a ideia estava quase a desaparecer, mas acabámos por encontrar um espaço nos Anjos, que antigamente também funcionava como um wine bar”, explica o sommelier.
A 1 de junho, depois de alguns dias a decorar o local, abriram oficialmente o Papo Roxo, o novo wine bar dos Anjos. A ideia do espaço é trabalhar vinhos naturais e um dos pontos altos é que tem opções da torneira — assim como acontece com as cervejas.
“Para nós, era muito importante que o bar que abríssemos fosse inclusivo em termos de preço, porque os vinhos naturais são conhecidos por serem bastante populares, mas também caros. Por isso, queríamos ter um nível de preço muito acessível”, sublinha.
À pressão, o bar tem quatro opções de vinhos — branco, tinto, laranja e sparkling. Os preços começam nos 3,50€ por copo. “São valores que nunca vi em Lisboa, além de também não serem comuns os bares terem vinhos da torneira.”

Baptiste mudou-se para Portugal há cerca de oito anos, para fazer o doutoramento na área das Culturas e Artes na Universidade Católica Portuguesa. Ao longo da sua vida, dedicou-se sempre à área artística e de eventos. No entanto, com a chegada da pandemia, começou a descobrir um novo interesse: o vinho.
Com o tempo livre, começou a pesquisar cursos ligados à arte do vinho e, quando as fronteiras voltaram a abrir, o francês decidiu procurar trabalho como sommelier. “Quando tudo parou, comecei a interessar-me por vinho, fermentação, comida e hospitalidade. Foi assim que surgiu o interesse”, recorda.
Já Sebastien, de 43 anos, sempre trabalhou neste ramo na Bélgica. Quando se mudou para Lisboa, decidiu vender o negócio no país natal para investir em Portugal. E assim o fez.
O nome do projeto também surgiu de forma natural. Os dois sócios pediram ajuda a uma colega, que sugeriu o nome de uma ave em francês: “gorge pourprée”. A tradução literal para português era papo roxo, uma ave também conhecida como pisco-de-peito-ruivo.
“Achámos interessante porque o roxo é uma cor bastante associada ao vinho e a palavra ‘papo’ é uma referência à palavra brasileira que significa conversar”, explica, acrescentando que está também ligado a outras expressões portuguesas, como o pão papo-seco.
Para a decoração, Baptiste e Sebastien também se inspiraram noutros wine bars que conheciam. “Quando viemos para este espaço era tudo muito branco e decidimos pintar porque queríamos trazer um contraste com cores vivas, alguns cartazes e azulejos.” Além disso, existe uma zona onde os clientes podem escrever na parede e deixar uma mensagem.
O espaço consegue receber até cerca de 50 pessoas, a contar com a zona interior e a esplanada. Além dos vinhos da torneira, encontram opções brancas, tintas, laranjas e sparkling como La Pépière, Iria Otero, Saroto, Intervalo, Apart3, entre outras. Neste caso, os valores por copo rondam os 6,50€ e há garrafas a partir de 30€.
Para comer, os clientes podem pedir espadarte, tomate e tomilho (2€); sardinhas em molho de tomate picante (2€); pão e manteiga de miso (3,50€), club chouriço (4,50€), seleção de queijos (13€), entre outros.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias do Papo Roxo, o novo bar de vinhos nos Anjos.








