Cafés e Bares

Tem saudades de comer uma bebinca? Este casal leva-o de volta à infância

O bolo tradicional da Índia junta as cozinhas indiana e portuguesa. A viagem de regresso a Goa através do palato está garantida.
Fazem entregas na zona de Lisboa.

Há doces que nos transportam imediatamente para a nossa infância, para quando os comíamos em casa das nossas avós. Podem ser filhoses, rabanadas, aletrias ou uns simples biscoitos. No entanto, este sentimento de nostalgia torna-se muitas vezes impossível de reviver para quem nasceu noutro país, com comidas tradicionalmente diferentes das nossas. Felizmente, existem pessoas que decidem trazer essas confeções para Portugal. É desse espírito que nasce o Sítio da Bebinca.

Andreia Fernandes, de 58 anos, está por detrás do marketing e publicidade da marca, enquanto que João Fernandes, o marido de 59 anos, mete a mão na massa, literalmente, e cria o bolo que marcou a sua infância, a bebinca. “São cinco irmãos e ele é o único rapaz. Sempre esteve mais próximo da mãe e sempre a viu a cozinhar. Foi aí que surgiu este gosto. De todos, foi o único que aprendeu a fazer a bebinca, porque era o único que acompanhava a mãe enquanto ela a fazia”, explica Andreia Fernandes à NiT.

Segundo nos conta, a bebinca “é de origem indo-portuguesa. É uma junção da cozinha indiana e portuguesa. Tem como base os doces conventuais — é feita de gema de ovo, açúcar, farinha, leite de coco e algumas especiarias — e é bastante particular.” Isto porque, ao contrário de outros bolos, não se mete simplesmente na forma e depois no forno, à espera que a magia aconteça. A verdade é que dá muito mais trabalho, especialmente quando levamos em consideração o número de camadas que uma verdadeira bebinca tem — sete.

O casal de Massamá decidiu criar uma conta no Instagram após muitos elogios aos cozinhados de João Fernandes. “Sempre teve imenso jeito para cozinhar. As receitas da minha família, como as da minha avó materna, são feitas por ele”, elogia Andreia Fernandes. “Começámos a perceber que naqueles momentos mais festivos, como o Natal e a Páscoa, ele era a única pessoa da família a fazer a bebinca para a distribuir pelos amigos. Com a questão do confinamento, que nos levou a todos para o digital, decidimos criar a página.” A este desejo junta-se o facto de muitas famílias estarem habituadas a ter este bolo nos dias especiais, um hábito que se foi perdendo à medida que iam deixando de ter familiares que o fizessem. “Também foi uma maneira de ir ao encontro dessa necessidade. Pensámos ‘vamos lá apostar nisto’, e a adesão foi imediata.”

A primeira venda do casal aconteceu exatamente durante a época festiva. Não a do Natal, mas a da Páscoa. “Sentimo-nos entusiasmados mas, ao mesmo tempo, surpreendidos. Nem queríamos acreditar que era verdade — tínhamos criado uma marca que não tinha espaço físico, mas mesmo assim as pessoas decidiram investir”, recorda-se.

Por enquanto, o casal apenas vende bebincas num raio de 20 quilómetros da sua casa em Massamá, embora possam existir sempre exceções. Estas entregas, porém, são livres de qualquer custo. “Ainda estamos numa fase de publicitar, de divulgar. Não queríamos fechar muito as possibilidades, porque ainda nos estamos a dar a conhecer. Já fizemos entregas na zona da Ramada, Odivelas, São Domingos de Rana, Oeiras.” No Natal, vão tentar levar a bebinca mais além, com um raio de entrega que passará a abranger a região de Setúbal.

As bebincas vêm em dois tamanhos. O mais pequeno, de um quilo, custa 35€. “A bebinca de dois quilos, que é mesmo para ser partilhada com a família, custa 65€.”

Embora os dotes culinários de João Fernandes o permitam confecionar vários outros bolos e doces, os planos do casal é manterem-se dedicados a esta receita tradicional de Goa, no oeste da Índia.

Carregue na galeria para descobrir alguns restaurantes em Lisboa que o levam diretamente aos sabores indianos.

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