Restaurantes

Este restaurante recusa-se a exigir certificados ou testes Covid-19 aos clientes

Chama-se Xéxéxé e fica na Costa da Caparica. Pode entrar no espaço à vontade e só tem de usar máscara se quiser.
Situa-se na Costa da Caparica, em Almada.

Desde o passado dia 10 de julho que passou a ser obrigatório apresentar um Certificado Digital Covid ou um teste negativo à entrada de estabelecimentos turísticos e de alojamento local. Nos concelhos de risco elevado ou muito elevado, o governo determinou que a medida também é aplicável no acesso aos restaurantes, para refeições no interior dos estabelecimentos. Contudo, na Costa da Caparica, há um restaurante que se recusa a seguir as novas regras definidas pelo Conselho de Ministros.

O Xéxéxé é um restaurante de cozinha saudável e vegan que está a funcionar já há três anos e meio na Rua do Grupo Desportivo dos Pescadores. A 11 de julho, o dia a seguir à entrada em vigor das medidas anunciadas pelo governo, Rúben Silva e Cristiana Feio, o casal que é responsável pelo espaço, publicou um comunicado na sua página de Facebook, onde se mostraram “contra a discriminação” e anunciaram a sua recusa em acatar as novas medidas que, defendem, “estão a ser impostas, ilegalmente”.

Assim, quem quiser, pode frequentar o espaço — tanto a esplanada como o interior — sem apresentar qualquer certificado ou teste negativo à Covid-19. E nem sequer tem de usar máscara, se não o quiser fazer.

“Para nós, essencialmente tem a ver com falta de consenso e a falta de preocupação com todas as pessoas que sobrevivem dentro destas condições. Como micro-empresa que somos, isto não são medidas feitas para nós. São medidas absurdas. Quer dizer, a medida é feita para o fim-de-semana, então por que não é feita, por exemplo, para todos os dias? Qual é a diferença entre a pessoa estar de máscara no restaurante e depois tirar a máscara para comer?”, começa por explicar à NiT a gerente do negócio Cristiana Feio.

A proprietária do Xéxéxé mantém uma posição de descrença em relação à postura do Governo e diz que “as coisas não são bem aquilo que eles estão a mostrar, porque não há nenhum vírus mortal ao ponto de terem de fazer propaganda.” Para Cristiana Feio há falta de informações credíveis sobre o novo coronavírus e as que se apresentam “contra o Governo” são rapidamente banidas. “Se for ao Google, vai ver que não existe qualquer tipo de informação oposta ao Governo e a estas medidas”, acrescentando que se partilham informações através de médicos e virologistas que não fazem sentido.

Desta forma, o Xéxéxé segue firme longe das máscaras e dos testes ao Covid-19, isto se os clientes assim o entenderem. “A pessoa só usa máscara se quiser. É livre de o fazer. Os testes a mesma coisa. Nós não discriminamos ninguém. É isso que tentamos dizer. As pessoas se se sentirem bem são bem vindas”, esclarece a gerente de 27 anos, garantindo que “não precisamos de impor nada desse tipo de coisas. O que nós precisamos de fazer é manter a higiene, como sempre mantivemos, as limpezas e os cuidados.”

Uma postura que, na grande maioria dos casos, tem recebido uma reação muito positiva de quem frequenta habitualmente — e de até quem vem de fora — o restaurante da Margem Sul. Na publicação onde foi divulgado pela primeira vez o comunicado, até se pode ler comentários como “nem sou vegetariano mas faço questão de ir provar os vossos pitéus só pela atitude” ou “que bela atitude e coragem”.

Outro apoio manifestado publicamente aconteceu quando o Xéxéxé recebeu no passado dia 11 de julho, os fundadores do restaurante Lapo, na Bica (Lisboa). Recorde-se que o Lapo esteve no centro de uma polémica quando, no início do ano recusaram, em função da decisão do governo de avançar com um novo confinamento, fechar o espaço, invocando a Constituição para não cumprir as medidas de restrição.

COMUNICADO – SOMOS CONTRA A DISCRIMINAÇÃOQueridos amigos e clientes, De forma a mantermos as nossas ideologias e…

Posted by Xéxéxé on Sunday, July 11, 2021

Sem problemas, até agora, com as autoridades de saúde, o negócio administrado pelo casal de Almada segue sem medos e com a certeza, segundo Catarina Feio, de que estão a resistir ao mesmo tempo que fazem para que as pessoas possam manter os seus direitos. “A partir do momento em que há uma lei que impede a nossa liberdade de decisão, tem de ser lutada contra”.

“Nós não temos vergonha daquilo que assumimos, tanto que como devem calcular meter a cabeça na forca com uma opinião destas, que as pessoas estão muito assustadas e não sabem o que esperar, foi muito difícil para nós e tem sido difícil de gerir. Mas no fundo, nós sabemos que estamos a lutar apenas por aquilo que achamos que está certo”, remata em declarações.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT