Gourmet e Vinhos

A adega do futuro fica no Douro. Custou 27 milhões e quer revolucionar a produção de vinho

A nova unidade da Granvinhos situa-se em Peso da Régua. Aposta na automatização, reutiliza água e reduz o consumo de energia.

A produção de vinho continua a depender das boas condições das vinhas e da qualidade das uvas, mas a forma como estas chegam à garrafa está a mudar. A mais recente prova disso fica em Peso da Régua, onde abriu, na sexta-feira, 26 de junho, uma nova adega que aposta na automatização, na sustentabilidade e na inovação tecnológica para transformar todo o processo de vinificação.

Chama-se Adega do Cedro e resulta de um investimento de 27 milhões de euros do grupo Granvinhos, dos quais cerca de 19 por cento foram financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O espaço “constitui o maior investimento alguma vez realizado pela Granvinhos e representa o nosso irrevogável compromisso com o Douro”, revela a empresa, que pretende tornar a unidade num dos projetos mais avançados do setor em Portugal.

“Preparada para vinificar tanto vinhos do Douro como vinho do Porto, esta adega está equipada com tecnologia de ponta para processar 8 mil toneladas de uvas de cerca de 800 viticultores provenientes de 6 concelhos da Região Demarcada“, anunciou a produtora de vinhos.

A nova infraestrutura foi concebida, assim, para combinar eficiência, tecnologia e sustentabilidade. “O objetivo passou por criar uma adega com processos mais eficientes, digitais e ambientalmente responsáveis, preparada para responder aos desafios da transição climática e tecnológica do setor vitivinícola”, revela o diretor-geral da Granvinhos, Jorge Dias.

A empresa garante que este se torna o centro de vinificação mais moderno do País. Grande parte da inovação está nos bastidores. A adega conta com elevados níveis de automatização, o que permite aumentar a segurança das operações e reduzir a dependência de mão de obra em várias fases da produção. Ao mesmo tempo, incorpora sistemas que reutilizam 50 por cento das águas residuais, ajudando a diminuir significativamente o consumo de água.

A componente ambiental não fica por aí. A infraestrutura está equipada com uma central fotovoltaica e utiliza equipamentos mais eficientes, capazes de reduzir até 40 por cento das necessidades energéticas da unidade. Estas soluções fazem parte da Agenda Vine & Wine Portugal, um consórcio criado em 2022 no âmbito do PRR para acelerar a transição energética, ecológica e digital do setor do vinho em Portugal.

Liderada pela Granvinhos, a iniciativa reúne 46 entidades, entre empresas vitivinícolas, tecnológicas, instituições de ensino e associações, e representa um investimento global de 86 milhões de euros. O projeto já permitiu desenvolver mais de 40 novos produtos, serviços e processos focados na sustentabilidade e inovação.

Apesar da forte componente tecnológica, a arquitetura também foi pensada para respeitar a paisagem envolvente. Assinado pelo arquiteto Alexandre Burmester, o edifício foi desenhado para se integrar no Alto Douro Vinhateiro, classificado como Património Mundial da UNESCO, conciliando funcionalidade industrial com a valorização da região.

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