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A melhor rolha natural do mundo é “orgulhosamente” portuguesa

Após investirem 11 milhões de euros e recorrerem à Inteligência Artificial, a Cork Supply conseguiu chegar ao produto mais consistente.
Uma experiência diferente.

Esqueçam o malfadado “sabor a rolha”. A partir de agora, os enólogos — ou simples apreciadores de vinho — vão poder ficar mais descansados sempre que abrirem uma garrafa que está há demasiado tempo na prateleira, à espera de um momento especial. A Cork Supply lançou as Legacy, uns vedantes em cortiça natural, que permitem acabar com o indesejado odor a mofo, com o bónus de manterem a qualidade do vinho intacta ao longo do tempo. Tudo graças ao “controlo da entrada de oxigénio.”

A empresa portuguesa investiu mais de 11 milhões de euros na última década para separar durante a produção as rolhas contaminadas com tricloroanisol (TCA). “Esta molécula é produzida quando a cortiça está em contacto com certas características de humidade e temperatura, e como resultado confere à rolha um aroma diferente”, explica à NiT, António Ferreira, diretor de desenvolvimento do produto da Cork Supply.

Para evitarem este pequeno atentado contra a Humanidade, os responsáveis da empresa trabalharam arduamente ao longo da última década para chegar a uma tecnologia que evita que passem rolhas contaminadas durante a produção, e consequentemente para o mercado. Queriam também que o objeto final ajudasse a controlar o oxigénio que passa através da rolha para o vinho.

“Como elemento de embalagem não deve transmitir nada para o líquido e deve ser um regulador para proteger a oxidação do mesmo. Para isso, tínhamos de eliminar as que apresentassem um valor de permeabilidade anormalmente alta e torná-las nas mais consistentes possíveis”, acrescenta o responsável.

E conseguiram. As Legacy, apresentadas no final de janeiro na Unified Wine and Grape Symposium, na Califórnia, são neutras e não interferem com o trabalho do enólogo, “porque não transmite qualquer característica sensorial para o vinho e garante a regulação da função do oxigénio”.

A equipa da Corky Suply explica, da forma mais simples possível: “Não é altura para sermos modestos, conseguimos efetivamente criar a melhor rolha do mercado”.

O aspeto da nova rolha.

Um processo longo e caro

O desafio de procurarem a “rolha perfeita” foi lançado há uma década por um grupo de clientes que se mostrava reticente “variabilidade” da cortiça, um produto natural. A Cork Supply começou a investigar e passou os últimos anos a investir na pesquisa de materiais e máquinas que os ajudassem a produzir o produto que queriam, no mesmo material e sem o problema do aroma — ou do controlo do oxigénio.

Para o efeito tiveram de desenvolver tecnologias próprias, criar algoritmos e selecionar sensores adaptados aos parâmetros que queriam. A inteligência artificial também veio dar uma ajuda, permitindo acelerar um processo que demoraria vários anos em circunstâncias normais. 

Controlo de qualidade

Todas as rolhas produzidas passam por um processo de controlo minucioso que conta com uma atenção redobrada ainda nas fábricas, com máquinas para eliminação do TCA e uma inspeção rolha a rolha, feita por especialistas, para perceberem se existe alguma anomalia. Tudo isto tem custos, que se refletem no valor da Legacy.  À NiT, a equipa de marketing e de desenvolvimento não conseguiu dar um valor aproximado, mas admite que varia consoante a escolha do cliente.

“Não existe um valor único. O preço final é o custo da aplicação das nossas três tecnologias na rolha, mais ao qual acresce o valor da classe de qualidade que escolher.”

No entanto, a mesma equipa garante que é um produto vocacionado para o segmento premium, por isso os valores serão mais altos do que os praticados com as restantes gamas.

As rolhas são feitas em São Paio de Oleiros, numa das quatro unidades da Cork Supply. Ali produzem-se cerca de 150 milhões de rolhas naturais por ano. Já em São João de Ver, fazem-se cerca de 450 milhões de rolhas técnicas e mais de 70 milhões para bebidas espirituosas. Os acabamentos das rolhas são produzidos no polo de Rio Meão, que são depois exportadas para a Europa.

A empresa tem outras unidades de acabamentos espalhadas pelos restantes continentes.

O grupo de analistas com as rolhas.

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