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A nova grã-mestre da cerveja quer mais mulheres na Confraria

Em cerca de 900 confrades, apenas 20% são do sexo feminino. Teresa Apolónia pretende contribuir para mais inclusão e diversidade.
O evento em que a nova grã-mestre (2.ª à esq.) tomou posse.

As mulheres sempre estiveram ligadas à história da cerveja. Eram responsáveis por preservar os grãos de cereais, foram elas que se aperceberam, que da combinação de certos ingredientes e o seu processo de fermentação resultava algo especial. Durante séculos, a produção de cerveja foi essencialmente uma atividade feminina. E, talvez por isso, a cerveja é honrada com uma deusa da mitologia suméria, Ninkasi.

Hoje, a cerveja conquista cada vez mais mulheres, não apenas como bebida de eleição, mas também enquanto sector para trabalhar e desenvolver. Teresa Apolónia, de 56 anos, é um exemplo disso mesmo pois assumiu o cargo de grã-mestre na recente cerimónia anual de Entronização da Confraria da Cerveja, que aconteceu a 17 de outubro, em Aveiro.

“É para mim uma grande honra ser a primeira grã-mestre da Confraria da Cerveja, a qual pretendemos que seja cada vez mais aberta, mais diversa e mais inclusiva. Gostaria muito de trazer mais mulheres para a Confraria, mas de uma forma mais abrangente, para o consumo moderado e responsável de cerveja, no sentido de superar algum complexo que o consumo desta bebida ainda possa ter no público”, adianta à NiT.

Com cerca de 900 confrades, 45 acabados de entronizar, as mulheres ainda só compõem 20 por cento deste número, algo que está aquém das expetativas. “Está ainda algo desequilibrado em termos de paridade de género, pelo que esta é uma oportunidade no caminho a fazer”, acrescenta Teresa Apolónia sobre o trabalho que tem pela frente com este novo cargo, que pertencia a Rui Lopes Ferreira e com quem a NiT falou no final do mandato.

A trabalhar há 30 anos na Sociedade Central de Cervejas, Teresa tornou-se confrade mestre já em 2006, aceitando assim ser uma promotora desta bebida. Em 2017, aceitou a função de secretária-geral e passou a ter “um papel mais ativo na gestão e dinamização da própria Confraria”. Mas sobre a cerveja em si, revela que foi uma paixão que cresceu, aliada ao seu percurso nas ciências.

“A ‘magia’ e a diversidade que resulta da junção de quatro ingredientes naturais e do seu processo bioquímico é fascinante para uma pessoa como eu, vinda de uma área académica como a engenharia química e com uma pós-graduação em tecnologia cervejeira”, conta. Esta paixão tende a inclinar-se para cervejas encorpadas e de amargor marcado, destacando no entanto que aprecia explorar a diversidade de oferta existente nos dias de hoje.

Esta mudança de paradigma da Confraria acaba por surgir num ano importante. A associação celebra em 2023 o vigésimo aniversário, marcando-o também com um novo logótipo, mais moderno e atual. Este foi revelado no evento de entronização, onde José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, foi entronizado a par de outras figuras conhecidas como o apresentador de televisão João Manzarra, o atleta paralímpico de arremesso de peso Miguel Monteiro ou Ricardo Covões, diretor do Coliseu dos Recreios.

Como confrades, todos eles se comprometem em promover e dignificar a cerveja como sinónimo de convívio, de celebração e amizade e de inclusão e diversidade.

Teresa Apolónia na primeira entronização como grã-mestre.

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Este artigo foi escrito em parceria com a Confraria da Cerveja.

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