Desde que entrou no meio corporativo, Gonçalo Palrão começou a ter a mesma dificuldade: não conseguia chegar a casa e planear as refeições da semana. Afinal, era muito mais confortável gastar entre 10€ e 20€ por dia para almoçar perto do escritório.
O lisboeta, de 28 anos, trabalha como consultor de sustentabilidade na Ernst & Young (EY), uma das Big Four do universo corporativo. No entanto, ao longo do tempo, começou a pensar que sempre que chegava ao final do mês se apercebia de que o dinheiro que gastava em refeições em restaurantes era “desnecessário.”
“Não havia grande planeamento”, confessa à NiT. “Chegava ao domingo e tinha sempre aquele pensamento de que seria ótimo planear as refeições para a semana, mas isso raramente acontecia. Havia sempre muito atrito para ir comprar os ingredientes, pensar nos pratos e depois fazê-los.”
Aos poucos, começou a perceber que o dinheiro que gastava poderia ser utilizado em compras semanais ou até mensais para preparar a alimentação. No final de 2025, quando estava a pensar nas resoluções para o novo ano, decidiu que iria começar a poupar dinheiro nesta área todos os meses. Mas sabia que não conseguiria fazer tudo por conta própria.
“A minha ideia era desenvolver uma espécie de mapa pessoal para tratar este desafio e poupar no final do mês. Mas quando comecei a falar com amigos e familiares, percebi que este não era um problema só meu. Era mais transversal do que parecia”, aponta.
Foi assim que, no início de março, Gonçalo lançou O Tacho, uma nova plataforma disponível online para qualquer pessoa organizar e planear as refeições. Basta criar uma conta, selecionar os gostos pessoais, quantas refeições vai precisar para a semana e a aplicação vai criar um mapa, não só com diferentes receitas que poderá fazer, mas também com todos os ingredientes e respetivos preços.
“As pessoas acabam por gastar dinheiro não por não saberem o que fazer, mas porque é muito mais fácil pagar um almoço”, sublinha. “No entanto, planear a semana não é um esforço assim tão grande e o que se consegue poupar compensa bastante. As coisas estão cada vez mais caras e isso cada vez mais vem à cabeça das pessoas.”

Gonçalo Palrão é licenciado em Gestão pela Nova School of Business and Economics. Durante o mestrado, apostou também numa especialização em Empreendedorismo e Inovação. Desde então que alimenta o sonho de criar um projeto próprio. O Tacho veio responder a esta ambição, além de ajudá-lo a poupar dinheiro.
Cada experiência na plataforma é única e varia consoante as escolhas dos utilizadores. Pode optar por ter uma semana mais saudável, mais económica, mais tradicional (com comidas portuguesas), entre outras.
“Os utilizadores têm depois acesso a um dashboard, que mostra as receitas que podem fazer e também o quanto vão poupar em comparação aos almoços fora durante a semana, por exemplo”, explica. “É desenvolvido um plano semanal automático, com base nestas preferências.”
As receitas são criadas por um sistema de Inteligência Artificial (IA) e sempre verificadas pelo fundador antes de estarem disponíveis online. Os utilizadores têm também a oportunidade de escolher quantos dias da semana vão precisar de refeições. Caso tenha um jantar fora num dos dias, por exemplo, basta não selecionar este slot durante o formulário inicial.
Cada receita proposta pela plataforma é ainda acompanhada por uma lista de compra, com todos os ingredientes de que vai precisar — e respetivos preços.
“Os preços são sempre estimativas que atualizam semanalmente com base nos sites do Pingo Doce e do Continente”, refere o fundador. “A plataforma faz este match de forma semanal e a pessoa consegue ter o carrinho de compras com o preço estimado com base na lista de compras, além de saber em qual supermercado consegue poupar mais.”
O Tacho tem ainda uma funcionalidade que permite que os utilizadores partilhem o plano semanal criado com amigos ou familiares. Por enquanto, O Tacho só está disponível online, mas Gonçalo refere que o objetivo é também criar aplicações móveis para dispositivos iOS e Android.
A criação da conta é gratuita na plataforma, porém, algumas funcionalidades são pagas. Quem optar pela versão à borla, só consegue um plano automático por mês e não é possível comparar preços nos supermercados.
Já a subscrição de 2,50€ mensais, permite que o utilizador tenha acesso ao catálogo completo de receitas, planos ilimitados e preços reais dos ingredientes nos supermercados.
Gonçalo também criou a opção Pro Fit (que custa 3,33€ por mês) e é destinada para pessoas que treinam com frequência. Neste caso, além de todas as funcionalidades da subscrição anterior, conseguem rastrear o consumo de proteína semanal e ter metas de proteínas por refeições. Tudo pode ser feito através do site oficial d’0 Tacho.

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