Um forno doméstico, uma batedeira e cerca de 10 mil euros de poupanças. Foi tudo aquilo de que Anita Sánchez de 41 anos e o marido, José Núñez, precisaram para começar um negócio de pastelaria em Maiorca, Espanha. Mais de uma década depois, a pequena operação transformou-se numa empresa que chega a faturar cerca de 90 mil euros por mês.
A espanhola está à frente da Anita Cakes, uma marca especializada em cookies, brownies e bolos que nasceu em Port d’Alcúdia, na ilha espanhola. O projeto cresceu, ganhou novos pontos de venda e passou também para o digital, mas a história começou numa escala bastante mais reduzida.
Quando avançaram com a ideia, Anita e o marido tinham aproximadamente 10 mil euros disponíveis. Em vez de procurarem investidores ou começarem com uma estrutura de grandes dimensões, compraram apenas o equipamento necessário para trabalhar. O forno era doméstico e parte do material foi adquirido em segunda mão.
O crescimento também não foi feito através de grandes rondas de investimento. À medida que o dinheiro entrava, uma parte significativa regressava ao negócio para financiar maquinaria, instalações e trabalhadores.
Ao longo dos anos, o investimento acumulado já ultrapassou os 400 mil euros, segundo contou Anita ao jornal espanhol “El Español”.
A escala da produção também mudou. Atualmente, a Anita Cakes prepara cerca de 10 mil unidades por mês, entre bolos e bolachas, distribuídas pelas lojas físicas, encomendas personalizadas, vendas através da Internet e eventos.
Os números diários ajudam a perceber a dimensão que o projeto alcançou. Só abrir uma das lojas pode representar entre 900€ e 1.100€ em vendas num dia normal. Numa ocasião excecional, a empresa conseguiu faturar cerca de 17 mil euros num único dia, apenas com a venda de cookies e bolos.
Somando os diferentes canais do negócio, as receitas mensais rondam atualmente os 90 mil euros. O valor, porém, está longe de significar que Anita coloque todos os meses essa quantia no bolso. A faturação inclui todo o dinheiro obtido com as vendas antes de serem retiradas despesas como salários, ingredientes, rendas, eletricidade, impostos, equipamentos ou desperdício.
Foi ao acompanhar estes custos que a empresária percebeu uma das lições que considera mais importantes desde que começou: o produto que dá mais trabalho ou tem um preço mais elevado não é necessariamente aquele que deixa mais dinheiro na empresa. E, no caso da Anita Cakes, foram as cookies que acabaram por ganhar essa batalha.
As bolachas estiveram entre os produtos mais procurados desde o início, mas têm outra vantagem importante para o negócio. Segundo Anita, apresentam uma rentabilidade próxima dos 35 por cento.
Nos bolos, a margem fica em metade desse valor. A diferença não está apenas nos ingredientes. O tempo necessário para preparar cada produto também pesa nas contas — algo que a espanhola admite ter demorado a compreender.
Durante muito tempo, por exemplo, preparou bolos decorados com fondant que exigiam várias horas de trabalho. O problema é que essas horas nem sempre estavam refletidas no preço cobrado ao cliente. “O tempo é o mais valioso”, explicou ao “El Español”.
A experiência obrigou-a a olhar para o negócio para além do dinheiro que entrava na caixa. Um produto pode vender bastante e, ainda assim, ser pouco interessante se exigir demasiadas horas de produção ou tiver custos elevados. Foi uma aprendizagem feita ao longo de mais de dez anos e que acabou por alterar a forma como gere a empresa.
O negócio já não vive apenas dos doces
Entretanto, Anita encontrou outras formas de aproveitar aquilo que aprendeu desde que começou a trabalhar na pastelaria. Uma delas passa por ensinar outras pessoas. A empresária criou a Anita Academy, onde organiza workshops presenciais e cursos online dedicados a técnicas de pastelaria e decoração.
A marca também deixou de depender exclusivamente das pessoas que entram nas lojas. Além das encomendas através da Internet, participa em casamentos e outros eventos, onde pode aparecer através de diferentes formatos móveis. Entre eles encontram-se food trucks, caravanas e até uma bicicleta de gelados, soluções utilizadas para levar os produtos para fora dos espaços físicos.
As redes sociais tornaram-se outra montra importante. A Anita Cakes soma mais de 18 mil seguidores, onde bolachas, brownies e bolos decorados funcionam também como forma de apresentar o trabalho a potenciais clientes muito além de Maiorca.
O crescimento levou Anita a começar a pensar no próximo passo. Entre as possibilidades já referidas pela empresária está transformar a Anita Cakes num modelo de franchising, o que permitiria levar a marca para outras cidades espanholas.
Madrid e Barcelona estão entre os destinos considerados, assim como uma eventual presença num aeroporto. A expansão, contudo, não deverá acontecer apenas para aumentar o número de lojas. Depois de mais de uma década a fazer contas ao custo de ingredientes, equipamentos e horas de trabalho, Anita quer garantir que cada novo passo é sustentável.
O objetivo é ambicioso: levar a marca cada vez mais longe. Mas a empresária já aprendeu que, num negócio de pastelaria, vender muitos bolos pode impressionar — e que, às vezes, são as bolachas que realmente fazem as contas bater certo.








