Gourmet e Vinhos

Deixou a McKinsey para fazer croissants. Agora vende 400 doces por semana

A antiga consultora estudou pastelaria em Paris e começou o negócio num apartamento. O próximo objetivo é chegar às mil unidades.

Stanford, McKinsey e uma carreira no setor tecnológico. O percurso de Hali Mo, de 31 anos, parecia destinado a trabalhar nas maiores empresas e acumular cargos de gestão. Só que havia outra coisa a ocupar grande parte do tempo livre: fazer croissants, folhados e outros doces em casa.

No início de 2024, decidiu mudar de vida. Despediu-se do emprego, foi para Paris estudar pastelaria e transformou essa paixão num negócio. Hoje, está à frente da Hali Home Bakes, uma micro-padaria de inspiração francesa e asiática, em São Francisco, nos Estados Unidos, que produz cerca de 400 unidades por semana.

“Queria acordar todos os dias e fazer algo de que gosto”, explicou Hali, ao jornal britânico “International Business Times”, que contou a história da empreendedora.

A mudança não aconteceu de repente. Hali formou-se na Universidade de Stanford, onde estudou Economia e Ciências da Computação, e passou pela McKinsey, primeiro como analista de verão e depois como consultora. Trabalhou ainda em consultoria de design antes de chegar à startup CloudTrucks, onde assumiu o cargo de senior product manager.

Enquanto construía este currículo, continuava a passar as manhãs antes do trabalho e as noites na cozinha. A pastelaria já ocupava uma parte importante da sua vida e Hali começou a partilhar as experiências nas redes sociais através do projeto Halicopter Away.

A comunidade cresceu. Hoje soma mais de 120 mil seguidores entre Instagram e TikTok, uma audiência que acabou por se tornar numa montra importante para o negócio.

Ainda assim, nem tudo corria bem na cozinha. Em março de 2020, quando tentou fazer croissants pela primeira vez, o resultado ficou, segundo a própria, mais próximo de uma bolacha. Continuou a experimentar até decidir que queria aprender as técnicas a sério.

 
 
 
 
 
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Quando a jovem abandonou o setor tecnológico, mudou-se para Paris, em 2025, e entrou na Ferrandi, uma das escolas de gastronomia e hotelaria mais conhecidas de França. Foi ali que aprofundou as técnicas de pastelaria francesa antes de avançar com o negócio.

A Hali Home Bakes não nasceu numa loja com montras cheias e dezenas de funcionários. A primeira versão do projeto surgiu no apartamento de Hali, em Nova Iorque, em 2024, e as vendas iniciais ficaram longe das 400 unidades que produz hoje.

Aliás, logo no arranque, tinha dificuldade até para vender uma dúzia de caixas. A estratégia passou por trabalhar sobretudo através de pré-encomendas. Em vez de produzir grandes quantidades e esperar que apareçam clientes, Hali sabe com antecedência grande parte daquilo que precisa de preparar. Segundo explicou, o sistema ajuda a reduzir o desperdício, organizar a produção e proteger as margens do negócio.

A marca também não funciona como uma pastelaria tradicional aberta todos os dias. As vendas concentram-se em lançamentos semanais, encomendas, catering e eventos pop-up em cafés e mercados. É uma estrutura que permite manter os custos fixos mais controlados enquanto a procura cresce.

Fazer 400 doces por semana também está longe de significar colocar algumas formas no forno todas as manhãs. Cada fornada pode exigir um mínimo de três dias de trabalho, entre preparar a massa, laminar, moldar e levar ao forno.

É aí que Hali mistura aquilo que aprendeu em Paris com as suas origens asiático-americanas. Pelo menu já passaram criações como folhados de cebolinho com chilli crisp e versões franco-asiáticas dos tradicionais mooncakes.

Em 2025, por exemplo, preparou sabores como sésamo preto e maracujá, matcha e pistácio, feijão vermelho com gema de ovo e chocolate com praliné de avelã.

Começar outra vez do zero

Depois da experiência em Nova Iorque, Hali regressou a São Francisco e voltou quase ao ponto de partida. Começou de novo no apartamento e chegou a transportar os doces até ao topo do Lafayette Park, onde os clientes iam buscar as encomendas.

Entretanto, o negócio cresceu o suficiente para obrigar a uma mudança. A empreendedora passou para uma cozinha profissional, equipada com uma laminadora elétrica, um congelador de duas portas e dois fornos de tamanho industrial. Aos sábados, vende também os produtos no Morella, na zona da Marina, em São Francisco.

A mudança aumentou a capacidade, mas trouxe novas despesas fixas. Hali descreveu o novo espaço como aquilo com que tinha sonhado enquanto fazia os primeiros doces em casa.

O modelo continua assente nas pré-encomendas e nos pop-ups, além de aceitar pedidos de catering e encomendas para grupos através do site da marca.

O próximo objetivo é chegar às mil unidades por semana, um aumento de 150 por cento face à produção atual. Para conseguir fazê-lo, começou a procurar um pasteleiro em part-time que possa dividir consigo o trabalho da cozinha.

É um cenário muito diferente daquele que tinha quando saiu de Stanford para construir uma carreira na consultoria. Hali trocou apresentações, reuniões e desenvolvimento de produtos por massas que precisam de três dias para ficarem prontas. E, 400 doces por semana depois, já está a preparar a próxima fase do negócio.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos doces criados por Hali e descobrir melhor o projeto que trocou a tecnologia pela pastelaria.

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