Gourmet e Vinhos

Depois das estrelas, os sóis: guia gastronómico da Repsol chega finalmente a Portugal

Existe há 45 anos e é um dos grandes concorrentes do guia Michelin. Arranca trabalhos em território nacional lá mais para 2025.
O guia que conta chegar a Portugal em 2025.

O Soles Guía Repsol é o mais popular guia gastronómico dos nossos vizinhos espanhóis. Como o próprio nome indica, a suas estrelas de avaliação são substituídas pelos famosos sóis, que começarão a ser distribuídos em 2025. Ou pelo menos é essa a pretensão, ainda que “não seja possível confirmar” a data da chegada oficial, explica Maria Ritter, diretora da marca, citada pelo “Público”.

A ideia passa por replicar os mesmo moldes na edição portuguesa, com foco na valorização e reconhecimento de restaurantes com cozinha de qualidade. À semelhança do que aconteceu com a Michelin, a concorrente da marca de pneus pretende fazer tudo tal qual é feito em Espanha — com inspetores recrutados por cá e com uma gala para entregar as distinções

O modelo funciona há 45 anos no país de origem e procura, sobretudo, privilegiar a grande proximidade entre a gastronomia e os consumidores locais. “A classificação não pode decorrer apenas do cumprimento de uma lista específica de requisitos. O cliente não vai ao restaurante para analisar o tipo de talheres ou o tamanho das toalhas, vai para desfrutar e sair satisfeito e por isso é que a nossa avaliação resulta de uma apreciação global daquilo que pode conduzir ao prazer gastronómico”, explicou Ritter durante a cerimónia de 2024.

A festa decorreu em Cartagena, com a presença de  98 restaurantes. O envolvimento português foi assinalado através de três reconhecidos chefs: João Rodrigues (Canalha), Vasco Coelho dos Santos (Euskalduna) e Rodrigo Castelo (Ó Balcão), que assistiram a toda a cerimónia e à entrega dos prestigiados sóis. A grande vencedora da 45.ª edição foi La Salita, de Begoña Rodrigo — restaurante em Valência que já detinha uma estrela Michelin e conquistou os três sóis, a distinção máxima. 

O sol é a marca do guia.

“O Guia faz 45 anos este ano e festejámos não só o facto de termos acompanhado a gastronomia ao longo deste tempo, mas também o momento muito bom que o meio atravessa. E isso eu acho que é internacional e que em Portugal acontecerá o mesmo”, acrescentou a diretora. Tendo em conta que a empresa já tem um sistema testado, desenvolvido em parceria com o Basque Culinary Center, será fácil montar uma réplica em Portugal.

Embora o termo técnico se refira aos avaliadores como “inspetores”, Ritter confessa que não gosta da expressão. Prefere vê-los como “descobridores, gente do terreno que conhece as tradições, os produtos e os cozinheiros”. Há ainda um detalhe que não deve escapar a quem cumpre as funções: devem ser do país que de facto inspecionam e “isso não se pode alterar, porque dá personalidade”. Os da Galiza são galegos, os da Extremadura são da Extremadura. São as pessoas que estão na rua, que conhecem os produtos e os cozinheiros”, sublinha.

As classificações funcionam de um a três sóis, começando pelo estabelecimento com qualidade e serviços bons o suficiente para recomendar a um amigo, digno de um regresso, até àqueles que se distinguem pelo domínio da técnica e a procura pelos melhores produtos. Por fim, a pontuação máxima fica reservada para aqueles que justificam a viagem e representam uma experiência singular, com garrafeira a condizer, onde tudo funciona perfeitamente. 

Ritter resume que o grande objetivo do guia é “aconselhar lugares que funcionem, que o cliente sinta que têm a ver com ele. Tem de ser, ao mesmo tempo, útil para o cliente, importante para a comunidade gastronómica ao reconhecer talento e criar protagonismo, tem que gerar dinâmica que seja boa para a economia”.

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