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Descoberta inédita: afinal, há mesmo trufa de verão em Portugal

O cobiçado ingrediente foi descoberto por Tanka Sapkota na região Oeste e tem um "aroma fantástico".
Uma descoberta inacreditável.

Tanka Sapkota podia muito bem ser conhecido como o “cavaleiro da trufa”. O chef nepalês tornou-se famoso pela mestria na preparação de clássicos italianos, por ser proprietário da melhor pizzaria do País, a Il Forno D’Oro, e também por trazer de Itália para Lisboa exemplares gigantes deste fungo. Agora juntou mais um feito incrível ao curriculum: descobriu, pela primeira vez em Portugal, trufa preta de verão.

A descoberta foi feita nos concelhos de Alenquer e Sobral de Monte Agraço, na região Oeste, fruto de uma parceria com a Universidade de Évora. O achado, já foi atestado por diversos investigadores e agora poderá ser provado em vários pratos do chef em Lisboa.

“Até ao momento, encontrámos cerca de 15 quilos de trufa negra na zona de Alenquer e proximidades. Foi uma descoberta surpreendente que nos deixou bastante entusiasmados e convictos de que haverá muito mais quantidade em solo português”, disse Tanka Sapkota, chef e proprietário dos restaurantes Come Prima, Forno D’Oro, Il Mercato e Casa Nepalesa.

Com um historial já longo no que toca a este tipo de produto, Tanka Sapkota reconhece ser este “um dia muito especial”, uma vez que se trata da primeira vez que é encontrada trufa negra de verão em Portugal.

Corria o ano de 1992, quando Tanka Sapkota começou a trabalhar com este ingrediente único. Em 2018, trouxe para Portugal uma com 1.153 gramas, a maior da década recolhida na Europa e uma das maiores jamais apanhadas. a. Em 2023 dedicou-se à caça à trufa ao longo de várias semanas. Percorreu várias zonas estratégicas do país, acompanhado por duas cadelas pisteiras e o caçador de trufas italiano Giovanno Lungo. Para os orientar tiveram a parceria do Ministério da Agricultura, Ministério do Ambiente, Instituto Superior de Agronomia e as Universidades de Évora, Coimbra e Lisboa, que forneceu dados importantes para ajudar na pesquisa.

A caça à trufa é quase um “desporto” para muitos aficionados. Esta espécie de fungo que se desenvolve no subsolo junto às raízes de árvores, como carvalho ou castanheiro, é tão difícil de encontrar que são necessários cães treinados que a detetam pelo faro.

Normalmente crescem em zonas de clima temporado, como França e Itália, mas cimo são tão escassas, difíceis de colher e transportar, o preço de venda é sempre muito elevado. Esta descoberta pode ter um impacto muito positivo na economia e na cozinha por cá. “Estamos a falar de trufas que podem atingir um preço elevado por quilo. O que poderá, sem dúvida, trazer algum dinamismo às regiões envolvidas”, explica o chef.

Tanka Sapkota vai dar a prova a trufa negra de verão que encontrou, mediante reserva, no restaurante Come Prima. Esta irá substituir a trufa branca de Alba nos pratos do espaço, como o crema di patate, uovo bio e tartufo fresco (13,95€), ou tajarin com salvia e tartufo nero fresco (19,95€) e tagliatelle ai funghi misti freschi (22,90€).

Leia também este artigo da NiT para ficar a conhecer melhor a história do chef Tanka Sapkota.

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