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A nova loucura japonesa: pescar noodles em cascatas de bambu

O prato não é novo e há quem lhe aponte as origens no século XVI. Foi pensado para o verão, mas requer alguma agilidade com os pauzinhos.
Vai ter de trabalhar para comer.

O esquema é simples: à frente de cada cliente, surge um longo tubo formado por caules de bambu. No seu interior corre um pequeno curso de água e, ocasionalmente, um aglomerado de noodles desliza a flutuar na água. É aqui que, com a ajuda dos pauzinhos, cada cliente apanha a sua dose e a come embebida em diversos molhos e caldos. 

O nome desta especialidade? Nagashi somen, que em português significa qualquer coisa como “noodles flutuantes” e é uma resposta aos quentes ramen — estes são os noodles ideais para sobreviver aos quentes meses de verão. A massa, neste caso mais macia e fina que a do ramen, é feita de farinha de trigo.

É necessária alguma agilidade com os pauzinhos para agarrar a massa, que segue a uma velocidade considerável. Assim que conseguir basta depois mergulhar a porção que apanhou no tsuyu, também frio. Os japoneses garantem que o sabor que se prova com aquele prato é o mesmo a que sabe o verão.

O caldo é geralmente uma mistura de molho de soja, caldo de peixe e um pouco de saquê. Os restaurantes dão ainda a opção de cebolinho, gengibre, myoga (gengibre japonês), wasabi ou até mesmo frutas cítricas como shikuwasa ao tsuyu para alterar um pouco o sabor.

Embora a tendência só tenha escalado nos últimos tempos, o prato não é novo. Existem diferentes histórias, contudo os japoneses defendem que o nagashi somen começou como um entretenimento na província subtropical de Okinawa durante o período Edo (1603-1868). Na altura, também face ao calor, os japoneses colocavam o somen na água límpida que escorria sobre as rochas, apanhavam-no e comiam-no apenas por diversão e para saborear a frescura.

Hoje em dia paga, em média, 9€ por um prato do género. Quando estiver a terminar, a equipa envia uma massa vermelha ou mais arrozada para informar. Logo a seguir é pedido aos clientes que pousem os pauzinhos para saborear então a sobremesa. O último prato são, normalmente, mochis com chá.

Caso não tenha uma viagem planeada para o Japão, onde este prato é tendência, pode fazer como alguns japoneses e prepará-lo em casa. Precisa apenas de algumas embalagens cilíndricas. Basta abri-las ao meio, unir cada metade pela extremidade inferior e superior e criar um género de uma calha. Depois é colocar água fria sempre a correar e preparar a massa com água e farinha, com espessura máxima de 1,3 milímetros.

Se, por outro lado, até está a pensar em viajar para o país asiático, o conselho dos mais entendidos é que vá até Shibuya, na fronteira com Tóquio. Lá encontra um restaurante, num complexo de golf que serve esta iguaria por 9,81€. O único problema é que tem de planear a viagem para os fins de semana entre junho e setembro, altura em que o prato é servido. É preciso reservar com antecedência, em japonês e geralmente só atendem o telefone nesses dias também. 

Outro muito popular fica nas montanhas em Kyoto e tem vista para as cascatas. Chama-se Hirobun e serve este prato entre maio e meados de outubro, consoante as condições meteorológicas. É que neste espaço os locais saboreiam o nagashi somen num género de varanda, por cima do rio Kibune. Uma dose custa 6€.

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