Gourmet e Vinhos

Francesinha de kebab do Leana que se tornou viral “é um atentado à gastronomia”

É uma adaptação criada por dois portugueses que viveram na Alemanha. Embora tenha gerado indignação, vendem 200 por dia.
A famosa francesinha.

Pão, carne de borrego fatiada, salsichas, bacon, fiambre, queijo e molho. Estes são os ingredientes da francesinha que instalou uma polémica nas redes sociais: de um lado os defensores que garantem que foi a melhor versão do prato que já provaram, do outro os que estão indignados com a afronta feita à receita original, por misturar a carne de kebab.

A sabedoria popular diz que “gostos não se discutem”, mas, pelos visto, não se aplica à comida. Quando se trata de pratos típicos, a mais pequena alteração pode ser considerada um verdadeiro atentado. Foi precisamente o que aconteceu a 20 de janeiro, quando Sabrina Cardoso, criadora de conteúdos de uma página de reviews de restaurantes, partilhou um vídeo sobre a francesinha de kebab do restaurante Leana, em Guimarães. A publicação tornou-se viral e os comentários de clientes particularmente indignados multiplicaram-se. A razão é simples: a alteração da receita original.

“É um atentado à gastronomia portuguesa”, defendem alguns, enquanto outros pedem o fim das “invenções”. “Estão estragar uma das melhores iguarias do nosso País”, argumentam. O vídeo já ultrapassou as 10 mil de visualizações e não faltam curiosos que querem saber como se prepara a versão kebab.

Vítor Torres, o proprietário, não percebe a recente indignação com o prato, uma vez que já o criou em 2008, altura em que abriu o primeiro Leana Bar. Filho de pais emigrantes na Alemanha, o luso-germânico, atualmente com 47, viveu vários anos naquele país europeu.

“No início dos anos 2000 o kebab era muito comum por lá. Todos adorávamos a carne fatiada, servida em pão pita. Mas cá em Portugal não era muito conhecido”, explica à NiT. Por isso, quando se mudou para a cidade onde a mulher Leandra nasceu, não teve dúvidas: tinha de trazer aquela iguaria para o norte do país.

Quando abriu o primeiro espaço da cadeia em Riba d’Ave (Famalicão) adaptou as receitas de alguns petiscos portugueses, que passaram a incluir a famosa carne de origem turca na lista de ingredientes. “Os portugueses não costumam apostar em sandes take-away, por isso não o podia servir de forma tradicional, tinha de o adaptar a pratos de mesa. E foi isso que fiz”, explica.

Começou pelos rissóis, almôndegas, pizzas e lasanhas. Porém, faltava uma especialidade a que poucos nortenhos resistem: a francesinha. “O grande segredo está no molho, por isso foi só trocar o bife de novilho que normalmente se utiliza, pela carne fatiada de borrego. O resto da sandes é comum”, explica.

A receita do molho especial é de Leandra Torres. “Só ela sabe todos segredo”, sublinha Vítor. No entanto, adianta-nos o que sabe: é feito à base de margarina, cerveja e tomate. “Fica muito macio, algo adocicado. Ao ser misturado com os sabores da carne, das salsichas e do bacon acaba por fazer uma explosão de sabores, que é muito apreciada.”

O proprietário garante que não percebe os comentários negativos, porque é o prato mais pedido nos três restaurantes — em Guimarães, Famalicão e Póvoa de Varzim. “Vendemos mais de 200 francesinhas de kebab diariamente. Normalmente, quem vem ao Leana pede sempre uma. Também fazer a versão tradicional, com bife de novilho, e uma vegetariana, mas a maioria prefere a nossa receita especial”, garante.

Caso queira provar a francesinha que gerou tanta polémica pode dirigir-se a um dos restaurantes Leana Kebab, Guimarães ou Riba d’Ave. Estão abertos do meio-dia às 15 horas e das 19 às 23 horas. A especialidade da casa com batatas fritas a acompanhar custa 13,45€.

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