O gelado imaculadamente branco e aveludado que sai das torneiras do Myka não é um gelado qualquer. Na sua origem está iogurte grego, complementado com kefir de leite de cabra “O que temos cá em Portugal não é cem por cento iogurte grego, é de estilo grego e isso faz imensa diferença”, explica Eduardo Costa. “O resultado é algo com mais suave, porque tem um pouco mais de gordura, imensos probióticos e com um travo especial.”
Este é o produto estrela do Myka, uma novidade absoluta em Portugal, não tanto em Espanha, onde o projeto nasceu pela mão de um casal que cedeu a Eduardo e Beatriz Costa o master franchise no nosso País. E apesar de terem sido os primeiros a garantir o franchise, a marca espalhou-se para inúmeros países da América do Sul e Médio Oriente, onde já tem espaço no Kuwait.
O encontro deste casal português com o gelado de iogurte grego aconteceu em Madrid, onde Beatriz morava e trabalhava na área financeira. Eduardo, que trabalhava na mesma área, viajava da Suíça para matar saudades. Os encontros terminavam invariavelmente à mesa do Myka da capital espanhola, a poucos metros da casa da portuguesa de 26 anos.
Em 2023 decidiram voltar, mas apenas numa condição. “Eu disse-lhe que aceitava casar com ele se pudéssemos trazer o Myka connosco”, graceja Beatriz. A verdade é que a promessa foi cumprida e no final de julho, a loja abriu portas em Campo de Ourique.
“A qualidade do produto foi o que nos motivou a trazê-lo para cá. Mas o que o distingue é mesmo a cremosidade e o sabor distinto”, explica Eduardo. Para lá dos elementos probióticos, a verdade é que não deixa de ser um gelado, adocicado com “uma pequena quantidade de açúcar”.
A versão original é a mais famosa e também a mais procurada, embora haja edições mensais com diversos sabores, anunciadas no início de cada mês. A abertura trouxe um gelado de iogurte grego com sabor a groselha e lavanda. Pode ainda encontrar, por estes dias, uma edição com figo e queijo feta.
Para quem não quer ou não pode comer iogurte, há também sorvetes com sabores que vão variando: julho trouxe o de alperce e o atual tem sabor a romã. Tudo para comer em copo (a partir de 4,2€), cone (4,6€), tulipa (6,2€) ou cone do Dubai (6€), revestido com chocolate e pistácio.
Escolhida a base, é hora dos toppings: é possível escolher os que quiser, mas também provar combinações pré-definidas como o Myka especial, com pistácio, compota de laranja amarga, mel e azeite (neste caso nacional, produzido precisamente na herdade da família de Beatriz).
“Os toppings são fruto da genialidade do casal que criou a marca, sobretudo da Natalia, que aproveitou o passado de formação em pastelaria”, explicam. Há opções aparentemente simples que potenciam o sabor do gelado como sal e azeite, bem como sugestões menos habituais como baklava, crumble, creme de pistácio. Entre toppings crocantes e molhos, as opções são quase infinitas.
“São tudo sabores que respeitam a Grécia”, apontam. Um cuidado que começa nos gelados e combinações e se reflete na decoração. “Tentámos imitar aqui as casas gregas, com aqueles acabamentos toscos.”
O que poderia ter sido uma tarefa relativamente simples e intencionalmente menos perfecionista, acabou por ser algo trabalhoso. “Foi difícil convencer as empresas a fazerem estar paredes. Estão formatados para fazer tudo liso. Precisámos de vários dias até acertarmos no estilo”, nota Eduardo.
O espírito grego e mediterrânico sente-se nas oliveiras à entrada, no chão empedrado e nas cerâmicas dispostas nas paredes toscas e de tons neutros, que não tem qualquer lugar sentado. Por ali, o espírito é o de pegar e andar. “Acaba por ser engraçado porque depois vemos as pessoas a passearem-se pelo bairro com o copo da Myka na mão.” E se quiser levar para casa para toda a família, também há à venda caixa grande de iogurte de 0,5 litros a 17€.
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