Gourmet e Vinhos

Há 47 anos que o chocolate não estava tão caro

A inflação não é a única culpada. O preço do cacau está em máximos históricos e um dos problemas são as alterações climáticas.
Os valores atingiram um máximo histórico.

O preço do cacau está mais caro do que nunca e, por conseguinte, também o dos seus subprodutos como o chocolate. O valor atingiu, no arranque de 2024, o máximo histórico de 5,38€ no mercado de Nova Iorque, revela a “BBC”.

A subida acentuada é algo que tem vindo a registar-se há já dois anos, o que tem provocado consequências naturais na indústria e, obviamente, também nas carteiras dos compradores. “Espera-se que os preços históricos do cacau limitem o crescimento dos lucros este ano”, referiu Michele Buck, presidente e CEO da Hershey Company. 

Só no quarto trimestre de 2023, a empresa viu o seu lucro de líquido diminuir 11,5 por cento, mas não foi a única. A Cadbury revelou que o aumento dos custos dos ingredientes, incluindo o cacau e o açúcar, é um dos seus principais desafios.

Ainda que a inflação tenha a sua quota parte de culpa neste assunto, não é o único fator apontado; as alterações climáticas também têm influência. A verdade é que na última temporada do cacau foram produzidas quase cinco milhões de toneladas em todo o mundo. A questão é que cerca de 60 por cento desse lote foi cultivado na Costa do Marfim e no Gana, segundo a Plataforma Suíça para o Cacau Sustentável.

Estas regiões produtoras podem tornar-se, até 2050, demasiado quentes para o cultivo do cacau, uma vez que o seu clima está mais seco do que o normal e isso já tem feito diminuir drasticamente o rendimento, afirma o relatório Endangered Aisle da Fundação Fairtrade.

Prova disso, é o facto de, por exemplo, a Agri-Way Partners ter informado a 21 de fevereiro que o Ghana Cocoa Board reduziu a sua previsão de produção para o mínimo de 14 anos. Como causas apontou as mudanças climatéricas, mas não só. Fala também no impacto do contrabando. O documento refere que a criminalidade foi responsável pela perda de 150 mil toneladas de cacau no Gana na última temporada, o que representa a perda de cerca de 550 milhões de euros.

“É pouco provável que os produtores cumpram alguns dos seus contratos para uma segunda época”. Consequentemente, as fábricas da região vão interromper o fabrico, uma vez que não têm capital para comprar os grãos crus, informa a Reuters.

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