Gourmet e Vinhos

O arroz Uncle Ben’s vai mudar de nome para evitar estereótipos raciais

Sete décadas depois, a famosa marca vai ceder às críticas — e o empregado de mesa Frank Brown vai ser retirado do logótipo.
As caixas vão mudar

Ao fim de 77 anos de história, o nome da famosa marca de arroz vai mudar. Não era nada que não se esperasse, já que a Mars Food, empresa que detém a marca prometeu, ainda em junho, rever todos os produtos de acordo com o contexto atual.

Os protestos que exigiram igualdade racial e uma justiça igualitária alastraram pelo mundo após a morte de George Floyd e encurralaram algumas marcas famosas, que foram obrigadas a rever nomes e imagens que remetiam para estereótipos anteriormente aceitáveis — e que hoje são altamente reprovados pelo público. Foi o caso da figura que há décadas surge em todas as caixas de arroz da Uncle Ben’s, o já célebre Tio Ben.

Aquele que foi, durante muito tempo, o arroz mais vendido no mercado norte-americana, opta agora por abolir a figura do homem negro da sua imagem, alterando também o nome para Ben’s Original. A decisão ocorre depois do surgimento de muitas críticas à marca, acusada de perpetuar os estereótipos raciais — tio e tia eram os títulos usados para se referir a negros nos estados sulistas do país muito marcados pelo racismo, ao contrário do que acontecia com os brancos, tratados com respeito por miss ou mister.

Um antigo anúncio da marca, durante décadas líder de mercado nos EUA

A nova imagem da marca deverá chegar aos mercados apenas em 2021. “Ao fim de várias semanas, ouvimos milhares de consumidores, os nossos parceiros e outros acionistas de todo o mundo. Compreendemos as desigualdades associadas ao nome e face da nossa antiga marca e, como anunciámos em junho, estamos empenhados em mudar”, revelou Fiona Dawson, executiva da Mars Food.

A verdade é que a personagem Uncle Ben é fictícia, inspirada num produtor de arroz afro-americano do Texas. A face começou a ser usada em 1946, e essa sim pertence a um empregado e cozinheiro de um restaurante de Chicago chamado Frank Brown. E pelo menos até 2007, Brown surgia nas caixas vestido de empregado de mesa, algo que mudou nesse ano: para dar outra imagem, a Uncle Ben’s vestiu-o na pele de diretor-executivo. Uma estratégia de marketing para passar a imagem de que o homem negro na caixa seria, eventualmente, o dono.

Esta mudança não foi a única motivada pelo crescimento do movimento Black Lives Matter. Também a famosa marca de xarope de ácer Aunt Jemima (Tia Jemima) decidiu, em junho, repensar toda a sua imagem. Do logótipo desapareceu a imagem da mulher negra que em tempos se vestia de figura dos mal-amados minstrel shows — espetáculos teatrais nos quais atores brancos se pintavam de negros e retratavam, de forma racista, a comunidade negra.

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