gourmet e vinhos

O guia perfeito para conhecer melhor os vinhos portugueses (e surpreender os amigos)

Percorremos o País para mostrar quais as castas típicas de cada região e as principais características de cada uma.
O guia para perceber tudo ainda melhor.

O que distingue um vinho do Alentejo de um do Douro? Será que há algum melhor para acompanhar peixes, outro para carnes ou petiscos ao final da tarde? Há sempre várias questões a fazer na altura de escolher um vinho. Quisemos dar uma ajuda e preparámos um guia perfeito com todas as regiões do País com as castas que melhor os identificam e as suas principais características.

A enóloga Madalena Sena Esteves explica à NiT que podem sempre existir blends com várias castas que resultam em vinhos muito mais ricos. Neste caso, com a ajuda da enóloga, traçamos um perfil geral de cada uma das regiões, com as castas predominantes e mais características. Sugere ainda que tipo de pratos pode acompanhar com cada um dos vinhos que se encontram nessas zonas do País.

Algarve

Castas típicas: Negra Mole e Arinto

“A Negra Mole é uma casta tinta que origina vinhos de cor muito aberta e ligeiros de sabor, porém bastante aromáticos e frutados”, explica Madalena Sena Esteves. Neste caso devem ser servidos com  pratos típicos do Algarve, com peixe e legumes. Já a Arinto é uma casta branca que se encontra um pouco por todo o País.

“A casta pode chamar-se também Pedernã e produz vinhos minerais e elegantes, com sabores predominantes a maçã e limão.” As sugestões de mariscos, saladas, comida asiática e bacalhau vão bem com este tipo de vinhos. “Têm também um grande potencial de guarda devido à sua acidez, isto é, podem encontrar-se grandes arintos já com alguma idade, com maior complexidade.”

Alentejo

Castas típicas: Trincadeira e Antão Vaz

A Trincadeira “produz vinhos com sabores muito vivos a framboesas, picantes, apimentados e algumas notas vegetais/plantas aromáticas, mantendo uma acidez muito fresca”. É nas regiões quentes e secas que esta casta se dá melhor. “Acompanha bem pratos elaborados de peixe, guisados e carne de caça”, explica a enóloga.

Já em relação ao Antão Vaz refere que “dá origem a vinhos estruturados, firmes e encorpados, embora por vezes lhe falte acidez, pelo que muitas vezes é usada em lote com a casta Arinto e Roupeiro que contribuem com uma acidez mais viva”. Aqui pode encontrar aromas a ananás, papaia e casta de tangerina. É uma boa opção com peixes grelhados e marisco.

Infografia de Maria Esteves.

Península de Setúbal

Castas típicas: Castelão e Moscatel de Setúbal

A Castelão é uma das castas mais plantadas a sul do País. “Produz vinhos frutados com aromas a framboesas e frutos silvestres, fortes e elegantes podendo evoluir para notas de tabaco.” É uma boa opção para acompanhar queijos de pasta dura, carnes de caça e bacalhau no forno. “É uma casta que mostra o seu melhor nos solos arenosos da Península de Setúbal”, explica.

A Moscatel de Setúbal dá origem ao conhecido vinho fortificado, com uma percentagem de álcool que pode chegar até aos 18 por cento. “É o vinho indicado para acompanhar sobremesas regionais como o pão-de-ló ou mesmo o queijo de Azeitão.”

Lisboa

Castas típicas: Arinto e Aragonez (Tinta roriz)

“A região de Vinhos de Lisboa tem sido uma das regiões que mais se desenvolveu, conhecida antigamente como região de vinhos da estremadura, mudou o seu nome tornando-se assim uma região mais conhecida a nível internacional”, começa por dizer a enóloga sobre esta região.

A Aragonez também aparece um pouco por todo o País. “É uma casta tinta que produz vinhos finos e elegantes, com aromas a frutos vermelhos, ameixas e amoras. Com taninos firmes, origina vinhos com bom potencial de envelhecimento.” Acompanha com carnes guisadas, bacalhau e pratos de peixe.

Já em relação à Arinto nesta região, Madalena Sena Esteves diz que “é a casta por excelência da região de vinhos de Lisboa, dando nome aos famosos Arintos de Bucelas, que é a sub-região onde a casta se expressa melhor”.

Tejo

Castas típicas: Fernão Pires e Castelão

A casta Fernão Pires “produz vinhos brancos leves, frutados com elevada intensidade aromática a flores como rosas e também um perfil citrino a lima, limão e laranja”. A esta casta dá-s bem em climas mais secos e quentes. “É uma variedade que liga bem com marisco, peixes gordos e carnes grelhadas”.

Bairrada

Castas típicas: Arinto (Maria Gomes) e Baga

“A Baga é uma casta tinta famosa pela sua acidez marcante e capacidade de envelhecimento.” Traz aromas a frutos silvestres, ameixas pretas, mas também café, erva seca e algum toque fumado. “Harmoniza perfeitamente com leitão, pato e carnes de caça. É também uma casta muitas vezes usada como base para espumante nesta região”, conta a enóloga.

Beira Interior

Castas típicas: Síria e Tinta Roriz

A Síria é a casta mais presente na região. “Com aromas que podem variar entre os mais cítricos como limão e laranja, podem encontrar-se algumas notas de toranja e hortelã.” Produz vinhos frescos e com boa acidez. “Vai muito bem com pratos de peixe gordo e enchidos da beira.”

Já a Touriga Nacional é outra das castas tintas muito usadas em Portugal. É muito usada em vinhos do Porto, mas também em referências do Dão, Beira Interior, Alentejo. “É uma casta bastante aromática, com um aroma floral de violetas, estevas, e também de alcaçuz, groselhas e framboesas.”

Queijos de pasta dura, massas elaboradas, churrasco e charcutaria são algumas das melhores escolhas para o esta casta.

Dão

Castas típicas: Encruzado e Alfrocheiro

“A Encruzado é casta branca que produz vinhos elegantes, equilibrados e completos, com aromas a flores e citrinos e um carácter muito mineral”, conta a enóloga. “Quando combinada com estágio em madeira, origina vinhos com capacidade de envelhecimento, que ganham muita complexidade ao longo dos anos”, continua. É a ideal para peixes gordos, bacalhau, marisco, aves de caça e risotto.

Já a Alfrocheiro é uma casta tinta, que produz vinhos com muita cor. “Aromaticamente podem encontrar-se frutos silvestres como amoras e morangos. Acompanha bem cabrito e pratos de carnes, bem como queijos pastosos como Queijo da Serra da Estrela.”

Douro

Castas típicas: Touriga-Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão

A região onde se produz vinho do Porto está cheia de castas características. O destaque da enóloga vai para a Touriga Franca. “Produz vinhos aromáticos com aromas a ameixa preta, frutos silvestres e notas florais. É uma das cinco castas recomendadas para o vinho do Porto e é geralmente usada em lote com outras castas. Combina bem com bacalhau, polvo, charcutaria e carnes vermelhas.”

Vinhos Verdes

Castas típicas: Alvarinho e Vinhão

“ A Alvarinho é uma casta branca  produz vinhos minerais, cheios de caráter, com notas predominantes a citrinos, pêssegos e frutos tropicais.” Por vezes é combinada com outra que encontramos na região, a Loureiro. “Por ser uma casta que tem vindo a revelar a sua ambivalência e qualidade, tem-se propagado para o sul de Portugal.”

Já a Vinhão é a casta por excelência dos vinhos verdes, muita  vezes também chamada de Sousão. “É uma uva que dá origem a vinhos com cor carregada, opacos  – sendo esta uma característica bastante atractiva para fazer os vinhos do Porto.” É a melhor escolha para pratos como arroz de lampreia e pratos condimentados.

Távora-Varosa

Castas típicas: Alvarelhão e Bical

Este é a região reconhecida pela sua produção de espumantes. A Alvarelhão, aqui uma das mais dominantes, é uma casta tinta que dá pouca cor ao vinho. “De acidez elevada origina vinhos com alguma vivacidade, com aromas a ameixas pretas, anis, toques de café e de couro. Acompanha bem pratos de carnes vermelhas, em especial porco ou carne de caça.”

Já a Bical, outra das mais encontradas, “origina vinhos aromáticos, macios e frescos, com aromas a frutas tropicais”. É muitas vezes usada em espumantes e combinada com outra casta, o Cerceal. “Acompanha bem marisco, ostras, peixe e carnes brancas.”

Trás-os-montes

Castas típicas: Tinta Amarela  e Viosinho

A Tinta Amarela corresponde também à Trincadeira que aqui já falámos. “Os vinhos são tendencialmente florais, mais vegetais quando a maturação é deficiente, ricos em cor e acidez, ligeiramente alcoólicos e com boas condições para envelhecer bem em garrafa.” É uma boa opção para pratos fortes de feijoada ou cabrito assado.

Apesar de pouco aromática, a Viosinho oferece um excelente equilíbrio entre açúcar e acidez, proporcionando vinhos estruturados, encorpados e ricos em álcool”, explica a enóloga. Peixes gordos, saladas e mariscos são as melhores escolhas de pratos para acompanhar.

Açores

Castas típicas: Terrantez e Verdelho

São duas castas brancas as que mais definem a região. Terrantez é mais encontrada na Ilha do Pico. “De aromas florais, com acidez completa e bastante salino, é um vinho muito fresco. Podem encontrar-se algumas notas de chá, iodo e bergamota.” É perfeito com peixes grelhados, saladas e marisco.

A Verdelho é outra das castas típicas da região. “Não sendo nem o mesmo Verdejo plantado em Espanha, nem o mesmo Verdelho que se chama Gouveio no continente”, avisa. “Aromaticamente exuberante mostrando bem o terroir açoriano, fazendo lembrar fruta tropical como ananás, maracujá. é um vinho que acompanha bem ostras, marisco , peixes grelhados e saladas”, continua.

Madeira

Castas típicas: Malvasia, Boal, Sercial, Tinta Negra , Verdelho

A enóloga destaca nesta região a Tinta Negra. “Apresenta uma cor violeta, aromas a pétalas de rosas, violetas e frutos vermelhos, origina vinhos elegantes e frescos. É uma casta muito usada para produzir o célebre vinho da Madeira, licoroso, sendo usada especialmente para os vinhos da madeira mais jovens.” Merece os típicos pratos da região à mesa, como o atum, espetada ou um marisco.

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