Gourmet e Vinhos

O negócio do vinho australiano está em crise e a culpa é da China

O aumento dos impostos sobre estes produtos tornou a comercialização quase impossível.
Novas taxas estão a deixar produtores em crise

Desde novembro de 2020 que o setor do vinho na Austrália atravessa uma grave crise. O motivo tem a ver, sobretudo, com problemas na exportação dos produtos para a China. Nos últimos anos, o mercado chinês passou a consumir muito mais vinho e um dos favoritos é o produzido na Austrália. Isto faz com que muitos produtores tenham aquele país asiático como o seu principal destino de exportação e até como maior cliente.

As novas taxas e impostos aplicados pela China ao vinho e produtos australianos desde novembro tornou o negócio impraticável. Estas regras estão inseridas na “investigação anti-dumping”, que pretende acabar com essa forma de comércio através da qual uma ou mais empresas de um país tentam vender os seus produtos a outro por um preço muito mais baixo do que aquele que é considerado justo.

Embora a justificação dada pela China seja a de que esta tentativa de acabar com a estratégia comercial esteja a prejudicar os comerciantes locais e que vende os vinhos australianos demasiado barato, poderá não ser bem assim. Tudo porque a relação entre os dois países não é a melhor e os chineses já tinham até ameaçado este boicote à entrada de produtos da Austrália e à saída de turistas e estudantes para aquele país no caso de insistirem em que fosse feito um inquérito à origem do coronavírus que provocou esta pandemia.

No caso da empresa vinícola Jarressa Estate, dirigida por Jarrad White, cuja história é contada pela “CNN”, passou de vender sete milhões de garrafas por ano — cerca de 96% do seu vinho — em meados de 2020, para zero desde a entrada em vigor das novas taxas. Esta situação vai manter-se assim enquanto o mesmo acontecer com as taxas, o que provoca o armazenamento de centenas de milhões de garrafas.

“Isto está a prejudicar-nos dramaticamente. Tínhamos muita mercadoria que tem de ser paga e todas essas encomendas que planeávamos enviar, por isso deixou-nos numa situação incómoda”, queixaram-se os responsáveis pela empresa australiana.

Além do setor do vinho, afetado ainda por toda a crise criada pela pandemia, os setores da carne e da madeira têm sido fortemente prejudicados com estas novas medidas.

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