Gourmet e Vinhos

O novo World of Wine é o paraíso dos amantes de vinho — mas não só

No museu do vinho em Gaia adivinham-se aromas e aprendem-se lições. No final, há um mundo de comida, bebida e vistas panorâmicas.
Vai ser o sítio mais cool do verão na cidade.

O dia ameno de agosto não dificulta a subida da marginal do cais de Gaia até à pequena entrada na rua do Choupelo. Ao fundo ainda se ouvem as últimas marteladas, os retoques finais estão frescos e a entrada está parcialmente coberta com um painel que tapa os trabalhos da Escola de Vinho, um dos elementos por apresentar neste World of Wine que nasceu na encosta sul do Douro na passada sexta-feira, 31 de julho.

O projeto ambicioso que começou a ser construído no início de 2018 tem mais de 55 mil metros quadrados e ocupa os velhinhos armazéns de vinho do Porto pertencentes à The Fladgate Partnership. O grupo que detém as marcas Taylor’s, Croft ou Fonseca, mas também hotéis como o The Yeatman, Infante Sagres ou Vintage House no Douro, fez um investimento estimado em mais de 100 milhões de euros para criar um novo quarteirão na cidade, totalmente desenhado em torno do vinho.

Sem o vinho, nada disto existiria e é também por esse motivo que neste projeto megalómano — o espaço, quando finalizado, terá seis museus, nove restaurantes e bares, uma escola de vinho e um espaço de galeria para acolher exposições — se podem visitar todos os recantos, sendo que um deles é absolutamente indispensável. Falamos, claro, da Wine Experience.

O museu do vinho termina, claro, no wine bar.

O pequeno museu é uma espécie de curso intensivo sobre tudo o que tem a ver com vinho. O que são afinal os taninos? Como é que os solos influenciam as vinhas, as uvas e o sabor do vinho? E ninguém vai duvidar que é um especialista quando lhes explicar o que é um Guyot Duplo.

Pelo caminho, há também espaço para algumas experiências interativas, entre quizzes mais descomplexados, experiências que o ajudam a descobrir os segredos dos sabores — tem até direito a um jelly bean — e um desafio onde é convidado a usar o olfato para adivinhar os aromas habitualmente presentes nos vinhos.

A experiência termina com o inevitável copo de vinho. Auxiliado por um dos mais de 300 funcionários do World of Wine, vai aprender como pôr todo o conhecimento em prática: como segurar devidamente no copo, analisar a cor, decifrar os aromas e finalmente provar o vinho.

Mesmo quem acha que sabe tudo sobre a bebida vai encontrar algo novo para descobrir nesta experiência que, naturalmente, se foca nas diversas e ricas regiões vitivinícolas portuguesas — e onde cada particularidade é dada a conhecer num espaço interior que recria uma rua típica portuguesa, onde em cada casa mora uma região, do Dão aos Açores.

Não parece, mas está dentro de um edifício.

Lá fora mora a nova praça de Gaia. Ampla, arejada, minimalista e com uma vista invejável sobre o casario da encosta ribeirinha do Porto. Devidamente desenhada para a abrigar os ventos fortes, serve de plataforma para aceder à maioria dos espaços de restauração. No topo, ao longo da fachada do principal edifício, mora o Angel’s Share, o imprescindível wine bar, estrategicamente colocado no final da Wine Experience para o convencer a pôr em prática os novos conhecimentos.

Além da extensa carta de vinhos, rodeada de cocktails, há tábuas de queijos e enchidos e até umas improváveis gyozas. E porque nem aqui se para de aprender: o nome remete para o processo de evaporação de decorre durante a produção do vinho, sendo esse desaparecimento apelidado pelos produtores da parte da bebida que pertence aos anjos.

O que não pertence aos anjos são os pratos dos dois espaços de fine dining do WoW. Enquanto o Mira Mira não abre — a inauguração acontecerá em simultâneo com a abertura do Porto Fashion & Fabric Museum, lá mais para outubro —, é na sala do 1828 que se avistam as criações mais requintadas.

Assente numa carta sazonal, combina produtos tipicamente portugueses com técnicas e sabores internacionais. É possível arrancar uma refeição com ostras, pepino e pérolas de yuzu (16€), saltar para o atum com puré de ervilhas e wasabi (24€) e terminar com uma das muitas sobremesas de chocolate como é o caso do gateau mi-cuit com gelado de baunilha (9€)

Um dos pratos do 1828, o espaço de fine dining do WoW.

A poucos metros de distância está o VP, mais simples e descomplexado, de carta exclusivamente preenchida com os típicos pratos portugueses. Do caldo verde (3€) à alheira de Mirandela (5€), passando pelas moelas (3,5€), a caminho de um bom bacalhau com broa (14€) ou uma posta mirandesa (15€), numa refeição arredondada com os velhos conhecidos toucinho do céu (3€) ou pudim Abade de Priscos (3,5€).

Lado a lado, está ainda o espaço vegetariano Root & Vine, cujas escolhas são quase todas elas veganas. Sem fundamentalismos, o restaurante permite que os clientes possam juntar aos pratos um peixe à escolha, vindo diretamente da cozinha do lado, a do Golden Catch, o outro conceito do WoW que se foca simplesmente no peixe fresco da costa nacional.

Há mais: no interior do edifício encontra-se o Suspiro, um café com direito a sobremesas portuguesas e de inspiração francesa; o Vinte Vinte, inserido no museu The Chocolate Story e que, claro, aposta nos doces achocolatados de fabrico próprio; e o ainda fechado café Lemon Plaza, instalado numa praça interior, que servirá de abrigo nos dias mais frios e chuvosos.

Nesta primeira fase, além do Wine Experience e do The Chocolate Story — que, à semelhança do primeiro, explica todo o processo de produção, das características dos terrenos, à forma com influenciam os sabores do chocolate —, é também possível visitar um museu dedicado à história da cidade, o Porto Region Across The Ages. E, por fim, a coleção privada do CEO da The Fladgate Partnership, Adrian Bridge, que no WoW exibe copos raros, alguns datados do ano 7000 a.C..

A agenda dos próximos meses será bastante preenchida para o novo quarteirão de Vila Nova de Gaia. O museu dedicado ao outro elemento essencial ao vinho, a cortiça, chama-se Planet Cork e abre as portas no sábado, 8 de agosto. Segue-se a Escola de Vinho em setembro e o Porto Fashion & Fabric Museum em outubro — local que destaca a indústria da moda portuguesa num edifício do século XVIII que esconde uma capela desenhada por Nicolau Nasoni, o homem que desenhou a igreja e a Torre dos Clérigos.
Visitar o WoW é completamente gratuito. Pago, só mesmo a entrada em cada um dos museus, cujos preços variam entre os 14€ e os 17€ para adultos e entre 7€ e 7,5€ para as crianças. Há ainda bilhetes para duas ou três experiências que custam respetivamente 23€ e 30€. E ainda preços promocionais para famílias, entre os 34€ e os 39€.

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