Gourmet e Vinhos

Os americanos andam a dizer bem dos nossos jesuítas ao resto do mundo

O "The Washington Post" elegeu as cinco iguarias que os turistas devem provar em Portugal, além dos pastéis de nata.
Fotografia: Facebook Confeitaria Moura.

Quem já provou alguns dos belos exemplares que compõem a doçaria tradicional portuguesa não tem dúvidas de que esta figura entre as melhores do mundo. Com grande variedade de sabores, aromas e texturas, vai muito além dos pastéis de nata, tão populares entre os turistas.

O “The Washington Post” já percebeu isso muito bem. “Comer pastéis de nata quentes, acabados de sair do forno, é uma das melhores razões para visitar Portugal — e deve fazer exatamente isso sem um pingo de vergonha. Mas se restringir a sua ingestão de açúcar a estes bolos que encontra em cada esquina, vai perder todo um mundo de pastelaria incrível”, começa por escrever Rafael Tonon, jornalista especializado em gastronomia, na publicação norte-americana.

O repórter destaca também o facto da tradição diversificada de sobremesas portuguesas se estender por séculos de história e milhares de receitas, que se explicam pela grande produção de açúcar natural, “primeiro na região insular da Madeira, depois na antiga colónia do Brasil”.

“Esta abundância levou à criação de muitos doces com amplas influências, desde monges e freiras católicas a padeiros artesanais que adotaram ingredientes como amêndoas, abóbora, canela e até carne de coelho”, acrescenta, para concluir que, “felizmente, mesmo as especialidades regionais podem ser encontradas nas lojas de grandes cidades como Lisboa e Porto”.

Elege, em seguida, as cinco iguarias que os visitantes precisam mesmo experimentar, para além dos pastéis de nata. Entre estes, depara-se com os jesuítas. “Embora o seu nome remeta para uma herança religiosa, e a sua cobertura se assemelhe ao vestuário usado pelos monges jesuítas, o doce foi trazido para Portugal por um pasteleiro espanhol contratado para trabalhar numa loja comum: a Confeitaria Moura, em Santo Tirso”, cidade no distrito do Porto, narra Tonon.

À NiT, Alda Moura, atual proprietária do negócio familiar que já vai na terceira geração, conta que, nos cinco espaços que tem — desde a fundação, em 1892, foram inaugurados três no Porto e um em Braga — vendem entre 800 mil e um milhão de jesuítas por ano. A unidade custa 1,25€.

Para o sucesso do doce, a responsável acredita que contribuem vários fatores. “O facto de apostarmos sempre numa matéria-prima de elevada qualidade e termos mantido a receita original ajuda muito. Não há corantes ou conservantes e tudo é feito no próprio dia com o cuidado e dedicação presente desde o início. A localização de Santo Tirso, que antes das autoestradas era uma via nacional, o que fazia da cidade quase um ponto de paragem obrigatório para quem se deslocava entre Porto, Braga e Guimarães, por exemplo, também favoreceu o fenómeno. As pessoas paravam para descansar e acabavam por ir à confeitaria e provar o jesuíta”, comenta.

A tradição familiar é outro fator importante. “Tínhamos o Colégio das Caldinhas, onde famílias muito nobres colocavam os seus filhos a estudar. Quando estes iam visitá-los ao fim de semana, passavam pela pastelaria. Temos muitos clientes que dizem lembrar-se de ir lá com os pais e avós quando estudavam”.

Vale lembrar que há um truque para comer este bolo típico de massa folhada, com forma de triângulo e cobertura de merengue: “É preciso abri-lo ao meio, com as mãos ou uma faca, e virar o açúcar para baixo, de modo a que este se torne o recheio, como uma espécie de sanduíche, explica Alda.

Carregue na galeria para conhecer as outras sugestões do “The Washington Post” para a pastelaria do nosso País.

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