O que começou por ser uma mercearia tradicional, é hoje um ponto de encontro que, em certas noites, reúne verdadeiras multidões. Quando a Mercearia Pachecas reabriu em outubro de 2024, a cinco minutos das Amoreiras, em Lisboa, já não se dedicava apenas aos produtos de conveniência básica, nem era apenas mais um ponto de venda.
Atualmente, o espaço ganha vida graças à vasta garrafeira, às opções de refeições leves e aos eventos eventos com DJ sets. Estes acontecem semanalmente, às quintas e sextas-feiras, a partir das 18 horas até às 22 horas. Durante a noite, a mercearia transforma-se num bar, onde os lisboetas se juntam para beber copos e ouvir música. Talvez isso explique o fenómeno da aglomeração de pessoas que ali se juntam pós-trabalho, convivendo, muitas vezes, na rua em frente ao espaço.
“É algo que ainda me fascina e também o que mais me orgulha. Conseguimos, no mesmo espaço, ter uma variedade de idades que vai dos miúdos de 20, a beber uns copos, a malta de 30, 40 ou até 60. Muitas vezes, temos pais e filhos a conviver”, explica à NiT a sócia-gerente, Vera Blek.
Tudo mudou quando, em março do ano passado, Vera se juntou ao projeto, inicialmente inaugurado em 2023, pela empresária Sara do Ó, diretora geral do grupo Your e presidente do conselho de administração da Ó Capital (que detém a Mercearia Pachecas), e Filipa Xavier de Basto. Percebeu que o potencial do espaço e deu-lhe uma nova imagem.
“Aquilo que queríamos era criar um bom ambiente para o final de tarde. Se esperávamos tanta adesão? Não”, admite. “Começou a criar-se um movimento bastante orgânico, mas era uma coisa que sentíamos que faltava em Lisboa. A comunidade conseguiu-se sobretudo, através do passa-a-palavra”.
A estratégia passou sobretudo pela introdução dos DJ sets, todas as quintas e sextas-feiras, com convites assentes na novidade. “Dou palco a quem está a começar. Não precisam de ser grandes profissionais, apenas artistas divertidos e que queiram arriscar”, continua Vera.
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Foi o que aconteceu precisamente na reinauguração, quando testou esta aposta com uma amiga que nunca tinha tocado para ninguém, exceto para amigos. “Disse-lhe que não fazia mal, porque tocava para nós. Afinal, ia ser só para amigos. Depois, vieram os amigos dos amigos.”
Com a chegada dos dias de sol, o cenário já é familiar. “Os mais velhos ficam lá dentro sossegados, enquanto os mais novos ficam cá fora a beber cerveja”, diz. “Sempre estive habituada a ir para sítios diferentes dos nossos pais, mas conseguimos juntar isso tudo na Pachecas. É muito giro.”
Uma oferta exclusiva e com qualidade
Outra das mudanças, em direção a uma “loja mais multiconceito” passou por uma curadoria cuidada dos produtos, que inicialmente se focava em propostas que se encontram nos supermercados. Passaram a procurar marcas exclusivas e que não se encontram facilmente na grande distribuição, muitas vezes em feiras locais ou internacionais.
Por lá encontra, por exemplo, compotas da Lota26, salames da Lisboeta, gelado da Gulato ou bolos da Pipa’s. Nos salgados encontra o presunto da Casa do Porto Preto, os queijos da Queijaria ou produtos de pastelaria do dobeco ou da Isco. Pode provar por lá, levar para casa ou para um jantar. “Não procuramos o gourmet, mas propostas de qualidade.”

“Alargámos o foco para incluir uma boa garrafeira”, continua Vera. Há rosés, tintos e brancos, mas também espumantes ou vinhos naturais, portugueses, franceses, suíços, espanhóis ou italianos. É um dos pontos de referência que criam o ambiente familiar que se vive também no interior.
Em parte, esse lado acolhedor é conseguido pela curadoria de peças de decoração, através de “um olhar mais moderno”. Há individuais da marca portuguesa Mariaida Home, os individuais e pratos coloridos da Talking Tables ou as jarras e outros objetos de cerâmica da &k Amsterdam, todos à venda na loja.
Seja eventos de marcas, lançamentos de livros, workshops (como de flores ou pintura) ou running clubs, há diversas dinâmicas a serem criadas para manterem a comunidade atenta. “Trabalhamos para não virem apenas beber uns copos, mas ter uma experiência completa”, garante.
O brunch continua
Para esta estação, a Pachecas está a pensar em apostar num “brunch mais desenvolvido ao fim de semana”, mas não dispensa os clássicos como a tosta de abacate (10€), ovos mexidos com bacon (8,50€) ou o combinado (12€), com iogurte da casa, pão, croissant ou pão de queijo, doce e manteiga, e café.
A grande novidade é o buffet que passaram a incluir à hora de almoço e que “tem corrido muito bem”, confessa. “Além de estarmos numa zona mais corporativa, há muitas pessoas que gostam de ter uma solução mais caseira durante a semana.”
O menu inclui sempre um prato fixo, que neste momento é o Rosbitas, o Rosbife do Bitas, a marca de take-away do espaço, servido com arroz e batata palha (11-15€) mas também outros pratos quentes, como canelones de espinafre, moqueca de peixe e camarão ou macarronada com conchilioni.
Em fase de expansão, a Pachecas deu um novo passo com a reabertura do Pub Lisboeta, no Príncipe Real, pensado para ser “uma mini Pachecas”. Em vez disso, manteve-se a alma do pub anterior e a equipa desenvolveu uma carta com mais petiscos portugueses e alguns cocktails à mistura.
Isto não significa, no entanto, que a marca da mercearia vai ficar pela Rua Artilharia. Já têm inaugurações previstas no Campo Novo, bairro onde ficava o antigo Estádio José Alvalade, bem como uma parceria no Carvalhal, na Comporta, com a loja Caju. E, possivelmente, mais um espaço no centro de Lisboa.
Carregue na galeria para ver mais imagens da Mercearia Pachecas e conhecer melhor o conceito.

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