Gourmet e Vinhos

Padre lança cerveja artesanal e biscoitos para recuperar uma igreja em Lisboa

O pároco Edgar Clara preparou uma série de iniciativas para angariar os 220 mil euros necessários para o restauro do património.
Chama-se Santa Cruz.

Para Edgar Clara, pároco da Igreja de Santa Cruz do Castelo, em Lisboa, a criatividade não tem limites. Quando descobriu que eram precisos 220 mil euros para restaurar altares e obras de arte da igreja, teve que arranjar ideias originais para conseguir financiar o restauro.

Além de visitas guiadas à igreja e ao bairro do Castelo de São Jorge, o pároco prepara-se para lançar esta segunda-feira, 8 de julho, uma cerveja artesanal de medronho e cardamomo, cujo preço ainda não foi divulgado. A bebida, produzida em Leiria, vai chamar-se Santa Cruz, e foi feita em parceria com o artista Afonso Cruz.

“Mandei fazer mil litros, portanto, vou ter o desafio de vender pelo menos três mil garrafas, é a primeira encomenda que fiz. A cerveja está a ser feita em Leiria, numa empresa que se chama Xô, e é evidente que o pouco que fiz foi estar com a equipa a trabalhar nas coisas essenciais, porque depois quem tem a ciência são os próprios profissionais”, disse em entrevista à Rádio Renascença.

Apesar de ser “apenas um padre que celebra missas”, provou todas as cervejas da empresa e admite que gostava de lançá-las todas, um dia. Ao “JN”, Edgar Clara explicou que a ideia veio na sequência de visitas que fez a igrejas de Itália e Alemanha, que o fizeram perceber que “em Portugal, a igreja e a cerveja têm um tipo de divórcio”.

Ainda assim, ao ver que o projeto é comum noutros países, achou o conceito “curioso” e decidiu aplicá-lo na sua paróquia. Além da bebida, está previsto o lançamento de um biscoito com o mesmo nome.

“Dá para metermos a Igreja de Santa Cruz na boca e na barriga de toda a gente, para que as pessoas saiam de cá marcadas não apenas como algo antigo, mas também algo que é da nossa cultura contemporânea”, disse à Rádio Renascença.

O biscoito será de alfazema e terá um “sabor completamente diferente daquilo a que estamos habituados no dia a dia”. “A nossa boleira, a Carina, deu-me a provar alguns para eu escolher e eu disse ‘isto é uma das coisas que nos entra pela nariz e raramente pela boca’”, adiantou o padre.

O lançamento da cerveja e do biscoito surge no mesmo mês em que vão arrancam as visitas guiadas à igreja e ao bairro do Castelo de São Jorge. Mais tarde, em outubro, também vai ser possível assistir ao restauro, ao vivo, de várias pinturas, outra das muitas iniciativas para conseguir reunir 220 mil euros para a preservação do património, que teve de ser reconstruída depois do terramoto de 1755.

Uma das fontes de receita continua a ser o miradouro em que se tornou a Torre Sineira da Igreja, à qual é possível subir desde há seis anos. “Uma das coisas que procuramos fazer é que o programa de restauro não seja apenas atrair as pessoas para deixarem o dinheiro, mas que as próprias pessoas possam admirar e contemplar a beleza, não apenas daquilo que temos neste momento, mas de tudo aquilo que temos e que veio por trás”, sublinha.

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