Gourmet e Vinhos

Paladar: a aplicação que o leva a partilhar refeições com estrangeiros em sua casa

Gonçalo Sampaio teve a ideia durante um interrail em que maior parte das suas refeições foram sandes.
Vai criar um espírito de comunidade.

Em 2019, Gonçalo Sampaio, agora com 22 anos, embarcou na viagem que mudaria para sempre a trajetória da sua vida. Parece dramático, nós sabemos, mas é verdade. Nesse ano fez um interrail com amigos por cerca de dez países e ficaram em muitos hostels onde conheceram pessoas de diferentes nacionalidades. No entanto, nunca daquelas dos países em que estavam. “Em Berlim conheci muitos ingleses, mas nunca alemães. Também íamos aos restaurantes e discotecas mais turísticas. Isto aconteceu em muitas cidades”, conta Gonçalo à NiT.

Nessa mesma aventura passou por aquilo que todos os que viajam num low budget passam. “A maior parte das nossas refeições eram sandes ou massas pouco variadas”, brinca. Num percurso de comboio para a Eslovénia, com a fome já a apertar, teve uma ideia semelhante ao conceito de couch surfing, mas ainda mais comunitária. Assim nasceu a aplicação Paladar, que numa fase inicial apenas estará disponível em Lisboa — mas até ao fim do ano deverá chegar ao resto do País.

A app quer aproximar os locais dos turistas através de refeições partilhadas. Os anfitriões abrem as portas das suas casas e cozinham para os que andam a conhecer Portugal (que podem vir em grupo ou individualmente). O objetivo é proporcionar uma experiência intimista e única para ambas as partes e criando momentos singulares — e amizades com pessoas de diferentes partes do mundo. Além disto, é uma forma de quem cozinha receber um rendimento extra, porque estes jantares são pagos, quase como se fosse um AirBnb. “Isto é turismo autêntico. Uma pessoa que visita Lisboa vai conseguir ter contacto com a população local, algo que é difícil com o turismo de massas que se faz hoje”, confessa.

A Paladar vai ser lançada na próxima quinta-feira, 6 de outubro e foi criada por Gonçalo e Jorge Santos um especialista na área de 35 anos. Na verdade, não foi com ele que o jovem de 22 anos começou a criar a app em 2020. Na altura, em 2020, tinha um outro sócio, que acabou por ir para os Estados Unidos, para a Cloudflare.

O antigo parceiro percebeu que não era viável programar dez horas por dia no emprego e depois chegar a casa e continuar a trabalhar na app. Para continuar com o sonho, Gonçalo procurou programadores na Internet para conseguir terminar a Paladar (e depois mantê-la ativa). Recebeu uma proposta da empresa Letras Binárias — que tem clientes como a Worten —, onde Jorge Santos trabalhava. Tornaram-se sócios e conseguiram concluir o projeto que começou há dois anos. Para aprimorar os seus conhecimentos do mundo empresarial, Gonçalo, que se licenciou em Direito em junho deste ano, está agora a tirar uma pós-graduação em Direito das Sociedades Comerciais.

Atualmente já contam com cerca de 40 anfitriões, ou Paladares, como se chamam na aplicação. “O nome é inspirado em Cuba. Os paladares cubanos eram restaurantes clandestinos. As pessoas abriam as portas das suas casas e faziam jantares que muitas vezes eram pagos com garrafas de azeite”, conta Gonçalo. Ele próprio esteve num destes “restaurantes” quando viajava pelo país.

Pode inscrever-se para receber “clientes” na aplicação que já está disponível na App Store e Google Play. “O anfitrião é que define o preço da refeição, o horário, e também podem recusar visitas”, realça. E acrescenta: “Têm toda a liberdade”. No seu perfil pode adicionar informações como o prato que está a pensar cozinhar, uma descrição e fotografias do mesmo. “É uma ótima forma de fazerem dinheiro sem horários fixos e compromissos”, conclui o jovem de 22 anos.

Carregue na galeria para ver alguns momentos do interrail que inspirou a criação da Paladar.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT