Se hoje em dia o gin é, provavelmente, uma das bebidas mais pedidas pelos portugueses, há uma década não era bem assim. A moda começava a pegar por cá e o interesse foi crescendo — não só da parte do consumidor, mas também dos empreendedores, que viram aqui a oportunidade de criar as suas versões deste produto recorrendo àquilo que temos em Portugal. António Cuco foi um desses homens: com algum engenho, fez nascer, em 2014, o Sharish Gin.
Não foi só a moda que o fez criar esta bebida em Reguengos de Monsaraz. Na altura, os amigos incentivaram António a lançar-se num negócio próprio, que tivesse mais a ver com ele.
“Os meus pais tinham um restaurante e um grupo de amigos meus começou a pedir gin. Depois, durante um almoço, alguém sugeriu que tivéssemos um gin da casa”, explica o produtor de 44 anos. Após muita pesquisa e testes caseiros, com recurso a uma panela de pressão que fez a vez do alambique para a destilação, nasceu este gin que hoje já é vendido em mais de 30 países, online e em garrafeiras locais, onde se inclui locais como os Estados Unidos ou Hong Kong.
O sabor, distingue-se por ser tipicamente português. É que António procurou aromatizar esta bebida com sabores que lhe eram familiares. Por isso, não conseguiu fugir às memórias de infância de quando a avó lhe dava maçãs Bravo de Esmolfe, que é uma variedade das mais aromáticas que existem, dando um sabor distinto ao Sharish Original.
Ainda assim, a marca soube reinventar-se ao longo destes quase dez anos. Se o sabor original vai buscar o aroma destas maçãs, o Sharish Blue centra-se nos morangos e framboesas, sendo também este o gin que capta a atenção de quem gosta de ter uma verdadeira experiência com a bebida. Quando juntamos água tónica, este gin passa de azul para um bonito tom verde Caraíbas.
Outras das sugestões de destaque da marca é o Distillers Cut, que surgiu em 2021, num desafio lançado a António Cuco para que criasse um gin ao seu gosto pessoal. Nasceu assim um gin mais clássico, onde a laranja e o limão foram substituídos pela tangerina, bergamota e lima kaffir.
Apesar de já estar à venda em todos os cantos do mundo, existem clientes que viajam de propósito do estrangeiro até à destilaria em pleno Alentejo. Afinal, esta tem o primeiro e único Centro de Interpretação do Gin da Península Ibérica, uma história que já foi até contada em várias publicações internacionais e digna de entrar na lista das sete melhores destilarias da Europa para visitar da “The Luxury Editor” — daí o interesse cada vez maior neste lugar em Reguengos de Monsaraz. Além disso é possível visitá-la gratuitamente todos os dias.

As receitas para os cocktails perfeitos deste verão
Para aqueles que se perguntam sempre sobre as origens dos nomes das marcas, Sharish pode soar estranho para batizar um gin alentejano, mas a verdade é que existe uma ligação muito lógica. Este é o termo árabe para Xara ou Jara: trata-se de uma flor muito presente no Alentejo, em concreto nesta zona, a esteva. Assim, durante a ocupação muçulmana, Monte Sharish era o nome desta localidade que, com o passar dos anos, se transformou em Monsaraz.
Seja neste belo recanto alentejano ou em qualquer outra parte, há várias receitas para combinar os gins Sharish. Se gostar de tangerina, o Yusufi Thyme é uma excelente opção. Basta juntar num shaker 50ml de Sharish Distiller’s Cut, 15ml de triple sec, duas colheres de café de compota de laranja, oito ramas de tomilho fresco e 70ml de sumo tangerina fresco (aproximadamente duas tangerinas). Depois é só adicionar gelo, agitar e coar para um copo. Os fãs de bebidas com gás podem optar pelo Gin Fizz, de que já falámos na NiT.
Já para aqueles que são fiéis ao Gin Tónico, deixamos a receita perfeita: encha o copo de gin com gelo e rode-o com uma colher para refrescar o vidro. Escorra a água que derreteu e adicione 50ml de Sharish. Coloque duas rodelas de maçã e um ramo de alecrim e adicione lentamente 200ml de água tónica. Por fim, mexa lentamente para misturar os sabores e estará pronto para servir.
Neste vídeo, inspire-se para outras sugestões com Sharish.









