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Tem mais de 13 mil garrafas, é a maior coleção de whisky do mundo e fica em Lisboa

A Whisky&Co existe desde 2001. É uma loja, mas também uma espécie de museu, um segredo que nem todos conhecem na cidade.
A coleção tem três salas e 200 metros quadrados.

Alfredo Gonçalves, atualmente com 92 anos, sempre foi um grande apaixonado por whisky. E não falamos apenas de conhecer e provar referências. Tem uma paixão tão forte que começou uma coleção privada de garrafas no final dos anos 70 que é hoje a maior do género em todo o mundo. Em 2005 chegou mesmo a entrar no livro do Guinness. Na altura foram contabilizadas 10.500 garrafas. Passados 15 anos, o número aumentou. Falta uma contagem oficial, mas serão mais de 13 mil as que tem guardadas nestas salas em Entrecampos, Lisboa.

“Devem ser umas 13 mil”, diz à NiT Luísa Gonçalves, a filha de Alfredo Gonçalves. José Reis, um dos netos de Alfredo, que também nos acompanhou nesta visita, é mais ambicioso, mas seguro no que diz. “Já devemos ter entre 14 a 15 mil garrafas.” O certo é que também não nos oferecemos a ajudar numa contagem naquele momento. 

A coleção começou a ser feita em casa e quando chegou às 1000 garrafas Alfredo passou-a para a loja de whiskys, a Whisky&Co, que abriu em Entrecampos em 2001. À entrada é uma loja comum, com várias garrafas expostas que podem ser compradas. O espaço está neste momento encerrado e foi por isso que arrancaram com uma loja online.

Também a coleção, numa área mais de museu ao fundo da loja, não pode ser visitada nesta altura. Para NiT a abertura foi excepcional. Nunca recusaram aos clientes habituais e alguns curiosos a visitar aquele espaço, mas o objetivo é fazer a coisa mais à séria com marcações e uma prova no final. No site, que estrearam em dezembro, já contam com essa informação.

Os carros que afinal são garrafas.

A primeira parte desta coleção privada, nem sempre teve as garrafas que agora apresenta. “Era uma sala de provas, mas a coleção foi ganhando espaço e teve de vir para aqui”, explica Luísa. Falámos de garrafas, é disso que se trata nesta primeira sala, mas à primeira vista diríamos que era uma coleção à parte de carros.

“Isto são tudo garrafas. Tem tudo whisky lá dentro. É tudo dos Estados Unidos.” Pegou numa para nos confirmar tal foi o nosso espanto. Achávamos que a coleção só vinha na sala seguinte, mas era ali que tudo começava, na sala American Whisky e Cerâmica, o nome que lhe dão.

Ao todo a coleção espalha-se por três salas, com um total de pouco mais de 200 metros quadrados. A sala seguinte é a que conta com o maior país representado em termos de garrafas, a Escócia. “A divisão começou por ser feita pelas regiões do país, mas há aqui algumas que estão separadas pelas destilarias.” Seguem-se Irlanda e Japão. Sim, não é só saké naquele país e algumas das garrafas são autênticas obras de arte. 

Ao longo dos anos, Alfredo Gonçalves viajou pelo mundo em vários países, sempre em busca de whisky. “Muitas das viagens de família era feitas a feiras de whisky, lojas de whisky e até destilarias”, conta a filha Luísa. Já o neto, José Reis, era óbvio aquilo que pedia quando vinha de Amesterdão. “Queria sempre uma garrafa de whisky.”

A última sala junta garrafas de tudo o mundo.

Ainda assim, Alfredo Gonçalves não se limitou a trazer, a receber e a colecionar garrafas. Também há copos, canecas, caixas e bandejas, tudo a fazer parte desta coleção. Alguns dos copos estão pendurados no teto desta segunda sala dedicada a referências da Escócia e do Japão na sua maioria.

Rodeado de garrafas em tudo o que é prateleiras com com mais de dois metros de altura é também como vai estar na última das salas desta coleção, com referências do resto do mundo. Em algumas zonas vai encontrar o país a que se referem, mas por vezes é complicado não se perder no meio de tantas sugestões.

É aqui que está a garrafa preferida de Alfredo, aquela pelo menos pergunta a quem faz a visita se chegou a apresentar. “Diz sempre: ‘mostraste aquele da cobra?’ “, conta-nos José Reis. Sim, é uma referência de Laos, no Sudeste Asiático, que Alfredo trouxe numa das viagens que fez. “Pede-nos sempre para mostrar esta.” São duas as cobras que estão no interior, uma a morder a outra.

Tudo o que faz parte desta coleção não é para consumir, nem mesmo para vender. “Já tivemos propostas de pessoas que queriam comprar tudo, outras umas partes, mas isto não é uma questão de valor, é por paixão.” Todas contam com valor sentimental e até estão numa vitrine garrafas com os anos de nascimento de vários elementos da família.

Este espaço do museu, assim como a loja, estão encerrados devido à pandemia, mas assim que for possível ter de novo a porta aberta é um local que os verdadeiros apreciadores de whisky têm de conhecer. E no final podem até provar uma das referências, não da coleção, claro.

O whisky da cobra.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Visconde de Seabra, 12 A-C, 1700-370 Lisboa
    1700-370 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Das: 10:00
  • Às: 19:00
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Loja

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