Gourmet e Vinhos

Tomate: o fruto “não comestível” da discórdia entre franceses e espanhóis

É um dos produtos mais exportados pelos nossos vizinhos, mas tem sido alvo de críticas da ex-ministra Sègoléne Royal.
Resultou em polémica.

A Tomatina é uma festa popular celebrada em Buñol, onde milhares de pessoas se reúnem para atirar tomates umas às outras. A tradição começou em 1945 e hoje é um dos eventos mais conhecidos de Espanha. É um festival colorido, divertido e único que atrai turistas de todo o mundo.

A famosa “guerra de tomates de Valência” é, sem dúvida, uma das principais responsáveis pela popularidade do fruto espanhol no resto do mundo — mas não é a única. Os espanhóis são os segundos maiores exportadores mundiais: em 2018 ocupavam a oitava posição no ranking.

No início de fevereiro, os tomates produzidos em Espanha voltaram a dar que falar. A polémica foi espoletada por Sègoléne Royal, a antiga ministra da Ecologia Durante uma entrevista a um canal de televisão francês, a também ex-candidata à presidência, referiu a fraca qualidade do fruto castelhano num momento em que abordava a crise que a agricultura atravessa por toda a Europa.

“O biológico espanhol é um falso biológico. As frutas e legumes produzidas em Espanha não cumprem as normas francesas”, afirmou. “Já alguma vez os provaram? Não são comestíveis!”, criticou.

Naturalmente, tais declarações não foram bem recebidas pelos espanhóis, tendo sido consideradas “inapropriadas” por muitos, visto terem sido pronunciadas por uma pessoa com “responsabilidades governamentais”, afirmou a ministra de Transição Ecológica de Espanha, Teresa Ribeira.

No final de uma reunião extraordinária do Conselho Europeu, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez comentou que Royal “não teve oportunidade de provar o tomate hispânico” e convidou Royal a visitar a Espanha — “Verá que é imbatível”, concluiu. 

Finalmente, o chefe de Estado comentou que “os produtos espanhóis não gozam de qualquer vantagem competitiva em relação a outros no mercado interno europeu”, lembrando que se aplicam “as mesmas regras ambientais” em “França, Espanha, Portugal, Itália, Países Baixos e outros”.

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