Gourmet e Vinhos

Vasco preparou um churrasco para trabalhadores das obras. O vídeo tornou-se viral

O criador de conteúdo também já fez pizzas para nadadores-salvadores. Para ele, a comida é sobre união e convívio.

Vasco Garcez Palha passou o verão a amadurecer uma ideia: cozinhar para quem trabalha debaixo do sol. Executar o plano, contudo, não foi fácil. Antes de conseguir gravar os primeiros vídeos, levou várias negas. Para preparar uma refeição para trabalhadores das obras, contactou cerca de dez equipas e nenhuma aceitou.

Só depois de uma sugestão deixada nos comentários de uma publicação é que encontrou um grupo disposto a participar. O esforço valeu a pena: atualmente o post tem mais de um milhão de visualizações no Instagram, plataforma onde conta com mais de 68 mil seguidores.

Natural de Cascais, mas a viver no Porto há cerca de oito anos, dedica-se a tempo inteiro às redes sociais. Não tem formação em cozinha e diz que a relação com a comida começou mesmo antes do digital. “Toda a gente gosta de comer”, brinca. 

A ideia de transformar essa relação em conteúdo surgiu há cerca de um ano e meio, numa altura em que viajava pelo País por motivos profissionais ligados à indústria têxtil. As manhãs passadas entre viagens e reuniões tinham um ponto em comum: uma pausa num café.

“As manhãs eram muito corridas, mas tinha sempre uma pausa. Quando parava era sempre num café e isso tornou-se um momento muito especial para mim. Comecei a olhar para o pequeno-almoço de outra forma.” Inicialmente, os vídeos eram muito à base do que comia em pequenas pastelarias.

A partir daí, as ideias foram-se desenvolvendo até chegar ao conceito que ocupou todo o mês de julho: cozinhar para pessoas que estão a trabalhar durante o verão. A primeira gravação foi com nadadores-salvadores, na praia de Leça da Palmeira, em julho.

Para os trabalhadores das obras, o caminho foi mais complicado. Vasco queria encontrar uma equipa que aceitasse receber a refeição, mas encontrou uma sucessão de recusas. Algumas disseram-lhe que seria necessário ter autorizações para gravar. “Às vezes também falava com alguém e depois diziam-me que tinha de falar com outra pessoa. Era uma cadeia que, quando chegava à terceira ou quarta pessoa, a ideia estava tão diluída que já não tinha o mesmo impacto”, lamenta.

Depois de cerca de dez tentativas, uma sugestão deixada nos comentários acabou por mudar o rumo da gravação. Alguém indicou umas obras numa zona de ruas onde, segundo essa pessoa, os trabalhadores eram acessíveis. Vasco decidiu tentar. “É tudo real no vídeo”, garante. Foi aí que conseguiu concretizar a ideia.

A logística também não é simples: Vasco, de 23 anos, desloca-se numa carrinha e leva consigo um grelhador. “Isto chama a atenção e percebem que não estou lá para fazer uma brincadeira ou uma piada.” Há, também, algo que o influencer quer deixar claro: “Não olho para isto como uma questão de caridade, sinto que estou só a alegrar o dia de alguém que está a trabalhar e a partilhar um momento íntimo que é uma refeição. Se consigo proporcionar isso a alguém que está a trabalhar durante o verão, com o calor, sinto-me grato.”

 
 
 
 
 
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A escolha da comida também depende do contexto. Para os trabalhadores das obras, optou por churrasco, visto que permite servir várias pessoas num período curto. “Pareceu-me mais eficaz porque a comida também fica pronta rapidamente.”

Na praia de Leça da Palmeira, a refeição foi outra. A ideia de fazer pizza partiu de um amigo que tem um forno próprio e sabe preparar a massa. “Achei que era uma dinâmica que ia muito ao encontro da praia”, destaca Vasco.

As reações dos participantes, especialmente dos nadadores-salvadores, confirmaram que aquela era, de facto, uma boa iniciativa. “Foi ao encontro do objetivo que eu tinha em mente, que era a conversa, o convívio e partilhar o momento com eles”. 

No caso das obras, a dinâmica foi diferente. Os trabalhadores continuaram a trabalhar e a refeição aconteceu entre as tarefas. “Mesmo assim comemos juntos e conversámos”, conta. Havia ainda uma diferença entre o número de pessoas previsto e aquele que apareceu no momento da gravação: tinham-lhe indicado oito trabalhadores, mas acabaram por estar “três ou quatro”.

Os vídeos que Vasco partilha nas redes sociais são feitos com a intenção de criar momentos que o próprio gostaria de rever. “Faço os vídeos para eu os ver mais tarde”, brinca. Atualmente, esta série tem apenas duas publicação, mas já está a planear uma terceira — e não vai ficar por aqui. “Quero fazer mais uns cinco vídeos”, revela.

 
 
 
 
 
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A próxima fase vai alargar o conceito àqueles que têm profissões que fazem deles os “heróis da sociedade”. “Quero muito cozinhar para agentes de segurança pública e bombeiros.”

Nestes casos, a comida vai ser pensada em função da profissão. “A ideia que mais me entusiasma é servir café e donuts aos agentes, um pouco pela piada à americana”, explica.

O vídeo ainda está por gravar e envolve uma nova fase de preparação. “Estou a tentar dinamizar a questão dos produtos que vou usar. Isto envolve muita logística e é um ciclo mais lento do que esperaria porque sou só eu.”

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