Para a numerologia, 2023 é o ano sete, o “que vem para despertar os que dormem”. Para o Origens, em Évora, também. Não, ninguém está ali a dormir. Pelo contrário. O restaurante celebra o sétimo aniversário e a chegada de novidades.
No centro histórico da cidade alentejana, por entre ruelas e calçada portuguesa, o azeite, o queijo, o pão e a carne são as estrelas. Mas não só. Ali, no número 10 da Rua de Burgos, o objetivo sempre foi mostrar o melhor da região e uma boa mesa. Fica explicada a escolha do nome. Quem visita o Origens sente e entende essa razão.
Num cenário de festa e de celebração, Eugénia e Gonçalo Queiroz aproveitaram para anunciar a abertura da W2M Wine to Mee, uma nova loja de vinhos localizada mesmo ao lado do restaurante. Como não podia deixar de ser, também ela é focada na oferta alentejana.
“Estes sete anos correram muito bem. Não me posso queixar. Marcámos pela diferença. Claro que tivemos altos e baixos, mas é normal. O pior foi mesmo a Covid-19, uma altura para esquecer. Felizmente, o Origens tem sido muito procurado tanto por portugueses, como por turistas. Está cheio de boas referências e isso só significa que o trabalho árduo compensa. Que vale a pena estar atento aos detalhes, e tratar todos os clientes como especiais. Penso que é isso que faz falta à restauração em Portugal”, começa por dizer à NiT Gonçalo, de 36 anos.
Gonçalo Queiroz e a esposa estavam no Dubai, mas decidiram regressar às origens. Voltaram a Portugal, e a cidade onde já haviam vivido parecera-lhes a opção mais acertada. “O plano A não foi logo abrir o restaurante, mas isso já estava em mente”, diz.
Em 2016 deram as boas-vindas ao Origens, com os “pratos de autor” e “umas coisas mais agradáveis para toda a gente”. Com o tempo, o chef levou para a cozinha a criatividade do que já tinha aprendido ao estar à frente de projetos como o Ecorkhotel, em Évora, e o Picante, no Dubai.
“Queríamos que o conceito fosse à base de produtos da região e utilizar também o receituário da zona. Mas tínhamos de lhe dar um toque de modernidade.” O nome parecia-lhes uma escolha óbvia. “Ligava bem e era fácil de decorar e de associar ao nosso espaço.”
Entretanto, sete anos volvidos — e, acreditando-se ou não na numerologia —, a magia e a graça do número sente-se. Pelo menos, pelos fundadores. Afinal, os dois casaram-se nesse dia, contam 70 candeeiros de iluminação e até têm sete letras nos nomes. Sim, cada um. Pode contar. Aproveite e conte também as do nome do restaurante. A resposta será igual para todos.
O passo seguinte só podia ser abrir esta loja. “Sempre foi um desejo nosso. No restaurante, tínhamos muita procura para fazer provas de vinho. E até as fazia às vezes entre os almoços e os jantares. Mas a procura foi crescendo, os pedidos para comprar as referências que servíamos também foram aumentado e pronto. Fazia todo o sentido. É um complemento do que já fazemos no restaurante e que permite aos nossos clientes levar um pouco do Origens para as suas casas“, explica a sommelier de 41 anos.
“O Alentejo é a maior região de Portugal, sendo também a zona que mais vinho produz, com cerca de 800 marcas, que, além dos brancos e tintos, apresentam também excelentes opções de rosé e, mais recentemente, de espumantes” refere.
O recém-inaugurado espaço já conta mais de 100 rótulos. Todos do Alentejo, claro. “Temos vinhos de pequenos produtores que não se encontram em muitos sítios. Alguns deles chegam mesmo pelos próprios que nos batem à porta. Outros aparecem através das feiras de vinho. Os únicos critérios é que sejam especiais e diferentes. Que representem o Alentejo da melhor forma. O objetivo é ter aqui algumas gemas raras“, confessa.
Eugénia, que conta ter provado vinhos “como deve ser” no emirado árabe, especializou-se fazendo formações do Wine & Spirit Education Trust. Aliás, toda a equipa do Origens tem o primeiro nível de formação deste reconhecido fornecedor mundial de qualificações em vinhos.
O W2M Wine to Mee é, então, dedicado à prova (entre os 15€ aos 65€) e venda dos vinhos da carta (dos 9€ aos 250€). Além disso, vão estar à venda bolachas e outros produtos de cerâmica e madeira (desde 3,5€) feitos pela Associação Sócio – Cultural Terapêutica de Évora.
“Estamos a ajudar a associação. Além de termos os vinhos à venda, temos essas coisas. Muitas delas estão colocadas como elementos de decoração. Temos bonecos de madeira e algumas peças de cerâmica feitos por meninos com problemas cerebrais e algumas deficiências.” Tudo o que vendem da associação reverte a 100 por cento para a mesma.
Para as provas, à semelhança do que acontece no restaurante, os responsáveis aconselham fazer reserva. “Pode acontecer o cliente chegar e eu não estar disponível.” Afinal, é Eugénia quem guia o momento. “Os clientes escolhem quantos vinhos querem provar. Temos desde três a sete e percorrem o Alentejo, desde norte, centro ao sul.”
Já restaurante acolhe workshops de comida. “As pessoas podem cozinhar com o chef e a seguir jantam aquilo que cozinharam.” Quem sabe se no futuro não inaugurarão um espaço próprio para esses momentos. Os planos até já foram pensados. “É um projeto que gostava de ter. Talvez mais tarde”, diz Gonçalo.
Por enquanto, dedicam-se ao novo espaço — e ao restaurante, claro. “As pessoas da terra estão a surpreender e a aderir bem. O Alentejo tem muita gastronomia, muito vinho. É importante haver projetos como este, que consigam dar uma oferta diferenciada.”
Agora, o objetivo é continuar a crescer e até organizar provas ou lançar vinhos na loja. Mas, acima de tudo, “continuar a fazer a divulgação da cozinha alentejana.”
A seguir, carregue na galeria para conhecer o Origens e o novo projeto de vinhos únicos.








