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3 testes positivos à Covid depois, o Solar dos Presuntos reabre esta quinta-feira

A equipa volta a ser testada na véspera. Pedro Cardoso, o responsável, garante à NiT que será o restaurante mais seguro do País.
Esteve encerrado desde sexta-feira, 16 de outubro.

“Quando as pessoas estiveram à porta do Solar dos Presuntos, esta quinta-feira [22 de outubro], vão entrar no espaço mais seguro de Portugal”, a garantia é dada à NiT por Pedro Cardoso, o responsável pelo Solar dos Presuntos. O conhecido espaço de Lisboa encerrou na sexta-feira, 16 de outubro, depois de três funcionários terem acusado positivo à Covid-19. Toda a equipa voltará a ser testada esta quarta-feira para garantir  que os pratos voltarão a ser servidos nos 120 lugares do restaurante conforme previsto.

Pedro Cardos acrescenta: “Se houver algum caso positivo, esse caso ficará em casa e toda a outra equipa que estiver negativa tem a garantia de estar a 100 por cento. Portanto, estamos com equipa completamente sã para trabalhar.”

Desde que o restaurante da Rua das Portas de Santo Antão reabriu, depois do confinamento, que têm sido feitos testes ao sangue aos 50 funcionários que fazem parte do projeto, sempre a cada duas semanas. Até ao momento, nenhum tinha acusado positivo.

“Temos protocolos internos que nos obrigam a fazer testes quinzenais. Caso as pessoas não se sintam bem, nem no local de trabalho se apresentam. Deixam-se estar logo em casa e vão dando conhecimento do que se está a passar”, revela o dono.

O primeiro caso positivo foi de um funcionário da sala. “A esposa e filha também acusaram positivo, mas não conseguimos detetar como é que ele foi infetado. O mais provável é que tenha sido um contágio familiar associado a isso.” Já não se apresenta ao trabalho desde domingo, 11 de outubro.

Fez o teste na segunda-feira, 12 de outubro, recebeu o resultado positivo na quarta e daí partiu a iniciativa de testar todos os trabalhadores. “Há uma questão que é fundamental, a economia, mas há outra coisa que para nós é fundamental, que é a saúde e a segurança. Dar aos nossos clientes a forma mais estável de estar dentro de um restaurante.”

Quando chegaram os testes aos restantes empregados, perceberam que havia mais um caso de infeção num funcionário que dava boleia todos os dias à noite a este colega e aos restantes empregados da copa.

Cada teste destes são 100€ por pessoa. Nós somos 50, por isso foram já cinco mil euros. Há empresas que não os conseguem fazer. Devia haver mais apoios”, conta à NiT sobre o facto de o Solar dos Presuntos assegurar este pagamento por inteiro.

Para Pedro Cardoso, o sistema nos restaurantes devia ser mais ou menos como no futebol, com testes a serem feitos regularmente. “É a única hipótese: testar e testar. Teríamos de ter, como é óbvio, a ajuda do Estado, da Direção-Geral da Saúde, para que quando houver um teste positivo dizerem: ‘meus amigos vamos testar a equipa toda’.

O problema é que não há almofadas financeiras que o permitiam. “As pessoas têm de ter noção que os espaços onde fazem refeições são seguros.” Este encerramento foi voluntário, já que não houve qualquer indicação da Direção-Geral da Saúde para o fazer. “Estou à espera de um contacto até hoje.” Não sentiu apoio do Estado nem tão pouco da AHRESP,  a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, que representa o setor. “Sou associado há 15 anos e nem uma mensagem a perguntar se estava tudo bem e se precisávamos de alguma coisa.” Ao contrário de os clientes, que não se cansaram de enviar mensagens de apoio.

 “Estamos com dois mil casos diários. Só o Solar dos Presuntos é que teve infetados? Se assim for, alguma coisa não estaria bem no nosso restaurante. Isso connosco não funciona. Quando detetámos esta situação, o fundamental para nós foi parar, testar a equipa e ter tudo a 100 por cento para a reabertura.”

Não foi obrigado a encerrar, mas fê-lo porque sentiu que era o mais correto neste momento que o País está a viver. “Grave é haver pessoas que não percebam que isto tem de ser feito assim. Se há alguma coisa que nos leve a tomar medidas mais drásticas como desta vez, temos de estar preparados para isto e não encarar como uma vergonha, mas sim como uma realidade que é o que nos está a assolar todos os dias.”

O Solar dos Presuntos estava numa fase positiva nas últimas semanas. Depois de nos primeiros três dias, quando reabriram em maio, terem trabalhado muito bem — com perdas de apenas 10 por cento em relação à faturação normal —, essas perdas subiram depois 60 por cento e baixaram para 40 por cento recentemente. “Agora voltamos à estaca zero.”

Mesmo com a pandemia, as obras que estavam previstas vão continuar. O objetivo passa por criar uma esplanada e aumentar a zona de produção de cozinha. Este será um ponto chave para conseguir alargar o sistema de take-away e delivery criado durante este período e que tem sido bem sucedido.

E que poderá ser fundamental no caso de haver um segundo confinamento. “Até já pensei em ter equipas em espelho só para entregas.” Por enquanto, essa não uma realidade em que quer sequer pensar.

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