Restaurantes

A Camponesa de Santa Catarina mudou de nome — e tem um novo conceito

Contudo, o novo restaurante dá continuidade à cozinha tradicional que se praticava na tasca com 40 anos de história.
É um sítio para vir, sentar, estar e comer.

Bem perto do Miradouro de Santa Catarina, no centro histórico de Lisboa, há um spot que chama quase tanta atenção como a vista para a cidade e para o Tejo. Chamava-se Camponesa de Santa Catarina, tinha um ambiente de tasca composta, moderna e confortável — e servia pratos tradicionais feitos de forma caseira.

Hoje, o nome sofreu alterações e não foi só. Foi agora rebatizada de Antiga Camponesa e, apesar de dar continuidade à cozinha tradicional que se praticava anteriormente, dá-lhe um twist inovador. Para quem circula entre o Miradouro de Santa Catarina e Calçada do Combro naquele vai-e-vem típico da capital, o restaurante à responsabilidade de Tiago Alves (35 anos), Bárbara Cameira (45 anos) e André Magalhães (55 anos), não passa despercebido.

Possivelmente conseguiu reconhecer os nomes dos empreendedores e não, não se trata de uma coincidência ou do facto de serem denominações comuns. Depois de dez anos de sucesso na Taberna da Rua das Flores, os taberneiros decidiram expandir-se e tomar conta do tradicional spot da Marechal Saldanha, com mais de 40 anos de história. “Percebemos que Lisboa tem muitas casas a fazer petiscos e estava a faltar algo diferente”, explica à NiT Tiago Alves.

“Os antigos responsáveis, que continuam donos do espaço, o Miguel e a Célia, decidiram reformar-se após 20 anos, mas queriam manter a memória do local e não passá-lo a alguém que o descaracterizasse.” Há pontos em comum com a Taberna da Rua das Flores, claro: mantém-se a aposta nos produtos portugueses e sazonais. Porém, ainda que se baseie na comida portuguesa, este restaurante “não será 100 por cento tradicional”, já que terá influências da gastronomia de outros países, sobretudo da Irlanda ou de Paris, a capital francesa — locais por onde Gareth Storey passou.

Isto porque é o chef irlandês que está a dirigir a cozinha da Antiga Camponesa. Apesar de ser a sua primeira experiência profissional no País, Gareth descobriu os sabores portugueses e aventurou-se a convite de André Magalhães. E se pensa que este é um daqueles spots onde só se entra vestido a rigor, desengane-se.

“Temos um conceito formal, mas só se aplica à própria refeição e não por ser um restaurante de fine dining, que não é.” O que acontece é que segue um “formato clássico”: com entrada, prato e sobremesa. “A Camponesa é um sítio para vir, sentar, estar e comer, onde não existem pretensiosismos.” De forma “descontraída e nada aperaltada”, recupera o tempo antigo de Lisboa.

Ao entrar na sala confortável, onde os tons de verde imperam e o chão de mosaico hidráulico deixa qualquer um fascinado, nota-se a preocupação em manter este espaço um “repasto clássico”. Aqui, a maior mesa é redonda e tem apenas seis lugares. “Não só os portugueses, mas os próprios turistas podem conhecer outra vertente da restauração portuguesa.” Uma que se distingue dos espaços com grandes grupos de pessoas apressadas, prontas para se dirigir logo a seguir para outro ponto.

Nada foi deixado ao acaso. O menu, “muitíssimo bem feito”, foi pesquisado pelo chef André, que ficou encarregue da gastronomia e de pesquisar as histórias das receitas. Mesmo os vinhos, que chegam de todo o mundo, contam a sua própria história. “Na carta temos opções de Itália ou de França, mas são todos de pequenos produtores e não muito conhecidos, porque queremos dar a conhecer bons rótulos e espevitar a conversa sobre esta dimensão fora da caixa”, revela Tiago.

Por usarem ingredientes sazonais, o menu muda quase diariamente. Neste momento, fazem parte os boletos grelhados com alho, azeite, salsa e coentros, servidos com pão torrado (12€). Se as entradas podem variar entre os 6€ e os 7€, os pratos principais custam em média 18€. “As sobremesas podem chegar aos 7€”, confirma. As tripas com morcela e o cachaço de porco bísaro com açorda de grelos já fizeram sucesso.

E para que haja um “contraponto ao momento de decisão do que comer”, a casa serve apenas os cocktails clássicos. “Gostamos da ideia de um barman criar versões com fumo e outras coisas, mas sentimos que depois de escolher o que quer provar, o cliente deve poder ter disponível as opções mais seguras e conhecidas.” Quem aqui chega poderá, então, pedir um “Old Fashion, um Tom Collins ou um mojito” sem ter de se preocupar em conhecer os seus ingredientes ou particularidades, já que são alguns dos cocktails mais conhecidos.

Por enquanto, a Antiga Camponesa apenas serve jantares, de segunda-feira a sábado, a partir das 19 horas, mas está-se a projetar começar a abrir também para os almoços na primavera.

Carregue na galeria para conhecer melhor este novo espaço da capital e as suas iguarias.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Mal. Saldanha 25
    1200-259 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a Sábado das 19h às 22h30
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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